O setor portuário da Região Sul demonstra vigor no início de 2026 com a consolidação de investimentos no terminal POA26, em Porto Alegre, e o alcance de marcas históricas no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). Enquanto o Consórcio Portos do Sul assume a modernização da infraestrutura gaúcha para dobrar sua capacidade operacional, o porto paranaense registra alta de 8% na movimentação de janeiro, impulsionado pela melhoria do calado e pela eficiência no escoamento de proteínas animais. Esses movimentos sinalizam uma recuperação estrutural necessária para garantir a competitividade do comércio exterior brasileiro frente aos gargalos logísticos globais.
TCP Atrai Cargas com Calado Ampliado
O Terminal de Contêineres de Paranaguá iniciou o ano estabelecendo um novo patamar de produtividade ao movimentar 145.592 TEUs em janeiro, atingindo o melhor resultado mensal de sua série histórica. O crescimento foi sustentado especialmente pelo setor de exportação, que avançou 19%, totalizando 680 mil toneladas. Dentro deste volume, o segmento de carnes e congelados destacou-se com 357 mil toneladas embarcadas, um salto de 45% comparado ao mesmo período de 2025. Esse desempenho reflete a confiança dos exportadores na capacidade técnica do terminal paranaense.
A gerente comercial da TCP, Carolina Merkle Brown, atribui esses números à expansão do calado operacional, que passou de 12,10 metros para 13,30 metros em 2024. Esta alteração técnica permite que cada navio transporte aproximadamente 960 TEUs adicionais, otimizando o custo por unidade movimentada e atraindo linhas de longo curso. O superintendente Rafael Stein Santos reforçou que o terminal, que celebrou a marca de 20 milhões de TEUs movimentados em sua história no dia 5 de março de 2026, mantém uma trajetória de expansão acelerada, dobrando sua movimentação anual nos últimos oito anos.
Além das exportações, a importação no TCP também apresentou crescimento de 9%, com 334 mil toneladas processadas. Os setores químico, automotivo e eletroeletrônico lideraram as entradas de mercadorias, demonstrando a diversificação da pauta comercial da região. O fluxo rodoviário acompanhou o ritmo, com recorde de 56.880 unidades passando pelos gates do terminal em janeiro. Esse dinamismo reforça a posição de Paranaguá como um hub logístico de excelência técnica e operacional no cenário sul-americano.
Consórcio Assume Modernização em Porto Alegre
Paralelamente ao sucesso paranaense, o Rio Grande do Sul avança na reconstrução de sua capacidade logística com o leilão do terminal POA26. Arrematada pelo Consórcio Portos do Sul em fevereiro de 2026, a área de 22.052 metros quadrados receberá investimentos de R$ 21,13 milhões destinados à modernização da estrutura e aquisição de novos equipamentos. A meta estabelecida pelo novo administrador é dobrar a movimentação atual, atingindo 624 mil toneladas anuais a partir do terceiro ano de operação, focando em granéis sólidos como fertilizantes e grãos.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, enfatizou que o arrendamento do POA26 é um passo estratégico para consolidar o estado gaúcho como um polo de integração regional. O projeto inclui a construção de dois novos armazéns totalizando 14 mil metros quadrados e a revitalização completa de sistemas de drenagem e iluminação. Tais medidas são urgentes para mitigar os danos sofridos pelas enchentes de 2024, que afetaram severamente a infraestrutura do porto da capital e exigiram uma resposta rápida do poder público e da iniciativa privada para restaurar a viabilidade operacional local.
Para Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos, o leilão complementa os esforços de dragagem que já estão sendo executados pela autoridade portuária local. A sinergia entre o investimento em infraestrutura de acesso e a modernização dos terminais interiores é o que garantirá o escoamento eficiente da produção do eixo Porto Alegre e Caxias do Sul. A recuperação da atividade portuária gaúcha não apenas gera emprego e renda, mas restitui a competitividade de uma das regiões mais produtivas do país, integrando-a novamente às cadeias globais de suprimento.
Em suma, a expansão coordenada entre os portos marítimos de Paranaguá e os terminais interiores de Porto Alegre desenha um cenário de otimismo realista para a logística do Sul brasileiro. Os recordes batidos e os novos contratos de arrendamento provam que a modernização técnica é o único caminho para superar os desafios geográficos e climáticos inerentes ao setor. Mesmo diante das adversidades históricas e da lentidão em reformas estruturais passadas, o Brasil demonstra que está evoluindo e aprendendo a valorizar sua vocação portuária como motor de crescimento econômico nacional.