---
title: "Portonave investe R$ 61 milhões em frota elétrica e reduz emissões em 80%"
author: "Redação"
date: "2026-08-02 13:53:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/02/portonave-investe-r-61-milhoes-em-frota-eletrica-e-reduz-emissoes-em-80/md"
---

## Resumo
- A Portonave investiu R$ 61 milhões na compra de 30 Terminal Tractors elétricos (e-TTs) da Terberg e cinco Reach Stackers elétricas (e-RSs) da Kalmar.
- A aquisição faz parte de um plano de investimentos de R$ 2 bilhões do terminal, focado em modernização e transição energética.
- Com a nova frota, o terminal prevê reduzir as emissões de GEE em 80% na frota de Reach Stackers e 30% na frota de Terminal Tractors.
- As e-RSs da Kalmar possuem baterias de 800 kWh, 50% mais potentes que o modelo anterior, e a entrega deve ocorrer até o final de 2026.
- Para suportar a operação elétrica, a Portonave construirá um eletrocentro com nove carregadores e capacitará suas equipes operacionais.
- A operação do terminal, líder em produtividade no país, deve expandir sua capacidade de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs com os investimentos totais.

---

A **Portonave**, primeiro terminal portuário privado de contêineres do Brasil, concluiu a compra de **30 Terminal Tractors elétricos (e-TTs)** da fabricante holandesa **Terberg**, produzidos na Malásia, e **cinco Reach Stackers elétricas (e-RSs)** da finlandesa **Kalmar**, fabricadas na China. O investimento de aproximadamente **R$ 61 milhões** marca um avanço concreto na transição energética do terminal de Navegantes (SC), com os equipamentos movimentando contêineres no pátio e substituindo parcialmente a frota movida a diesel. O início das operações de todas as novas máquinas está previsto para **janeiro de 2027**.

## O cálculo da descarbonização operacional

A substituição da frota diesel por equipamentos elétricos traduz-se em números expressivos de redução de emissões. A Portonave estima que a adoção das novas **e-RSs** reduzirá as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em **80%** especificamente nessa frota. Para os **e-TTs**, a queda projetada é de **30%**, um impacto direto na pegada de carbono das operações de pátio do terminal catarinense.

Com a chegada das 30 novas unidades da **Terberg**, a frota total de **Terminal Tractors** passará a contar com **61 unidades**, das quais **31 serão elétricas** e **30 a diesel**. A frota de **Reach Stackers** será ainda mais eletrificada, atingindo seis máquinas elétricas contra apenas uma unidade a diesel. Essa estratégia de transição gradual demonstra que a eletrificação de equipamentos pesados em portos já é uma realidade operacional viável economicamente, indo além de projetos-piloto isolados.

## Potência e eficiência nas novas baterias

A escolha da **Kalmar** para fornecer as **Reach Stackers** seguiu critérios rigorosos de desempenho. Segundo **Juliano Adão**, gerente de manutenção da Portonave, a equipe visitou a fábrica da Kalmar na China para avaliar a montagem dos equipamentos e concluiu que as soluções da fabricante demonstraram velocidade e eficiência superiores em testes comparativos. As novas **e-RSs** chegam equipadas com baterias de **800 kWh**, uma capacidade **50% superior** à da **Reach Stacker** já em operação no terminal, que possui **533 kWh**.

**Marcelo Macedo Gonçalves**, vice-presidente da **Kalmar** para a América Latina, afirmou que o pedido reflete a posição da Portonave como um dos terminais mais inovadores e focados em sustentabilidade da região. O registro do contrato ocorreu no segundo trimestre de 2026, com entrega programada para o quarto trimestre do mesmo ano, garantindo a operação plena até a data limite de janeiro de 2027.

## Infraestrutura de suporte e capacitação

A eletrificação da frota exige uma revisão completa na infraestrutura de abastecimento. Para viabilizar o carregamento das máquinas, a **Portonave** vai erguer um **eletrocentro com nove carregadores** dedicados a equipamentos elétricos. Além da estrutura física, a operação de máquinas elétricas requer gestão diferente, principalmente no uso e otimização das baterias. Por isso, a empresa iniciará um programa de capacitação da equipe operacional para garantir a eficiência máxima das novas unidades.

Os equipamentos também agregam tecnologia voltada à segurança operacional. Todos contam com cabines ergonômicas, câmeras de monitoramento de perímetro, sistemas anticolisão e sistema automático de supressão de incêndio — itens que já se tornam padrão em modernos equipamentos de pátio de terminais de contêineres de alta performance.

## O macro plano de investimentos

Este aporte de **R$ 61 milhões** integra um ambicioso plano de **R$ 2 bilhões** que a **Portonave** executa para ampliar sua capacidade de **1,5 milhão de TEUs** para **2 milhões de TEUs**. Em 2025, o terminal já havia recebido seus primeiros equipamentos elétricos — uma **Reach Stacker** e dois **Scanners** de inspeção — e, em abril do mesmo ano, anunciou a compra de **R$ 439 milhões** em equipamentos 100% elétricos, incluindo guindastes **Ship-to-Shore (STS)** da **ZPMC** e **RTGs** da **Konecranes**.

O investimento foi realizado no âmbito do **regime tributário Reporto**, que isenta empresas portuárias do recolhimento de tributos federais como IPI, Imposto de Importação, PIS e Cofins-Importação na aquisição de equipamentos. A legislação, criada em 2004, permite que o terminal direcione recursos poupados em impostos para modernização tecnológica e ampliação de capacidade.

Além da eletrificação de equipamentos de pátio, o pacote de investimentos inclui a **Obra de Adequação do Cais**, que permitirá a atracação de navios com até **400 metros de comprimento** e **calado de 17 metros**. A **Portonave**, que movimentou **1,1 milhão de TEUs** em 2025 e mantém média de **114 movimentos por hora (MPH)** — líder segundo a **ANTAQ** —, posiciona-se como referência nacional em descarbonização e eficiência operacional.

Ao assumir a liderança na eletrificação de equipamentos pesados, a **Portonave** prova que a transição energética no setor portuário brasileiro avança a passos largos. O terminal de Navegantes transforma o plano bilionário em realidade operacional, gerando um modelo replicável para outros polos logísticos do país que buscam conciliar crescimento de capacidade com redução de impacto ambiental.