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title: "Autoridade do Tirreno aprova €1,68 milhão para modernização portuária"
author: "Redação"
date: "2026-08-05 11:54:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/05/autoridade-do-tirreno-aprova-168-milhao-para-modernizacao-portuaria/md"
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## Resumo
- O Comitê de Gestão da Autoridade do Tirreno Meridional e Jônio aprovou uma variação orçamentária de €1,68 milhão para o orçamento de 2026, com foco em infraestrutura portuária.
- A maior parte dos recursos, €200.000, foi direcionada ao Porto de Corigliano-Rossano para a remoção de um naufrágio que compromete a segurança e a capacidade da bacia portuária.
- Outros €150.000 financiarão o projeto técnico para o prolongamento do quebra-mar de sotavento no Porto de Vibo Valentia Marina, aumentando a proteção contra ondas.
- O Comitê também aprovou uma concessão suplementar para a CADI S.r.l. operar um serviço de abastecimento de combustível para embarcações de lazer na Banchina Fiume de Vibo Valentia.
- O défice orçamentário de €75,5 milhões é coberto por um saldo de administração de 2025 no valor de €128,9 milhões, garantindo a viabilidade financeira dos investimentos.
- O presidente Paolo Piacenza afirmou que as decisões reafirmam o compromisso com o desenvolvimento equilibrado da rede portuária, priorizando segurança, eficiência e apoio ao investimento privado.
- A estratégia de investimento cirúrgico em infraestrutura básica, como a remoção de destroços e a ampliação de proteções, segue um padrão europeu de modernização portuária em etapas.

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O Comitê de Gestão da Autoridade de Sistema Portuário dos Mares Tirreno Meridional e Jônio, sob a presidência de **Paolo Piacenza**, aprovou por unanimidade, no final de julho de 2026, uma variação de assestamento ao orçamento previsto para o exercício. O ajuste, no valor de **€1.686.786,65**, redireciona recursos para projetos de infraestrutura e segurança em dois portos da Calábria, estabelecendo um novo patamar de investimento direcionado na região sul da Itália. A decisão sinaliza um compromisso firme com a modernização da rede portuária, priorizando intervenções técnicas que afetam diretamente a operacionalidade e a atratividade dos terminais.

## Destino dos recursos

A maior parte do ajuste, **€200.000**, foi alocada ao **Porto de Corigliano-Rossano** para a realização de intervenções técnicas destinadas à remoção de um naufrágio localizado na bacia portuária. A presença de destroços submersos representa um risco permanente à navegação e às operações de atracação, além de restringir a capacidade disponível do fundeadouro. A retirada do casco é, portanto, uma medida de segurança operacional que elimina um obstáculo físico e potencializa a eficiência do tráfego de embarcações no porto.

Outros **€150.000** foram direcionados ao **Porto de Vibo Valentia Marina** para a contratação de serviços de projeto técnico referentes à obra *"Realizzazione del prolungamento del molo sopraflutto"*, ou seja, a execução do prolongamento do quebra-mar de sotavento. O investimento em engenharia de projetos para essa infraestrutura de proteção visa ampliar a defesa contra a agitação marítima nas instalações portuárias, criando condições mais estáveis para a atracação e a movimentação de cargas. Um quebra-mar eficiente reduz os tempos de espera por janelas operacionais e aumenta a previsibilidade da logística portuária.

## Concessão para abastecimento

Na mesma sessão, o Comitê também aprovou por unanimidade uma concessão demanial marítima suplementar para a empresa **CADI S.r.l.**, autorizando-a a operar uma infraestrutura de **abastecimento de combustível para embarcações de lazer** na área da *Banchina Fiume* do Porto de Vibo Valentia Marina. Essa autorização complementa o plano de desenvolvimento do terminal, integrando serviços de apoio à navegação recreativa e comercial. A presença de um ponto de abastecimento credenciado no cais fortalece a vocação do porto para a marinha de lazer, que representa um segmento econômico em crescimento no litoral calabrês, e oferece uma infraestrutura essencial para embarcações que demandam serviços rápidos e seguros.

## O balanço fiscal da autoridade

A variação orçamentária elevou o valor definitivo das receitas da autoridade para **€26.370.820,41** e o das despesas para **€101.911.494,65**, resultando num défice de **€75.540.674,24**. Contudo, esse desequilíbrio financeiro não configura uma situação de insolvência, pois encontra cobertura integral numa parcela do saldo de administração proveniente da prestação de contas de 2025, que totalizou **€128.900.497,23**. Essa folga orçamentária herdada do exercício anterior confere à autoridade a capacidade de realizar investimentos de capital acima do ritmo de suas receitas correntes, uma prática comum em entidades que gerem ativos públicos de longo prazo. A gestão do défice através do superávit acumulado demonstra uma administração fiscal que prioriza o investimento imediato em infraestrutura em detrimento do equilíbrio contábil anual.

## Estratégia de desenvolvimento equilibrado

Segundo o presidente **Paolo Piacenza**, as decisões do Comitê reafirmam um "**compromisso com o desenvolvimento equilibrado**" de toda a rede portuária da autoridade. Essa filosofia de alocação de recursos busca atender simultaneamente às demandas de segurança, eficiência operacional, planejamento de infraestrutura e apoio aos operadores econômicos e ao investimento privado. O modelo de gestão da autoridade do Tirreno Meridional e Jônio, que abrange portos de diferentes escalas na Calábria, consiste em priorizar intervenções pontuais que geram retornos operacionais imediatos, como a remoção de um naufrágio, ao mesmo tempo em que se avança em projetos estruturantes de maior fôlego, como a ampliação de um quebra-mar.

## O contexto do desenvolvimento portuário europeu

A abordagem de investimento da autoridade italiana encontra paralelos em outras redes portuárias europeias, onde a priorização de projetos de infraestrutura básica e segurança é vista como precondição para a atração de investimentos de maior escala. O **Porto de Lisboa-Setúbal**, por exemplo, avança com investimentos estruturantes superiores a **1,2 mil milhões de euros** para a próxima década, incluindo automação, digitalização e reforço de acessibilidades ferroviárias. Da mesma forma, portos brasileiros como Santos direcionam recursos para **descarbonização** e **eletrificação**, em parceria com fundações internacionais como a **Fundação Valenciaport**. Essa convergência de investimentos em infraestrutura fundamental e em inovação tecnológica demonstra que a competitividade portuária do século XXI exige uma base sólida de terminais seguros e eficientes, sobre a qual se constroem os avanços digitais e ambientais.

O impacto das decisões da autoridade do Tirreno vai além dos números do orçamento. A remoção do naufrágio em Corigliano-Rossano e a expansão do quebra-mar em Vibo Valentia Marina são intervenções que, embora modestas em escala, eliminam gargalos operacionais concretos e enviam sinais positivos ao mercado. Para os operadores logísticos e armadores, a existência de uma autoridade portuária que prioriza a manutenção e a segurança dos ativos públicos reduz a incerteza e o risco associados ao investimento privado nas instalações.

A autorização do serviço de abastecimento para a **CADI S.r.l.** exemplifica como a parceria público-privada pode ser implementada de forma pragmática. Ao conceder uma suplementação de uso demanial para uma empresa privada operar um serviço específico, a autoridade atrai capital e expertise sem assumir o ônus da operação direta. Esse modelo de concessão é replicável em outros portos da rede e pode servir como catalisador para a diversificação da base de serviços oferecidos aos usuários.

À medida que a rede portuária do Tirreno Meridional e Jônio consolida sua base de infraestrutura, abre-se espaço para a implementação de soluções tecnológicas mais avançadas. A melhoria da segurança e da eficiência dos portos existentes é o primeiro passo para a integração de sistemas de gerenciamento de tráfego, monitoramento ambiental e digitalização de processos. A estratégia da autoridade italiana, portanto, segue uma lógica de desenvolvimento em camadas: primeiro a infraestrutura, depois a inovação. Para profissionais do setor portuário, o caso do Tirreno oferece um modelo de como investimentos cirúrgicos em projetos de alto impacto operacional podem modernizar uma rede de portos regionais sem a necessidade de aportes bilionários.