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title: "Automação e digitalização aceleram transformação em portos brasileiros e globais"
author: "Redação"
date: "2026-08-05 13:08:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/05/automacao-e-digitalizacao-aceleram-transformacao-em-portos-brasileiros-e-globais/md"
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## Resumo
- A Kalmar e a APM Terminals anunciaram parceria em 30 de julho de 2026 para co-desenvolver a plataforma de automação Kalmar One, incluindo acesso da APM Terminals ao código-fonte e criação do modelo "Automation as a Service".
- A APM Terminals, divisão da A.P. Moller-Maersk, já opera o Kalmar One no Pier 400 de Los Angeles, o maior terminal de contêineres do Hemisfério Ocidental, e em 2025 realizou 27.000 atracações e 25,8 milhões de movimentos em 35 países.
- A Priime Tech, de Brusque (SC), automatizou os gates de saída do Porto Itapoá com sistemas AGS e OCR, eliminando a digitação manual de placas, contêineres e lacres e validando dados em tempo real contra o TOS.
- Terminais com 300 acessos diários e quatro minutos de espera por divergência acumulam mais de 20 horas improdutivas por dia — tempo que a automação devolve à operação.
- No Porto de Tianjin, China, décadas de experiência de operadores veteranos foram convertidas em algoritmos de IA que guiam robôs autônomos 24 horas por dia, ampliando a digitalização do conhecimento tácito.
- O Porto do Açu implementou plataforma digital personalizada da AutoU para governar o hub de inovação Cais Açu Lab, substituindo planilhas descentralizadas por dashboards em tempo real.
- O programa Cais de Ideias mobilizou 240 profissionais, gerou 30 propostas estruturadas e mais de 600 interações, demonstrando que inovação pode ser um processo gerenciável e mensurável.

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No início de agosto de 2026, três desenvolvimentos distintos no setor portuário global sinalizaram uma mesma direção: a **Kalmar** e a **APM Terminals** anunciaram parceria estratégica para co-desenvolver a plataforma de automação **Kalmar One**, incluindo um inédito modelo de negócios **"Automation as a Service"**. Simultaneamente, a **Priime Tech**, de Brusque (SC), automatizou os gates de saída do **Porto Itapoá** com sistemas de reconhecimento óptico, eliminando a digitação manual de placas, contêineres e lacres. E o **Porto do Açu**, no Rio de Janeiro, digitalizou sua gestão de inovação ao substituir planilhas descentralizadas por uma plataforma integrada da startup **AutoU**. A convergência dessas iniciativas — em modelos de serviço, automação de processos críticos e governança de inovação — revela que a corrida por terminais mais inteligentes já não se limita a equipamentos, mas abrange a transformação digital da própria inteligência organizacional dos portos.

## Kalmar e APM Terminals redefinem o modelo de automação portuária

A parceria anunciada em **30 de julho de 2026** entre a finlandesa **Kalmar** e a **APM Terminals**, divisão independente da **A.P. Moller-Maersk**, vai além de uma fornecimento convencional de equipamentos e software. A **APM Terminals** obteve acesso ao código-fonte do sistema **Kalmar One** e passará a trabalhar lado a lado com os engenheiros da **Kalmar** no desenvolvimento e implantação da plataforma, tanto em terminais existentes quanto em novas operações. Essa abordagem de co-desenvolvimento permite que a experiência operacional acumulada pela **APM Terminals** — que em **2025** realizou **27.000 atracações** e **25,8 milhões de movimentos** em suas **35 instalações** globais — seja diretamente integrada ao roteiro de desenvolvimento do produto, moldando funcionalidades a partir de necessidades reais de operação.

O componente central da aliança é a criação de um modelo **"Automation as a Service"**, que marca uma mudança de paradigma na relação entre operadores de terminais e fornecedores de tecnologia. Em vez de uma compra única de licenças ou equipamentos, o modelo propõe uma colaboração contínua, onde a **APM Terminals** não apenas utiliza a tecnologia, mas co-cria sua evolução. **Hans Jacobs**, chefe de Tecnologia Operacional e Analítica da **APM Terminals**, descreveu a parceria como um marco para a indústria, enquanto **Juuso Kanner**, vice-presidente de Automação da **Kalmar**, destacou o compromisso com operações portuárias resilientes e seguras. O primeiro teste em larga escala já ocorre no **Pier 400**, em **Los Angeles**, o maior terminal de contêineres do Hemisfério Ocidental, onde o **Kalmar One** já está operacional.

## Da experiência humana ao dado digital

Enquanto a **Kalmar** e a **APM Terminals** reconfiguram a automação em nível sistêmico, a **Priime Tech** atacou um dos pontos de estrangulamento mais comuns em portos: os gates de saída. A empresa, fundada em **2006** em **Brusque (SC)** e com certificação **ISO 9001**, implementou sistemas **AGS (Automated Gate Systems)** e **OCR (Optical Character Recognition)** no **Porto Itapoá**, eliminando por completo a necessidade de digitação manual de placas de veículos, números de contêiner e códigos de lacres. A tecnologia valida os dados em tempo real contra o **TOS (Terminal Operating System)** e as bases de acesso autorizado, capturando imagens com selo de data e hora para cada operação. O impacto prático é mensurável: terminais que processam **300 acessos diários** com tempo médio de espera de **quatro minutos** por divergência cadastral acumulam mais de **20 horas improdutivas por dia** — tempo que a automação devolve à operação.

A **Priime Tech** opera com modelo **turnkey** e tem presença em mais de **130 portos** globalmente, sob a liderança do CEO **Petersen Poia** e do diretor de soluções **Rogério Kohler**. Mas o que torna o caso do **Porto Itapoá** particularmente significativo é a transformação do conhecimento tácito de operadores experientes em registros digitais auditáveis. No **Porto de Tianjin**, na China, essa mesma lógica foi aplicada em escala ainda maior: décadas de experiência de operadores veteranos foram convertidas em algoritmos de inteligência artificial que guiam robôs autônomos de transporte **24 horas por dia**. O movimento global indica que a digitalização do conhecimento humano tornou-se a nova fronteira da automação portuária, reduzindo a dependência de mão de obra qualificada escassa e mitigando gargalos operacionais crônicos.

## Inovação como processo gerenciável

No **Porto do Açu**, no norte fluminense, a transformação digital assumiu outra dimensão: a governança da inovação. O complexo portuário-industrial, o maior privado de águas profundas da **América Latina**, operado desde **2014** pela **Porto do Açu Operações** — joint venture entre a **Prumo Logística** e o **Porto de Antuérpia-Bruges Internacional** — implementou uma plataforma digital personalizada em parceria com a startup brasileira **AutoU**. A solução substituiu um modelo descentralizado de planilhas e e-mails por um ambiente único que automatiza processos, gera dashboards em tempo real e integra projetos corporativos com ideias de colaboradores. Segundo **Juliane Carneiro**, gerente de inovação do **Porto do Açu**, o crescimento do hub de inovação **Cais Açu Lab** tornou uma ferramenta centralizadora essencial para garantir rastreabilidade e visão integrada do portfólio.

O primeiro teste em larga escala da plataforma ocorreu no programa **Cais de Ideias**, de intraempreendedorismo, que mobilizou mais de **240 profissionais** ao longo de aproximadamente **quatro meses**. O resultado foram **30 propostas estruturadas**, desenvolvidas por **50 colaboradores**, com mais de **600 interações** — incluindo comentários, reações, votações e elementos de gamificação. **Eduardo Julianelli**, cofundador da **AutoU**, explicou que a arquitetura da plataforma reflete a realidade operacional do **Porto do Açu** e integra programas de ideias com a gestão de projetos corporativos. A **AutoU**, fundada em **2021**, já desenvolveu **250 projetos** que impactaram mais de **150 mil colaboradores** em **15 países**, com clientes como **Stellantis**, **L'Oréal**, **Nestlé** e **B3**.

## Terminal que não inova perde competitividade

Os três casos, apesar de abordarem frentes distintas da operação portuária, convergem em um ponto: a automação isolada de equipamentos já não basta. A parceria **Kalmar**-**APM Terminals** demonstra que o futuro da automação reside em modelos colaborativos de longo prazo, onde o operador de terminal deixa de ser mero consumidor de tecnologia para se tornar cocriador. A **Priime Tech** prova que a captura digital do conhecimento tácito — a experiência acumulada nas cabeças de operadores veteranos — pode ser a diferença entre um gate que opera com **20 horas** de tempo ocioso por dia e um que flui sem interrupções. E o **Porto do Açu** mostra que inovação não é um evento pontual, mas um processo que exige governança, ferramentas adequadas e engajamento sistemático da força de trabalho.

Para terminais brasileiros que enfrentam os desafios de uma safra recorde e escassez de mão de obra qualificada, essas três frentes oferecem caminhos concretos. A digitalização de gates, como fez a **Priime Tech** em **Itapoá**, ataca gargalos imediatos de produtividade. Modelos como o **"Automation as a Service"** reduzem a barreira de entrada para automação de ponta, ao distribuir custos e riscos ao longo do tempo. E plataformas de governança de inovação, como a implementada no **Açu**, transformam a criatividade da força de trabalho em projetos estruturados e mensuráveis. O **Porto Itapoá**, por exemplo, já registrou recordes em **2023** com aumento de **18%** no primeiro trimestre, atingindo **533.423 TEUs**, e **172,26 movimentos por hora** em maio — números que só se sustentam com operações cada vez mais eficientes.

A transformação digital portuária deixou de ser uma promessa para se tornar uma condição mínima de competitividade. Os portos que tratam a automação como processo contínuo — e não como projeto pontual — são os que estarão posicionados para absorver os volumes crescentes do comércio global. No cenário brasileiro, onde os portos movimentaram mais de **1,4 bilhão de toneladas** em **2025**, a adoção dessas práticas não é mais diferencial, mas requisito de sobrevivência. Os exemplos que surgem agora, tanto de dentro do país quanto de parcerias globais como a **Kalmar**-**APM Terminals**, apontam para um futuro onde a inteligência operacional — humana e digital — define quem lidera e quem fica para trás.