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title: "Adernamento do Professor Besnard em Santos reforça necessidade de protocolos rígidos de ESG e gestão de riscos ambientais"
author: "Redação"
date: "2026-03-16 07:16:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/03/16/adernamento-do-professor-besnard-em-santos-reforca-necessidade-de-protocolos-rigidos-de-esg-e-gestao-de-riscos-ambientais/md"
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O adernamento do navio científico Professor Besnard no cais do Valongo, ocorrido em 14 de março, mobilizou a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a Capitania dos Portos para conter riscos estruturais e de navegação. O incidente com a embarcação histórica não representa apenas uma falha técnica isolada, mas um alerta severo sobre a gestão de ativos inativos em áreas portuárias e a urgência de uma governança fundamentada em ESG (Environmental, Social, and Governance). A necessidade de protocolos rígidos de resposta e manutenção preventiva torna-se evidente diante da vulnerabilidade que tais embarcações impõem ao ecossistema portuário.

## Governança de riscos e passivos navais

A situação do Professor Besnard remete a debates fundamentais sobre a responsabilidade das autoridades e proprietários de embarcações em fim de vida útil. Conforme analisado por Thiago Santos, da Unimar, em participação no Portcast, a ausência de uma política clara de descarte e manutenção de navios obsoletos compromete a segurança operacional e a integridade do Porto de Santos. O cenário atual exige que a gestão portuária vá além da operação de carga, integrando a zeladoria de ativos que, embora fora de serviço, permanecem como passivos ambientais latentes.

Incidentes similares registrados no Rio de Janeiro e desastres recentes na Turquia demonstram que a negligência com o monitoramento de cascos e amarrações gera custos vultosos e riscos iminentes de poluição hídrica. A aplicação prática do ESG no setor marítimo deve contemplar o ciclo de vida completo das embarcações, garantindo que a desativação não resulte em abandono. A governança corporativa e pública precisa estabelecer mecanismos financeiros e técnicos que assegurem o desmonte ou a preservação adequada, evitando que o patrimônio histórico ou industrial se torne um entrave logístico.

## Ações técnicas e segurança da navegação

A APS informou que iniciou procedimentos técnicos para avaliar as condições da embarcação e definir seu destino final, priorizando a segurança do tráfego no canal. A Capitania dos Portos, por sua vez, instaurou um inquérito administrativo para apurar as causas do adernamento, enquanto equipes especializadas reforçaram as amarrações do navio para evitar que ele se torne um obstáculo à navegação comercial. Essas medidas, embora eficazes no curto prazo, ressaltam a reatividade do sistema diante de problemas previsíveis.

Para profissionais do setor e gestores de logística, o episódio reforça a importância de planos de contingência robustos e da análise de riscos baseada em dados reais de integridade estrutural. A segurança da navegação em um porto do porte de Santos não pode estar sujeita à sorte de ativos estáticos. É fundamental que as vistorias técnicas sejam periódicas e que existam sanções ou protocolos de remoção compulsória para navios que apresentem risco iminente de colapso, protegendo assim a continuidade das operações no principal complexo portuário da América Latina.

## Perspectiva de evolução e mitigação de danos

É imperativo que o setor portuário brasileiro extraia lições duradouras deste evento, combatendo a tendência histórica de postergar soluções para passivos ambientais conhecidos. O Brasil frequentemente enfrenta dificuldades em antecipar crises de gestão, agindo muitas vezes apenas quando o dano já é visível e de difícil reversão. A recorrência de casos de embarcações abandonadas que acabam por afundar ou adernar demonstra que a lacuna regulatória e fiscalizatória precisa ser preenchida com urgência para proteger a economia e o meio ambiente.

Contudo, a pronta resposta da APS e o rigor técnico demonstrado pela Capitania dos Portos indicam que, apesar dos obstáculos burocráticos, há uma maturidade crescente na gestão de crises no país. O crescimento e a modernização dos portos nacionais passam, obrigatoriamente, pela profissionalização da gestão de riscos. Mesmo diante de incidentes que expõem falhas antigas, a evolução dos protocolos de ESG sinaliza que o setor está caminhando para um patamar de maior responsabilidade e eficiência operacional, transformando erros passados em base para uma logística mais sustentável.

