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title: "Porto de Paranaguá estabelece metas de emissão zero até 2050 com eletrificação de frotas"
author: "Redação"
date: "2026-04-30 14:35:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/04/30/porto-de-paranagua-estabelece-metas-de-emissao-zero-ate-2050-com-eletrificacao-de-frotas/md"
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No dia 11 de março de 2026, a Portos do Paraná reuniu a comunidade portuária no Palácio Taguaré para apresentar seu Plano de Descarbonização. A meta é atingir a neutralidade de emissões de gases de efeito estufa até 2050, em conformidade com as exigências da Organização Marítima Internacional (IMO). A elaboração do documento foi conduzida pela instituição espanhola Fundación Valenciaport e estabelece diretrizes técnicas para mitigar a poluição gerada pelas operações marítimas e terrestres.

## O peso do Escopo 3 no inventário

Para desenhar a intervenção técnica, os projetistas partiram dos dados de 2023, compilados no inventário concluído no primeiro semestre de 2025. O complexo registrou 678 mil toneladas de CO2 equivalente. O número que guia a análise é a concentração das emissões: o chamado Escopo 3 domina com 97,1% do total, e dentro dessa fatia, 89,2% vêm exclusivamente dos motores dos navios atracados ou manobrando no canal. As emissões diretas da administração pública, categorizadas como Escopo 1 e 2, somam menos de 3%.

Isso indica que a autarquia detém pouco controle primário sobre o volume principal de fumaça gerada no complexo. A mudança viável é a implantação do cold ironing, a eletrificação do cais que fornece energia da rede terrestre para que as embarcações desliguem os motores auxiliares movidos a combustível fóssil. Esse desenho de engenharia avança em outras regiões geográficas do país, pois [projetos similares com a Fundación Valenciaport também ganharam cronogramas no Ceará e em Santos](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/03/14/portos-do-parana-e-fortaleza-estabelecem-cronogramas-para-neutralizar-emissoes-de-carbono-ate-2050).

## Atores privados puxam a transição

O documento demanda a participação financeira dos arrendatários privados. Durante a apresentação, a Catallini Terminais detalhou seu próprio inventário, mantido sob supervisão de Gabriella Leal desde 2021, enquanto a Cotriguaçu consolidou seus números pela gestão da analista Simone Czarnobai. A alteração da matriz de transporte interno começou na prática com os caminhões movidos a GNV testados pelo Grupo Borelli e o maquinário elétrico operacionalizado pela Linck Máquinas.

Josep Sanz, diretor de Transição Energética da Fundación Valenciaport, explicou aos operadores que a substituição progressiva dessa frota rodoviária é a segunda alavanca operacional do plano. A estratégia tenta equiparar o terminal paranaense aos portos europeus. O memorando mantido desde 2023 com o Porto de Rotterdam, via Green Ports Partnership, serve como base de conhecimento técnico. Observamos de perto que [avanços em Roterdã ajudam a moldar a adoção de matrizes limpas por aqui](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/04/16/avancos-em-roterda-e-no-brasil-consolidam-a-nova-era-dos-portos-sustentaveis).

## Pilares da descarbonização paranaense

O gerente de Meio Ambiente, Thales Trevisan, e o diretor João Paulo Santana coordenam a execução técnica. A rotina foca em aprimorar a coleta de dados de consumo de combustível junto às agências marítimas e iniciar as obras físicas para suportar a carga elétrica extra. Para efeito comparativo com as operações internacionais, o plano está ancorado nos seguintes pontos de controle.

Pilar EstratégicoAção PráticaInventário ContínuoAuditorias anuais com segregação de Escopo 1, 2 e 3 e mapeamento por embarcação.Metas de Curto PrazoSubstituição de veículos operacionais a diesel por equipamentos elétricos ou a gás natural.Tecnologias de MitigaçãoEstudos de engenharia para fornecimento de energia elétrica (cold ironing) nos berços de atracação.As dificuldades na execução de obras complexas no Brasil, como os entraves em dragagens e ferrovias, pesam contra a agilidade desse processo. A transição elétrica esbarra no custo elevado do megawatt-hora local e nas negociações para padronizar as conexões dos navios internacionais. O porto tem o papel de convencer os armadores a adaptar suas frotas físicas para atracar no Paraná utilizando energia de terra.

A certificação EcoPorts retida pela administração pública prova que as metodologias de gestão estão amadurecendo internamente. Mesmo lidando com a alta burocracia e custos operacionais expressivos, a nossa estrutura logística consegue evoluir e incorporar padrões ambientais que o mercado exterior exige. O cronograma continua nos próximos meses com a equipe de Vader Zuliane Braga monitorando os novos indicadores da frota, transferindo o planejamento do papel para a operação diária nas balanças e pátios.

