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title: "Modernização portuária catarinense e salvaguarda do patrimônio naval em Santos convergem para novo ciclo"
author: "Redação"
date: "2026-03-16 11:18:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/03/16/modernizacao-portuaria-catarinense-e-salvaguarda-do-patrimonio-naval-em-santos-convergem-para-novo-ciclo/md"
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# O futuro da infraestrutura náutica e a gestão do patrimônio marítimo

No dia 14 de março de 2026, o cenário portuário brasileiro registrou dois movimentos distintos que, embora geograficamente distantes, convergem para a discussão sobre a modernização e a identidade do setor náutico nacional. Enquanto o Instituto Mais Itajaí apresentou ao Ministério dos Portos um projeto de R$ 300 milhões para um mega terminal de cruzeiros desenvolvido pela consultoria global WSP, a Autoridade Portuária de Santos (APS) iniciou avaliações técnicas de emergência no navio histórico Professor Besnard após seu adernamento no cais do Valongo. Ambos os casos evidenciam a necessidade de uma gestão que equilibre o investimento em novas infraestruturas com a preservação de ativos que contam a história da ciência e navegação no país.

## O salto qualitativo em Santa Catarina

O projeto catarinense prevê uma estrutura de 20 mil metros quadrados com o objetivo de transformar Itajaí em um hub logístico e turístico de padrão internacional. A consultoria WSP aplicou parâmetros globais de engenharia para assegurar que o terminal comporte transatlânticos de grande porte, elevando o nível de competitividade da região frente a outros destinos sul-americanos. Esta iniciativa não apenas fomenta a economia local, mas estabelece um novo paradigma para a recepção de passageiros, integrando a operação portuária com o desenvolvimento urbano.

Empresários locais que compõem o Instituto Mais Itajaí entregaram a proposta diretamente ao Governo Federal, buscando acelerar os trâmites burocráticos para o início das obras. A implementação deste terminal é vista como uma solução estratégica para a saturação de outros terminais na costa brasileira, oferecendo uma logística mais fluida e tecnologicamente avançada. A integração entre o setor público e privado neste projeto reforça a maturidade institucional que o estado de Santa Catarina tem demonstrado na gestão de seus ativos portuários.

## A lição técnica do Professor Besnard

Em contrapartida, o incidente com o navio Professor Besnard em Santos serve como um alerta rigoroso sobre a gestão de patrimônios navais inativos. Após a embarcação sofrer avarias e adernar em 14 de março, a Capitania dos Portos instaurou um inquérito administrativo para apurar as responsabilidades e mitigar riscos ao tráfego no canal de navegação santista. As equipes técnicas da APS intensificaram as amarrações do navio, uma manobra necessária para evitar que o adensamento estrutural comprometa a segurança das operações comerciais adjacentes.

A situação do Besnard, uma embarcação que foi fundamental para a pesquisa oceanográfica brasileira e para a presença do país na Antártida, expõe a fragilidade da manutenção de ativos históricos em ambientes portuários operacionais. A avaliação técnica que a APS realiza agora determinará se há viabilidade de recuperação ou se a embarcação chegou ao fim de seu ciclo de vida útil de forma definitiva. Este cenário exige uma reflexão profunda sobre como as autoridades portuárias lidam com o passivo histórico, garantindo que o legado acadêmico não se transforme em um risco logístico.

## Sinergia entre inovação e história

O desenvolvimento de um setor portuário robusto exige que a modernidade dos novos terminais, como o de Itajaí, coexista com uma estratégia eficiente de preservação ou descarte de embarcações antigas. O turismo náutico não se sustenta apenas com concreto e tecnologia, mas também com a cultura marítima que navios como o Professor Besnard representam. A coordenação entre o Ministério dos Portos e as autoridades locais deve contemplar planos diretores que incluam zonas de preservação histórica devidamente mantidas, evitando episódios de emergência que oneram as administrações portuárias.

A transição para um modelo de porto inteligente envolve, necessariamente, o monitoramento constante de todas as estruturas presentes no espelho d'água. Enquanto Itajaí foca em sistemas de gestão de fluxo de passageiros e infraestrutura resiliente, Santos enfrenta o desafio técnico de estabilizar uma estrutura de aço com décadas de história. O sucesso da logística brasileira depende dessa capacidade de gerir o novo sem negligenciar o que já foi construído, transformando gargalos técnicos em oportunidades de revitalização urbana e turística.

## Caminhos para a consolidação portuária

A coexistência entre o mega terminal de Itajaí e a gestão de crises no Porto de Santos demonstra a complexidade do ambiente marítimo nacional. O avanço para patamares globais de eficiência requer investimentos contínuos em infraestrutura de ponta, mas também demanda uma maturidade administrativa para lidar com o patrimônio histórico de forma proativa. O setor demonstra fôlego e capacidade de atrair capital internacional, o que é fundamental para a consolidação do Brasil como uma potência náutica.

Mesmo diante de desafios estruturais e incidentes técnicos, o setor portuário brasileiro apresenta sinais claros de evolução e crescimento contínuo. A articulação entre empresários, governo e especialistas técnicos sinaliza que o país caminha para um modelo de gestão mais profissionalizado e atento às demandas do mercado global, provando que é possível superar obstáculos históricos com planejamento e inovação constante.

