Estratégias Divergentes para um Objetivo Comum

Diante de um recorde histórico de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas em 2025, os dois maiores complexos portuários do Brasil, Santos e Paranaguá, avançam com projetos ambiciosos de expansão para sustentar o crescimento e aumentar a eficiência. Em uma corrida pela competitividade, os portos adotam abordagens distintas: Santos recebeu autorização para uma ampliação massiva de sua área física, enquanto Paranaguá investe em tecnologia de ponta, utilizando simulações digitais para planejar sua futura infraestrutura de maneira precisa e segura.

Santos Expansão Territorial para as Próximas Décadas

O Porto de Santos obteve uma vitória estratégica com a autorização do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para ampliar sua poligonal em 17,2 milhões de metros quadrados. Conforme anunciado em portaria no Diário Oficial, a medida representa um aumento de 56% nas áreas terrestres, que saltaram de 9,3 milhões para 14,5 milhões de metros quadrados. Essa expansão permitirá a instalação de novos terminais e infraestruturas de apoio, preparando o porto para as demandas futuras.

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, destacou a importância da medida. “É uma ampliação que permite preparar o Porto para as próximas décadas, tendo em vista o aumento da movimentação de cargas. Com isso, será possível atrair novos investimentos, gerar empregos e tornar o Porto mais eficiente”, declarou Pomini. O pedido de ampliação foi formalizado pela APS em 2024 e, após consulta pública em 2025, foi aprovado pelo governo federal.

Paranaguá Inovação Digital para um Crescimento Seguro

No litoral paranaense, a estratégia é focada na tecnologia. O Porto de Paranaguá está utilizando o Tanque de Provas Numérico da Universidade de São Paulo (TPN-USP) para realizar simulações digitais de manobras de navios. O objetivo é testar os cenários de atracação e desatracação com as futuras configurações de sua infraestrutura, que incluem a ampliação do píer de granéis líquidos (PPGL) e a construção de um novo píer em “F” para granéis sólidos.

Práticos, comandantes de rebocadores e representantes da Capitania dos Portos participaram dos testes, que replicam condições reais da Baía de Paranaguá, como marés, correntezas e ventos. “Os cenários incluem navios leves e carregados, calados atuais e projeções de aumentos futuros, permitindo identificar riscos operacionais e avaliar como mitigá-los”, explicou Julia Bruch, coordenadora de Sinalização da Portos do Paraná. A análise detalhada dos dados gerados resultará em um relatório técnico da USP com recomendações para garantir a segurança das futuras operações.

Contexto Nacional Impulsiona Investimentos

A urgência por trás dessas expansões é validada pelos números do setor. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o volume de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas em 2025 representa um crescimento de 6,1% em relação a 2024. Este desempenho, impulsionado principalmente pelo agronegócio, com a soja registrando um aumento de 14% no escoamento, evidencia a necessidade de uma infraestrutura portuária robusta e preparada para o futuro.

O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, afirmou que o recorde “não é obra do acaso, mas fruto de um ambiente de estabilidade e segurança jurídica”. Este ambiente favorável atraiu R$ 10,3 bilhões em investimentos por meio de leilões portuários e outros R$ 7,88 bilhões de capital privado em 2025, destinados à modernização e ampliação da capacidade em todo o país.

Posicionamento do Brasil no Cenário Global

As estratégias de Santos e Paranaguá, seja pela expansão física ou pela inovação tecnológica, são cruciais para consolidar a posição do Brasil como um player relevante na logística global. Um estudo recente da Transport Intelligence (TI) e da Agility colocou o Brasil em 10º lugar no Índice de Agilidade dos Mercados Emergentes de 2026. Esse desempenho reflete os esforços contínuos para aprimorar a infraestrutura e a eficiência, garantindo que os portos brasileiros possam atender com competitividade às crescentes demandas do comércio internacional.