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title: "Angola une sustentabilidade e digitalização para transformar portos"
author: "Redação"
date: "2026-08-05 11:54:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/05/angola-une-sustentabilidade-e-digitalizacao-para-transformar-portos/md"
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## Resumo
- A APANG promoveu a VI Mesa Redonda em Porto Amboim focada em sustentabilidade e digitalização, reunindo autoridades e operadores de Angola e parceiros internacionais.
- O Porto do Lobito apresentou projetos concretos de transição energética, incluindo a instalação de painéis solares em terminais e ações de reflorestamento no corredor logístico.
- A cooperação internacional foi destaque, com participação de especialistas de Moçambique e Cabo Verde, além de acordos com o Japão para o Porto de Águas Profundas do Amboim.
- Discussões técnicas abordaram os desafios da automação portuária, equilibrando ganhos de produtividade com a necessidade de preservação do emprego e qualificação profissional.
- A participação do setor privado, com empresas como a Secil Marítima, reforçou o alinhamento entre investimentos e a agenda de modernização e responsabilidade ambiental do país.

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A Associação dos Portos de Angola (APANG) reuniu especialistas, operadores e autoridades nos dias 30 e 31 de julho de 2026, em Porto Amboim, província do Cuanza Sul, para a sua VI Mesa Redonda. Sob o tema "Sustentabilidade e Digitalização Portuária", o evento de cariz internacional traçou um diagnóstico preciso da indústria portuária angolana e apontou rumos claros para a modernização do sistema, com ênfase na redução do impacto ambiental e na eficiência operacional.

## Cooperação africana como motor de inovação

A abertura oficial contou com a presença de figuras-chave do setor marítimo angolano. **Anisabel Veríssimo e Costa**, presidente do conselho de administração da Agência Marítima Nacional (AMN), destacou que a sustentabilidade e a digitalização representam um desafio incontornável, posicionando os portos como motores de inteligência económica e integração regional. A diretora enfatizou a necessidade de adotar inovação tecnológica e garantir a segurança dos dados como prioridades imediatas.

O encontro não se limitou ao diagnóstico interno, buscando soluções práticas através da cooperação Sul-Sul. Painelistas de destaque internacional, como **Énio Chingotuane**, de Moçambique, trouxeram a experiência africana para o debate, discutindo a problemática da sustentabilidade nos portos do continente. Igualmente, **Irineu Camacho**, presidente do conselho de administração da Empresa Nacional de Administração dos Portos (ENAPOR) de Cabo Verde, apresentou casos de sucesso concretos, provando que práticas sustentáveis são aplicáveis e rentáveis no contexto lusófono.

## O Porto do Lobito como laboratório de transição energética

Um dos momentos de maior substância técnica ocorreu com a intervenção do Porto do Lobito. O seu presidente, **Celso Rosas**, desvendou projetos específicos que vão além do discurso, mostrando uma transição energética em curso na infraestrutura logística do país. A aposta inclui a instalação de painéis solares tanto nos terminais marítimos quanto nas estações ferroviárias, visando uma redução direta nas emissões de carbono e nos custos operacionais.

Para além da geração de energia limpa, a administração do Lobito revelou planos robustos de mitigação ambiental, com foco no reflorestamento das margens ao longo de todo o Corredor do Lobito. Esta medida serve a um duplo propósito: garantir a segurança operacional da via férrea e assegurar a preservação da biodiversidade local. A entidade ainda utiliza a digitalização como ferramenta de gestão, tendo o seu diretor, **Emanuel Domingos**, integrado o painel sobre otimização das operações portuárias.

## Capacitação profissional e o fator humano

A estratégia de modernização em debate em Porto Amboim não se restringiu a máquinas e softwares; o capital humano foi tratado como peça central. O Porto do Lobito anunciou um esforço concentrado na formação de quadros nacionais, em parceria com operadores privados. O objetivo declarado é qualificar maquinistas, técnicos de manutenção e estivadores, aumentando a empregabilidade dos jovens nas províncias que integram o corredor logístico.

Esta preocupação com a formação foi ecoada pelas instituições presentes, incluindo a **Soalemag Business School**. A presença de entidades de ensino reforça a mensagem de que a digitalização portuária exige uma força de trabalho preparada para lidar com sistemas automatizados e gestão de dados complexos. A segurança cibernética e a proteção de informações foram sublinhadas como competências essenciais para o profissional do porto do futuro.

## O papel da indústria privada e a cooperação com o Japão

A maturidade do debate foi evidenciada pela participação ativa do setor privado, representado por gigantes como a **Secil Marítima**, que enviou seu presidente, **João Martins**, e a **Multiterminais**. Essa integração entre o poder público e os operadores privados demonstra uma compreensão madura de que as reformas estruturais necessitam de investimento conjuntos e alinhamento de expectativas.

Uma perspectiva de investimento de longo prazo foi introduzida pelo presidente da APANG, **Manuel Nazareth Neto**. Ele contextualizou o evento como um momento auspicioso, impulsionado por acordos de cooperação técnica com o Japão para o desenvolvimento do Porto de Águas Profundas do Amboim. Esse projeto representa uma mudança de escala na capacidade portuária do país e exigirá, necessariamente, a adoção dos padrões de sustentabilidade e digital debatidos na mesa redonda.

## Contexto técnico e desafios da automação

A discussão sobre digitalização em Angola ocorre em um momento em que a literatura técnica global aponta tanto ganhos quanto riscos na automação portuária. Pesquisas recentes, como as publicadas pela Universidade de Aveiro, indicam que a implementação de portos inteligentes eleva a produtividade, mas impõe a necessidade de investimentos elevados e gestão cuidadosa do impacto no emprego. Para Angola, a transição deve equilibrar a eficiência dos sistemas digitais com a realidade da sua massa laboral jovem.

A necessidade de alinhar os portos angolanos com as melhores práticas da indústria global, conforme declarou o coordenador do encontro, **Gualdino Mpengo**, reforça a urgência de modernização. A adoção de sistemas integrados, como a Janela Única Logística que o Porto de Luanda planeja implementar em 2027 com tecnologias de IA e 5G, mostra que o setor nacional caminha para uma revolução operacional nos próximos meses.

Portugal e as economias desenvolvidas já sinalizam que a rastreabilidade ambiental e a descarbonização deixaram de ser diferenciais para se tornarem pré-requisitos de mercado. Angola, ao promover esse debate, antecipa-se à imposição de barreiras comerciais verdes e posiciona o seu sistema portuário como parceiro viável para rotas de comércio internacional cada vez mais exigentes com critérios ESG.

Encerrar a mesa redonda em Porto Amboim com a certeza de que o setor portuário angolano deu um passo concreto da teoria para a prática. Os projetos de energia solar, a cooperação técnica com potências asiáticas e a qualificação acelerada de mão de obra especializada sinalizam que a infraestrutura nacional busca não apenas acompanhar, mas definir novos padrões para a logística marítima na costa ocidental africana.