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title: "Exportações em Alta Custos Internos em Debate o Futuro da Competitividade Portuária"
author: "Redação"
date: "2026-02-18 11:12:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/02/18/exportacoes-em-alta-custos-internos-em-debate-o-futuro-da-competitividade-portuaria/md"
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## O Paradoxo Brasileiro Sucesso na Exportação Ameaçado por Custos Internos

Enquanto o agronegócio e a logística portuária brasileira comemoram marcos históricos de exportação no início de 2026, uma ameaça interna surge no horizonte. De um lado, entidades como a Abrafrutas e terminais como a Portonave expandem sua presença global. Do outro, o debate sobre o fim da jornada de trabalho 6x1 levanta sérias preocupações sobre o aumento do "Custo Brasil", um fator que pode minar a competitividade duramente conquistada no mercado internacional.

## Recordes no Campo e nos Portos

O cenário atual é de otimismo para os exportadores. A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), em parceria com a ApexBrasil, consolidou o protagonismo do país na Fruit Logistica, em Berlim. A participação resultou em números recordes para 2025, com um crescimento de 12% em valor, alcançando quase US$ 1,5 bilhão em receitas. Segundo Jorge de Souza, gerente técnico da Abrafrutas, a expectativa é que os negócios gerados na feira resultem em cerca de US$ 600 milhões em oportunidades comerciais.

Acompanhando esse sucesso, a infraestrutura logística demonstra sua força. A Portonave, em Santa Catarina, anunciou recentemente que sua câmara frigorífica, a Iceport, obteve habilitação para armazenar cargas de origem animal para a Coreia do Sul. Esta conquista, que se soma a um aumento de 12% no volume de cargas com temperatura controlada no último ano, evidencia a eficiência e a capacidade do setor portuário em atender mercados exigentes.

## A Ameaça do Custo Trabalhista

No entanto, essa trajetória de sucesso pode ser abalada por discussões internas. Em um artigo recente, **Gilberto Seleme**, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), alertou para os perigos do debate sobre o fim da escala 6x1. Seleme argumenta que a discussão está sendo "perigosamente contaminada por interesses eleitorais" e que uma mudança estrutural de tal magnitude não pode ser tratada com oportunismo.

Para o setor produtivo, a redução da jornada sem a correspondente redução salarial só é viável com duas premissas: aumento real da produtividade e livre negociação, mecanismos já previstos na Reforma Trabalhista de 2017. A realidade, segundo Seleme, é que 86% dos trabalhadores industriais em Santa Catarina ainda cumprem 44 horas semanais devido às "duras condições competitivas".

## Impacto Econômico e Competitividade Global

Os números apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) são alarmantes. A projeção aponta um impacto de R$ 179 bilhões ao setor produtivo e R$ 150 bilhões ao setor público, com uma elevação de 25% no custo do emprego. Na prática, isso poderia resultar em aumento de preços ao consumidor, crescimento da informalidade e, consequentemente, desemprego.

Seleme destaca que o cenário internacional é de forte concorrência, com gigantes asiáticos e vizinhos como o México mantendo jornadas de 48 horas ou mais. Até mesmo países desenvolvidos como Alemanha, Dinamarca e Suíça permitem jornadas semanais de 48 a 50 horas. "Ignorar isso é condenar a indústria nacional", afirma.

## A Conta Chega à Cadeia Logística

O potencial aumento de custos não se restringe à indústria. Ele se espalha por toda a cadeia produtiva e logística. Para os produtores de frutas e carnes, os custos mais altos com mão de obra diminuem as margens e a capacidade de investimento em tecnologia. Nos portos, como a Portonave, o aumento dos encargos trabalhistas impactaria diretamente o custo da movimentação e armazenagem de cargas, tornando o serviço logístico brasileiro mais caro e menos atraente.

## Encruzilhada para o Futuro

O Brasil se encontra em uma encruzilhada. Os sucessos da Abrafrutas e da Portonave mostram o imenso potencial do país como um fornecedor global confiável e competitivo. Contudo, para que esse potencial se concretize de forma sustentável, é crucial que as políticas internas sejam alinhadas com a realidade econômica. O debate sobre a jornada de trabalho precisa ser conduzido com responsabilidade técnica, e não populismo, sob o risco de o "Custo Brasil" anular os avanços conquistados e comprometer o futuro das exportações nacionais.

