A COFCO International assinou no dia 2 de fevereiro de 2025 um acordo com as compradoras chinesas Mengniu e Sheng Mu para exportar 1,5 milhão de toneladas de soja certificada livre de desmatamento a partir do Porto de Santos. A transação insere a cadeia logística nacional na exigência asiática por rastreabilidade e encerra a fase de testes que movimentou 50 mil toneladas da oleaginosa em 2024. A parceria dialoga diretamente com a estratégia de sustentabilidade da Autoridade Portuária, que já aplica incentivos tarifários a operações limpas, e prepara o cais para a inauguração do novo terminal agrícola da companhia no fim deste ano.

O peso do novo terminal nas rotas logísticas

O CEO da COFCO International, Luiz Noto, condiciona o salto nas exportações rastreadas à conclusão das obras de infraestrutura iniciadas em agosto de 2023. Quando atingir a capacidade plena de operação em 2026, a instalação portuária vai movimentar 14 milhões de toneladas anuais de granéis sólidos vegetais. O volume transforma este ativo no maior complexo de exportação da estatal chinesa fora de seu país de origem e exige uma reconfiguração do fluxo de ferrovias e caminhões na Baixada Santista.

A transição de um lote piloto para 1,5 milhão de toneladas demanda adaptações severas na cadeia de suprimentos. As tradings do agronegócio precisam comprovar por sistemas de monitoramento geoespacial que o grão não tem origem em áreas desmatadas recentemente. A participação de integrantes da Tropical Forest Alliance, organização vinculada ao Fórum Econômico Mundial, nas rodadas de negociação comprova que os compradores orientais abandonaram a flexibilidade contratual e passaram a adotar os mesmos critérios de compliance ambiental aplicados pelo mercado europeu.

Contrapartidas físicas e integração porto-cidade

O projeto logístico chinês ultrapassa os limites da área alfandegada. A COFCO Brasil International, por intermédio da operadora Trimmc, formalizou um repasse de R$ 15 milhões em investimentos diretos na infraestrutura urbana santista. O secretário de Assuntos Portuários de Santos, Bruno Orlandi, destinou a verba para financiar a revitalização dos armazéns no Parque Valongo, uma área de 10 mil metros quadrados que receberá novas plataformas de atracação para 14 embarcações e espaços de uso público.

A destinação de recursos privados para a compensação urbana segue um modelo de licenciamento exigido pelo poder público para grandes obras logísticas. O repasse acompanha o recente movimento da Autoridade Portuária de Santos, que ingressou na International Association of Ports and Harbors para alinhar suas práticas operacionais aos padrões globais de governança. Investir na relação amigável entre o complexo marítimo e a cidade tornou-se um pré-requisito técnico para a aprovação e manutenção das licenças ambientais federais.

Parte das exigências para certificar essa logística como verde inclui a adoção de tecnologias de aferição e transparência de dados, processos amplamente discutidos no setor e analisados em detalhes no Canal Tecnologia Portuária (https://www.youtube.com/@tecnologia.portuaria). Engenheiros e gestores logísticos utilizam esses parâmetros técnicos para projetar a necessidade de automação nos silos do novo terminal e calcular a redução de emissões dos navios graneleiros na rota Brasil-China.

O teste da infraestrutura nacional

O salto operacional proposto pela COFCO vai testar o limite da logística de retaguarda brasileira. O país historicamente enfrenta estrangulamentos graves nas ferrovias de carga e nos acessos rodoviários ao porto paulista durante o pico das safras. Garantir a integridade verde de 1,5 milhão de toneladas exige não apenas um cais modernizado com alta cadência de embarque, mas pátios de triagem automatizados e vias de escoamento eficientes que impeçam o consumo excessivo de diesel nas estradas, o que anularia o ganho ambiental da operação.

Apesar de o país ainda repetir erros conhecidos no planejamento do acesso terrestre aos terminais e acumular gargalos rodoviários, a materialização de uma estrutura projetada para 14 milhões de toneladas anuais atesta que o setor portuário brasileiro consegue atrair capital de longo prazo e evoluir tecnologicamente. A adaptação da cadeia nacional às demandas de sustentabilidade asiáticas se consolida com a operação comercial plena do terminal, programada para despachar a primeira grande remessa dessa cota em 2026.