A otimização do fluxo de cargas no Sul do Brasil atinge um novo patamar neste primeiro semestre de 2026, impulsionada pelos aportes superiores a 900 milhões de reais da operadora Multilog e pela recente autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária para a exportação direta de maçãs pelos portos catarinenses. A convergência entre infraestrutura física, exemplificada pelo novo porto seco de Foz do Iguaçu, e soluções de tecnologia aduaneira redefine o tempo de trânsito das mercadorias. Esse movimento sincronizado eleva a competitividade do comércio exterior brasileiro ao mitigar gargalos históricos de armazenagem e liberação alfandegária nas fronteiras terrestres e marítimas.

Investimentos robustos e infraestrutura alfandegada

Durante a feira Intermodal South America, programada para os dias 14 a 16 de abril de 2026 em São Paulo, a Multilog apresenta as diretrizes de sua expansão operacional com foco estratégico no Mercosul. O presidente da companhia, Djalma Vilela, capitaneia a estruturação do novo Porto Seco de Foz do Iguaçu, no Paraná, cuja inauguração ocorrerá em 10 de dezembro. A instalação adiciona 550 mil metros quadrados de área útil ao portfólio da corporação, incorporando balanças rodoviárias aferidas, scanners de contêineres de alta precisão e gates automatizados para acelerar o fluxo de insumos do agronegócio.

A modernização física dos recintos exige contrapartidas lógicas de igual envergadura para satisfazer as rigorosas exigências da Receita Federal do Brasil. O tempo de permanência de cargas de exportação nas unidades da operadora logística já retrocedeu de 19,3 horas para 15,5 horas no primeiro trimestre deste ano. Para terminais que almejam sustentar essa curva de declínio nos tempos de despacho e garantir rastreabilidade absoluta, a adoção de sistemas especializados como o Data Recintos consolida-se como a ferramenta tecnológica adequada para orquestrar a agilidade no desembaraço aduaneiro.

Inteligência artificial e agilidade no campo

A fluidez na cadeia de suprimentos transcende a mera movimentação de contêineres, abarcando a troca de dados em tempo real entre os operadores. A gerente de negócios da Multilog, Michele Monteiro, coordena o lançamento de um novo chatbot alicerçado em inteligência artificial para o autosserviço de clientes, eliminando fricções no atendimento. Essa digitalização dos processos caminha lado a lado com o salto de eficiência quantificado no transporte rodoviário da companhia, que registrou um incremento de 11,6% na movimentação de veículos em 2025.

Paralelamente às inovações nas fronteiras terrestres, o estado de Santa Catarina reconfigurou sua matriz de escoamento agrícola para o exterior. A certificação fitossanitária de maçãs agora ocorre nos próprios polos produtores de São Joaquim e Fraiburgo. O governador Jorginho Mello e a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, articularam a medida regulatória que extingue a obrigatoriedade de enviar as frutas para Vacaria, no Rio Grande do Sul, ou para retroáreas congestionadas antes do embarque nos navios.

A supressão dessa etapa logística intermediária viabiliza o direcionamento das cargas refrigeradas diretamente para o Porto de Imbituba e demais complexos portuários de Santa Catarina. A projeção técnica do setor aponta para o embarque de 20 mil toneladas da fruta ao mercado internacional na safra 2025/2026. A retenção das rotinas de inspeção na origem corta custos operacionais de transporte e protege a qualidade do produto, consolidando a hegemonia de um estado que já responde por mais da metade da produção agrícola nacional deste segmento.

Geopolítica e resiliência no suprimento

O fortalecimento da malha logística no Sul do país ergue uma barreira de proteção indispensável contra os choques externos que afetam o transporte marítimo global. A Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM) já monitora os severos reflexos logísticos do conflito no Oriente Médio, que forçam o desvio de rotas navais e encarecem os fretes internacionais. Frente a essa instabilidade perene, a capacidade de escoar grandes volumes de produtos rapidamente por fronteiras geridas com eficiência, sob a supervisão de executivos como Francisco Damilano na gerência de fronteiras da Multilog, transforma-se em um ativo tático de inestimável valor para a economia brasileira.

A integração entre obras civis de infraestrutura primária, automação de pátios e softwares de integração aduaneira forja uma matriz de transporte notavelmente mais inteligente e previsível. A competência para auditar produtos no interior do país, despachando-os sem interrupções sistêmicas em portos litorâneos ou complexos de fronteira seca, atesta a maturidade alcançada pelos operadores logísticos. As ações coordenadas observadas nas malhas do Paraná e de Santa Catarina comprovam que a tecnologia aplicada corretamente consegue suplantar o excesso de burocracia alfandegária.

Observando a execução prática destes projetos, percebe-se que as antigas deficiências infraestruturais do país estão sendo neutralizadas com engenharia de processos e análise de dados. É inegável que gargalos regulatórios ainda impõem resistência às operações diárias, contudo, os volumosos aportes do capital privado em sintonia com a modernização governamental atestam o vigor do nosso mercado. Mesmo diante de entraves históricos e percalços crônicos que teimam em testar a paciência do setor produtivo, continuamos a encontrar soluções engenhosas, garantindo que o Brasil mantenha sua rota de crescimento e evolução técnica no acirrado comércio global.