Plano Mestre do Complexo de Paranaguá e Antonina entra em fase de consulta pública ampliada

No dia 6 de março de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou a prorrogação do prazo para a consulta pública do Plano Mestre do Complexo Portuário de Paranaguá e Antonina até o dia 23 de março. A decisão busca ampliar a participação de órgãos públicos e da sociedade civil na definição das diretrizes de investimento para o setor portuário paranaense. Este planejamento ocorre em um momento de expansão acelerada, evidenciada pelos resultados recordes do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que movimentou 145.592 TEUs apenas no primeiro mês deste ano.

Recordes operacionais e demanda logística

O desempenho da TCP em janeiro de 2026 consolidou um crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 1,014 milhão de toneladas movimentadas. As exportações foram o principal motor desse avanço, com alta de 19%, impulsionadas especialmente pelo segmento de carnes e congelados, que saltou 45%. Rafael Stein Santos, superintendente institucional e jurídico da TCP, destacou que a marca de 20 milhões de TEUs atingida em 28 anos de operação reflete uma trajetória de expansão contínua e investimentos robustos na unidade.

A eficiência no fluxo terrestre também estabeleceu novos patamares, com o gate do terminal registrando a passagem de 56.880 unidades, um aumento de 11% comparado a 2025. Esse volume de carga exige que o Plano Mestre contemple não apenas a área primária do porto, mas também os acessos rodoviários e ferroviários para evitar gargalos que possam comprometer a competitividade das 23 linhas regulares que operam no complexo.

Infraestrutura e calado como diferenciais competitivos

Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores e de inteligência de mercado da TCP, atribui a atração de novos volumes à ampliação da capacidade de transporte dos navios. Desde 2024, o calado do canal de acesso ao Porto de Paranaguá foi aprofundado de 12,10 metros para 13,30 metros. Essa melhoria técnica permite que cada embarcação transporte até 960 TEUs adicionais, otimizando a escala operacional e reduzindo custos logísticos para os exportadores de madeira, papel e celulose.

A consolidação dessas melhorias de engenharia portuária é determinante para sustentar o fluxo de importações, que cresceu 9% em janeiro. Os setores químico, petroquímico e automotivo lideram as entradas de insumos, demandando uma gestão de pátio cada vez mais tecnológica e integrada. O Plano Mestre atualizado servirá como a bússola para que esses avanços técnicos sejam acompanhados por infraestrutura de suporte adequada nas próximas décadas.

Planejamento estratégico e visão de futuro

A prorrogação da consulta pública pelo MPor permite que as partes interessadas fundamentem melhor suas sugestões via plataforma Brasil Participativo. O documento preliminar orienta investimentos de curto, médio e longo prazos, visando harmonizar a relação porto-cidade e os acessos logísticos. Sem um planejamento estruturado, o crescimento expressivo observado nos últimos oito anos, em que a TCP dobrou sua movimentação anual para 1,6 milhão de TEUs, corre o risco de ser freado por limitações físicas ou regulatórias.

Em suma, os dados de movimentação demonstram que a infraestrutura paranaense está respondendo positivamente aos estímulos do mercado global. Embora o setor logístico brasileiro ainda enfrente obstáculos históricos de burocracia e custos, os avanços em Paranaguá provam que a combinação de investimentos privados e planejamento estatal gera resultados concretos. O Brasil segue amadurecendo sua governança portuária, demonstrando que, mesmo diante de desafios estruturais complexos, a evolução técnica e o crescimento econômico permanecem em ritmo constante.