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title: "Acordo em Santos estabelece nova meta de exportação sustentável de soja para a China"
author: "Redação"
date: "2026-05-09 07:52:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/05/09/acordo-em-santos-estabelece-nova-meta-de-exportacao-sustentavel-de-soja-para-a-china/md"
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A COFCO International assinou no dia 2 de fevereiro de 2025 um acordo com as compradoras chinesas Mengniu e Sheng Mu para exportar 1,5 milhão de toneladas de soja certificada livre de desmatamento a partir do Porto de Santos. A transação insere a cadeia logística nacional na exigência asiática por rastreabilidade e encerra a fase de testes que movimentou 50 mil toneladas da oleaginosa em 2024. A parceria dialoga diretamente com a estratégia de sustentabilidade da [Autoridade Portuária, que já aplica incentivos tarifários a operações limpas](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/03/11/porto-de-santos-amplia-incentivos-tarifarios-para-impulsionar-a-descarbonizacao-maritima), e prepara o cais para a inauguração do novo terminal agrícola da companhia no fim deste ano.

## O peso do novo terminal nas rotas logísticas

O CEO da COFCO International, Luiz Noto, condiciona o salto nas exportações rastreadas à conclusão das obras de infraestrutura iniciadas em agosto de 2023. Quando atingir a capacidade plena de operação em 2026, a instalação portuária vai movimentar 14 milhões de toneladas anuais de granéis sólidos vegetais. O volume transforma este ativo no maior complexo de exportação da estatal chinesa fora de seu país de origem e exige uma reconfiguração do fluxo de ferrovias e caminhões na Baixada Santista.

A transição de um lote piloto para 1,5 milhão de toneladas demanda adaptações severas na cadeia de suprimentos. As tradings do agronegócio precisam comprovar por sistemas de monitoramento geoespacial que o grão não tem origem em áreas desmatadas recentemente. A participação de integrantes da Tropical Forest Alliance, organização vinculada ao Fórum Econômico Mundial, nas rodadas de negociação comprova que os compradores orientais abandonaram a flexibilidade contratual e passaram a adotar os mesmos critérios de compliance ambiental aplicados pelo mercado europeu.

## Contrapartidas físicas e integração porto-cidade

O projeto logístico chinês ultrapassa os limites da área alfandegada. A COFCO Brasil International, por intermédio da operadora Trimmc, formalizou um repasse de R$ 15 milhões em investimentos diretos na infraestrutura urbana santista. O secretário de Assuntos Portuários de Santos, Bruno Orlandi, destinou a verba para financiar a revitalização dos armazéns no Parque Valongo, uma área de 10 mil metros quadrados que receberá novas plataformas de atracação para 14 embarcações e espaços de uso público.

A destinação de recursos privados para a compensação urbana segue um modelo de licenciamento exigido pelo poder público para grandes obras logísticas. O repasse acompanha o recente movimento da [Autoridade Portuária de Santos, que ingressou na International Association of Ports and Harbors](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/03/31/santos-port-authority-ingressa-na-iaph-para-acelerar-inovacao-e-sustentabilidade-global) para alinhar suas práticas operacionais aos padrões globais de governança. Investir na relação amigável entre o complexo marítimo e a cidade tornou-se um pré-requisito técnico para a aprovação e manutenção das licenças ambientais federais.

Parte das exigências para certificar essa logística como verde inclui a adoção de tecnologias de aferição e transparência de dados, processos amplamente discutidos no setor e analisados em detalhes no Canal Tecnologia Portuária (https://www.youtube.com/@tecnologia.portuaria). Engenheiros e gestores logísticos utilizam esses parâmetros técnicos para projetar a necessidade de automação nos silos do novo terminal e calcular a redução de emissões dos navios graneleiros na rota Brasil-China.

## O teste da infraestrutura nacional

O salto operacional proposto pela COFCO vai testar o limite da logística de retaguarda brasileira. O país historicamente enfrenta estrangulamentos graves nas ferrovias de carga e nos acessos rodoviários ao porto paulista durante o pico das safras. Garantir a integridade verde de 1,5 milhão de toneladas exige não apenas um cais modernizado com alta cadência de embarque, mas pátios de triagem automatizados e vias de escoamento eficientes que impeçam o consumo excessivo de diesel nas estradas, o que anularia o ganho ambiental da operação.

Apesar de o país ainda repetir erros conhecidos no planejamento do acesso terrestre aos terminais e acumular gargalos rodoviários, a materialização de uma estrutura projetada para 14 milhões de toneladas anuais atesta que o setor portuário brasileiro consegue atrair capital de longo prazo e evoluir tecnologicamente. A adaptação da cadeia nacional às demandas de sustentabilidade asiáticas se consolida com a operação comercial plena do terminal, programada para despachar a primeira grande remessa dessa cota em 2026.

