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title: "Kalmar e APM Terminals aprofundam cooperação em automação de próxima geração"
author: "Redação"
date: "2026-08-04 15:00:00-03"
category: "Internacional"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/04/kalmar-e-apm-terminals-aprofundam-cooperacao-em-automacao-de-proxima-geracao/md"
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## Resumo
- Kalmar e APM Terminals firmaram parceria estratégica em 30 de julho de 2026 para co-desenvolver a plataforma de automação Kalmar One.
- A APM Terminals ganha acesso ao código-fonte do software, participando ativamente do desenvolvimento e alinhamento do roteiro de produto.
- O acordo inclui a criação de um modelo de negócios Automation as a Service, combinando software, equipamento e expertise operacional.
- O terminal Pier 400, em Los Angeles, já utiliza o Kalmar One para gerenciar equipamentos automatizados como straddle carriers.
- A parceria visa integrar a experiência operacional da APMT (60+ localizações globais) com a tecnologia da Kalmar para operações mais eficientes e seguras.
- A iniciativa sinaliza uma tendência de cooperação mais profunda na indústria, com modelo que pode reduzir barreiras de entrada para automação.
- As empresas já colaboraram em projetos anteriores nos terminais Pier 400 e Tanger Med.

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A **Kalmar** e a **APM Terminals** (APMT) anunciaram em 30 de julho de 2026 uma parceria estratégica para avançar na tecnologia de terminais de próxima geração, com foco em operações mais resilientes e seguras. O acordo, que vai além de uma simples fornecimento de equipamentos, posiciona as duas empresas para co-desenvolver e disseminar a plataforma de automação **Kalmar One** em terminais de contêineres globais, incluindo o já operacional **Pier 400** em Los Angeles, o maior do Hemisfério Ocidental. Esta cooperação sinaliza uma mudança no modelo de relacionamento entre operadores portuários e fabricantes, rumo a uma integração mais profunda de software, equipamentos e know-how operacional.

## O cerne da cooperação além do hardware

A parceria se estrutura em dois pilares principais. O primeiro é o desenvolvimento e a implantação conjunta do software Kalmar One, no qual a **APM Terminals** ganha acesso ao código-fonte e passa a colaborar ativamente no desenvolvimento e na implantação da solução em seus terminais existentes e futuros. Esse nível de acesso permite que a operadora adapte e otimize o sistema diretamente com base em suas necessidades operacionais do dia a dia. O segundo pilar consiste no alinhamento dos roteiros de produto, integrando a experiência operacional e tecnológica da APMT ao desenvolvimento futuro do Kalmar One, garantindo que as atualizações reflitam demandas reais de terminais de alto desempenho.

Um componente central do acordo é a criação de uma abordagem de **Automation as a Service**. Este modelo comercial combina software, equipamentos e expertise operacional em uma estrutura baseada em serviços, em vez da compra tradicional de licenças e equipamentos avulsos. Segundo **Hans Jacobs**, chefe de Tecnologia Operacional e Analítica da APMT, a parceria "reflete nosso compromisso em moldar a próxima geração de tecnologia de terminais através de uma colaboração mais próxima". Ao combinar as capacidades de equipamento e software da Kalmar com a expertise operacional da APMT, o objetivo é "co-desenvolver soluções de automação integradas que sejam mais seguras, transparentes, adaptáveis e alinhadas com necessidades operacionais reais".

## Kalmar One em ação no Pier 400 de Los Angeles

A prova de conceito e o principal campo de testes para essa colaboração é o terminal **Pier 400** da APM Terminals em Los Angeles, Califórnia. Com uma área de **507 acres**, é a maior instalação portuária de contêineres das Américas. Lá, o sistema **Kalmar One** já gerencia e otimiza equipamentos automatizados de movimentação de contêineres, incluindo **straddle carriers** automatizados e sistemas de transporte horizontal. A implantação bem-sucedida nessa escala fornece dados operacionais valiosos que alimentam diretamente o ciclo de desenvolvimento conjunto do software.

A colaboração no Pier 400 não é novidade. As empresas já haviam trabalhado juntas em projetos de automação e eletrificação neste terminal e também no **Tanger Med**, no Marrocos. A parceria atual, no entanto, eleva essa cooperação a um patamar estrutural, transformando projetos pontuais em uma aliança de desenvolvimento de longo prazo. **Juuso Kanner**, vice-presidente de Automação da Kalmar, classificou a parceria como "um grande marco no desenvolvimento da automação de terminais de contêineres". A expectativa é que os benefícios gerados no Pier 400 possam ser replicados em outros terminais da rede global da APMT, que opera mais de **60 localizações em 35 países**, realizando **25,8 milhões de movimentos de contêineres** em 2025.

## Contexto industrial e escala das empresas envolvidas

A escala das duas empresas torna a parceria particularmente significativa para o setor. A **APM Terminals**, divisão do grupo **A.P. Moller-Maersk**, emprega cerca de **22.000 pessoas** e registrou **27.000 escalas de navios** em 2025. A **Kalmar**, por sua vez, listada na **Nasdaq Helsinki**, opera em mais de **120 países** com aproximadamente **5.300 funcionários** e vendas de cerca de **EUR 1,7 bilhão** em 2025. A junção da capacidade de implantação e operação global da APMT com a especialização em automação e software da Kalmar cria uma força de mercado capaz de definir novos padrões tecnológicos para o setor.

A tendência de automação portuária ganha força globalmente, com operadores buscando não apenas equipamentos isolados, mas plataformas integradas de gestão que otimizem a utilização de ativos, a segurança dos trabalhadores e a previsibilidade das operações. A parceria Kalmar-APMT se insere neste contexto, ao mesmo tempo em que outras iniciativas globais avançam. No Brasil, por exemplo, a digitalização dos processos de troca de dados entre terminais e autoridades, como a promovida por soluções de gestão documental, é outro vetor que busca ganhos de eficiência no setor portuário.

## Modelo Automation as a Service e desdobramentos

O modelo **Automation as a Service** proposto representa uma evolução nos modelos de negócio do setor. Em vez de grandes investimentos de capital (CAPEX) na compra de software e hardware, o modelo de serviço (OPEX) pode reduzir a barreira de entrada para terminais menores ou em fases iniciais de automação, ao mesmo tempo em que alinha os incentivos entre fornecedor e operador — o sucesso do sistema passa a ser de interesse mútuo. **Juuso Kanner** indicou que a parceria visa criar "valor compartilhado" através dessa abordagem, sugerindo que os retornos financeiros estão atrelados ao desempenho operacional alcançado.

Os próximos passos incluem a expansão da implantação do Kalmar One para outros terminais automatizados da **APM Terminals**, tanto existentes quanto prospectivos. A profundidade da integração — com a APMT participando do desenvolvimento do código-fonte — deve acelerar o ciclo de inovação e permitir respostas mais rápidas a desafios operacionais específicos. Para a indústria, esta cooperação pode servir como modelo para futuras alianças entre grandes operadores globais e fornecedores de tecnologia, acelerando a adoção de automação inteligente e resiliente nos portos mundiais.