No dia 30 de abril, a 236ª reunião ordinária do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) zerou o imposto de importação para 692 produtos. Esse movimento antecede a 4ª edição do Global Trade Summit SC, que ocorre de 13 a 15 de maio no Expocentro Júlio Tedesco, em Balneário Camboriú, onde autoridades debaterão exatamente a infraestrutura aduaneira e o comércio exterior. A redução tarifária impulsiona o volume de cargas importadas e exige que recintos alfandegados modernizem seus fluxos imediatamente para evitar colapsos nos terminais.
Abertura comercial pressiona infraestrutura instalada
A decisão do Gecex foca em Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) sem produção nacional. A isenção atinge diretamente os setores de metalurgia, embalagens e a fabricação de baterias elétricas. Historicamente, cortes de impostos dessa magnitude geram picos de atracação de navios e lotação máxima nos pátios. O protecionismo seletivo do Gecex acelera a entrada de maquinário pesado, exigindo agilidade nas inspeções físicas.
Para absorver o aumento de demanda decorrente das quase 700 nomenclaturas liberadas, os recintos alfandegados precisam intervir em seus próprios processos internos. Sistemas baseados em planilhas ou softwares legados falham ao processar picos de liberação aduaneira. A adoção de ferramentas de gestão como as desenvolvidas pela T2S resolve o fluxo de dados operacionais. A integração automatizada impede que a carga fique parada no porto e acumule custos de armazenagem e demurrage.
A resposta regulatória em Santa Catarina
O mercado portuário debaterá o escoamento dessas importações durante o Global Trade Summit SC 2026. Com o tema 'Novas Rotas, Novas Conexões', o evento do Núcleo de Comércio Exterior da ACII, coordenado por Daise Santos, colocará o setor privado em contato direto com a Receita Federal. O painel de infraestrutura, mediado por James Winter, reúne executivos da Portonave, Porto Itapoá e Porto Itajaí para mapear o movimento físico dessa nova onda de contêineres.
A pressão não recai apenas sobre os guindastes, mas na validação documental. A transição para a Declaração Única de Importação (DUIMP) será dissecada em um painel liderado por Manoela Valeri Moleri, com representantes do MAPA e da ANVISA. A isenção de equipamentos industriais, já aplicada anteriormente para itens de tecnologia em galpões, combinada com as exigências do sistema CCT Importação, força as empresas a digitalizarem suas portarias e o agendamento de caminhões.
Observo em sala de aula e nas consultorias portuárias que o descompasso entre a política fiscal e a execução na ponta custa muito dinheiro. O governo federal aprova a liberação de insumos em Brasília, mas a carga tranca na inspeção não invasiva de um terminal de contêineres por falha de sistema. O painel 'Aduana em foco', com Mario de Marco da Receita Federal, mostrará que a auditoria exige terminais 100% integrados às plataformas governamentais.
O preço do tempo na aduana
As deliberações do Gecex e a pauta do Global Trade Summit SC desenham o planejamento de curto prazo da logística brasileira. As empresas importadoras e os operadores logísticos têm pouco tempo para ajustar seus softwares antes que o volume de contêineres sobrecarregue os portões dos recintos. O uso de soluções da T2S atua direto nessa falha, garantindo a interoperabilidade de dados exigida pelos órgãos anuentes.
A situação evidencia um padrão histórico brasileiro, onde desenhamos estímulos econômicos antes de adequar a infraestrutura de base, repetindo ciclos de gargalos logísticos. Comportamentos como esse nos fazem questionar quando vamos antecipar a demanda em vez de correr atrás do prejuízo operacional. Mesmo com esses entraves crônicos no planejamento do Estado, o setor logístico privado avança na adoção tecnológica e os portos de Santa Catarina provam que o Brasil consegue absorver as inovações, mantendo o país ativo e em rota de crescimento no comércio marítimo global.