A Ocean Network Express (ONE) anunciou em março de 2026 a expansão de seu serviço AX4 na Costa Oeste da América do Sul, coincidindo com o relatório financeiro recorde da International Container Terminal Services (ICTSI), que movimentou 14,5 milhões de TEUs no último ano. Essa movimentação estratégica visa otimizar o fluxo de mercadorias entre os polos produtivos asiáticos e os mercados emergentes latino-americanos, respondendo a uma demanda crescente por eficiência logística e confiabilidade no trânsito marítimo internacional.

Expansão da malha marítima no Pacífico

A partir de abril de 2026, o serviço AX4 da ONE passará a contemplar escalas diretas em Qingdao, na China, e Ensenada, no México, no sentido leste. No sentido oeste, a rota incluirá chamadas em Callao, no Peru, e terminais no Equador, consolidando uma rotação que interliga Shanghai, Ningbo, Pusan e Lazaro Cardenas. Esta atualização não é meramente geográfica; ela representa uma resposta técnica à necessidade de reduzir o tempo de trânsito e aumentar a regularidade em portos que funcionam como centros de distribuição regional.

Para o profissional de logística e estudantes da área, a inclusão de Ensenada e Callao significa um acesso mais ágil a mercados internos e uma alternativa viável para evitar congestionamentos em outros terminais saturados da costa pacífica. A ONE enfatiza que estes ajustes visam elevar a eficiência de trânsito e a confiabilidade do serviço, garantindo que as cadeias de suprimentos entre a Ásia e a América do Sul operem com menor volatilidade operacional.

Robustez financeira impulsiona investimentos

Em paralelo ao crescimento das rotas, a ICTSI, sob a liderança do CEO Enrique K. Razon Jr., reportou um lucro líquido de US$ 1,05 bilhão em 2025, um salto de 23% comparado ao exercício de 2024. A receita das operações portuárias atingiu US$ 3,23 bilhões, impulsionada por ajustes tarifários e uma gestão de capital que permitiu à empresa absorver flutuações cambiais no Brasil e no México. Esse resultado financeiro sólido fornece o lastro necessário para a manutenção de infraestruturas portuárias de alta performance.

Com um orçamento de US$ 740 milhões para 2026, a ICTSI planeja expandir sua presença no México, Filipinas e Brasil, além de novos projetos em Honduras e Austrália. Esse aporte financeiro em infraestrutura física e equipamentos de última geração é o que sustenta operacionalmente as novas linhas de navegação, como as da ONE, garantindo que o aumento de volume, que já atingiu a marca de 14,5 milhões de TEUs, seja processado com a produtividade exigida pelo mercado marítimo global.

Integração regional e eficiência técnica

A recuperação do terminal Contecon Guayaquil, no Equador, mencionada nos relatórios da ICTSI, exemplifica como a eficiência do terminal impacta diretamente na viabilidade das rotas marítimas. Quando um armador de grande porte decide escalar um porto, a infraestrutura de acostagem e a agilidade nas operações de pátio são determinantes para a manutenção do cronograma da linha e para a redução de custos operacionais fixos. A conectividade entre o Sudeste Asiático e a América Latina ganha uma nova camada de eficiência com essa sinergia entre armadores e operadores de terminais.

O setor portuário deixa de ser um ponto de estancamento para se tornar um facilitador estratégico, onde a tecnologia de gestão de contêineres e a expansão de malha trabalham em conjunto para fortalecer o comércio exterior das nações envolvidas. O cenário desenhado por ONE e ICTSI para 2026 projeta um ambiente de crescimento sólido e de modernização da infraestrutura na América Latina. Mesmo diante dos desafios persistentes de infraestrutura terrestre e burocracia que muitas vezes limitam o potencial pleno de mercados como o brasileiro, o setor demonstra uma resiliência notável e uma capacidade contínua de evolução técnica e operacional.

O Brasil, ao integrar-se a estas redes globais de alta performance e receber novos investimentos em terminais de contêineres, reafirma sua posição como player no comércio marítimo. Prova-se que, apesar dos obstáculos logísticos históricos, o investimento contínuo em tecnologia e conectividade é o motor necessário para sustentar o desenvolvimento econômico e a inserção competitiva do país no comércio global.