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title: "Logística da Soja Brasil Enfrenta Gargalos com Previsão de Esmagamento Recorde"
author: "Redação"
date: "2026-01-23 10:33:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/01/23/logistica-da-soja-brasil-enfrenta-gargalos-com-previsao-de-esmagamento-recorde/md"
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A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta um recorde histórico para o esmagamento de soja no Brasil em 2026, atingindo a marca de 61 milhões de toneladas. Esta projeção, divulgada em 22 de janeiro e baseada em uma estimativa de safra de 177,1 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), posiciona o país na liderança global de exportação de grãos, mas também acende um alerta sobre um desafio crítico: a capacidade da infraestrutura logística nacional de acompanhar o ritmo acelerado do agronegócio.

O otimismo dos números de produção é evidente. A previsão da Abiove indica um aumento de 0,8% no volume de esmagamento em relação à estimativa anterior, com a produção de farelo chegando a 47 milhões de toneladas e a de óleo a 12,25 milhões de toneladas. Para o comércio exterior, a expectativa é que o Brasil exporte 111,5 milhões de toneladas de grãos de soja, consolidando sua dominância no mercado internacional.

Contudo, enquanto a produção agrícola avança, a infraestrutura para o escoamento dessa riqueza revela gargalos significativos. Um exemplo claro é a malha ferroviária de Santa Catarina, estado crucial para a exportação de grãos. Em 2025, as ferrovias catarinenses transportaram 6,17 milhões de toneladas de cargas, das quais a soja representou 2,1 milhões de toneladas, mas o potencial do modal permanece subutilizado.

Segundo Beto Martins, secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina (SPAF), essa subutilização é um problema crônico. O estado possui 1.373 km de ferrovias instaladas, mas apenas 373 km, ou 26,4%, estão em operação. Essa porção operacional representa apenas 1,69% da malha ferroviária brasileira, o que sobrecarrega o transporte rodoviário, tornando a logística mais cara e menos sustentável.

A baixa eficiência do transporte ferroviário impacta diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro. Em resposta, o governo de Santa Catarina tem liderado um movimento para ampliar a discussão nacional sobre a renovação de concessões e a atração de novos investimentos para o setor. A aprovação da Lei do Sistema Ferroviário do Estado (SFE-SC) em 2025 é um passo importante para destravar o potencial do modal, permitindo novos modelos de concessão e autorizações privadas.

A cadeia logística não termina nas ferrovias; ela depende crucialmente da eficiência dos portos, que servem como porta de saída para as exportações. Ciente da necessidade de modernização, o Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, deu início a um robusto calendário de leilões portuários para 2026, visando atrair capital privado e ampliar a capacidade operacional.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) já publicou os editais do primeiro bloco de leilões, que ocorrerá em 26 de fevereiro na B3, em São Paulo. Quatro terminais localizados nas regiões Norte, Nordeste e Sul serão arrendados, com uma previsão de investimentos que somam R$ 229 milhões. Segundo o ministro Silvio Costa Filho, a iniciativa é estratégica para modernizar a infraestrutura e gerar desenvolvimento regional.

Dentre os ativos a serem leiloados, destacam-se terminais com clara vocação para o agronegócio. O Terminal MCP01, no Porto de Santana (AP), destinado ao escoamento de grãos e cavaco de madeira, receberá investimentos de R$ 150,2 milhões. Já o Terminal POA26, em Porto Alegre (RS), focado em granel sólido vegetal, terá um aporte de R$ 21,13 milhões, contribuindo para a modernização da logística na região Sul.

Em conclusão, a projeção de esmagamento recorde de soja para 2026 coloca o Brasil diante de um duplo cenário: a celebração de sua potência agrícola e a urgência de resolver seus déficits logísticos. O sucesso no escoamento desta safra histórica dependerá da capacidade do país de integrar e modernizar seus modais de transporte. Os leilões portuários e as iniciativas estaduais para revitalizar ferrovias são passos fundamentais, mas a jornada exige investimentos contínuos para que a infraestrutura finalmente acompanhe o crescimento do campo.

