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title: "Multimodal Nordeste consolida IA e eletrificação como tendências da logística"
author: "Redação"
date: "2026-08-05 13:08:00-03"
category: "Logística"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/05/multimodal-nordeste-consolida-ia-e-eletrificacao-como-tendencias-da-logistica/md"
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## Resumo
- A terceira edição da Multimodal Nordeste reúne mais de 140 marcas e expectativa de 9 mil visitantes no Recife Expo Center, de 4 a 6 de agosto de 2026.
- Inteligência artificial, eletrificação de terminais, cabotagem e integração intermodal são os eixos temáticos centrais da feira.
- A APM Terminals inaugurou operações terrestres em Suape com terminal 100% eletrificado, investimento de R$ 2 bilhões e capacidade inicial de 400 mil TEUs por ano.
- A Logcomex revelou que seus agentes de IA processam 26% do comércio exterior brasileiro, automatizando despachos e antecipando gargalos.
- O Porto do Recife investe R$ 95 milhões em dragagem para permitir calados de até 12 metros, com conclusão prevista para dezembro de 2026.
- O Diagnóstico da Logística Competitiva de Pernambuco 2026 foi lançado durante a abertura e entregue ao Governo do Estado, com recomendações sobre dependência rodoviária e qualificação profissional.
- A área da feira cresceu 30% e a expectativa de visitação aumenta 39% em relação à edição anterior, consolidando o evento como referência nacional.

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A terceira edição da **Multimodal Nordeste** abriu as portas nesta terça-feira (4) no **Recife Expo Center** com uma pauta que espelha as transformações em curso na logística brasileira. Até quinta-feira (6), a feira reúne mais de **140 marcas expositoras** e expectativa de receber cerca de **9 mil visitantes**, consolidando o evento como referência regional para profissionais do setor portuário, transporte e comércio exterior. Os eixos temáticos da edição giram em torno de inteligência artificial aplicada a processos aduaneiros, eletrificação de terminais portuários, avanços na cabotagem e na integração entre modais — temas que deixam de ser tendência para se tornarem operação concreta nos portos nordestinos.

## Feira amplia espaço e atrai novos players

A expansão física do evento acompanha o crescimento do interesse do mercado. A área da feira aumentou **30%** em relação à edição anterior, com a incorporação de uma nova zona na entrada do Recife Expo Center que transforma a chegada dos visitantes em uma imersão no universo da logística: caminhões, empilhadeiras e contêineres recebem o público logo no primeiro contato. Segundo **Domênico Carneiro**, diretor da Multimodal Nordeste, o crescimento reflete o fortalecimento da feira no calendário nacional do setor. A expectativa de visitação é de aumento de **39%** ao longo dos três dias.

Entre os novos participantes, a **LogMaxxi** estreou com o objetivo de consolidar a marca, resultado da união de três empresas do segmento. A **Titanium Logística**, que estreou em 2025, dobrou o tamanho do estande. Empresas como **Correios** e **BrasMundi** — esta última com 25 anos de atuação e mais de **50 mil metros quadrados** de centrais de armazenagem na Região Metropolitana do Recife — também ampliaram a presença, apresentando soluções de gestão de suprimentos e logística reversa voltadas à operação nordestina.

A composição dos expositores revela a maturidade do evento: fabricantes, transportadoras, operadores logísticos, empresas de tecnologia e prestadores de serviços convivem no mesmo pavilhão, promovendo networking qualificado e rodadas de negócios. Patrocinado pelo **Porto do Recife** e pelo **Banco do Nordeste**, o evento conta ainda com apoio institucional de entidades como **Abac**, **Anelog**, **Fiepe**, **Fiea** e **Fiern**, além de apoio de **Correios Log+** e **NEQ**.

## IA já processa um quarto do comércio exterior

A aplicação de inteligência artificial em processos logísticos e aduaneiros deixou de ser promessa para se tornar operação diária. A **Logcomex**, empresa expositora na feira, afirma processar atualmente **26% do fluxo do comércio exterior brasileiro** por meio de agentes de IA. Esses sistemas são capazes de antecipar gargalos, automatizar despachos e reduzir o tempo de liberação de cargas — ganhos que se traduzem diretamente em competitividade para importadores e exportadores.

A presença da Logcomex na Multimodal Nordeste sinaliza uma mudança de patamar na adoção de tecnologia no setor. Onde antes a IA era tema de painéis acadêmicos, agora integra o core business de operadores que lidam com volumes bilionários. Para estudantes e profissionais que visitam a feira, a demonstração prática dessas ferramentas oferece um panorama concreto de como a automação inteligente está redesenhando a gestão da cadeia de suprimentos, da coleta de dados aduaneiros à previsão de demanda.

## Suape inaugura terminal eletrificado

O destaque operacional da feira veio com a confirmação das primeiras movimentações do novo terminal da **APM Terminals** no **Complexo Industrial Portuário de Suape**. Na última segunda-feira (3), os portões do terminal abriram para a entrada dos primeiros caminhões e contêineres, marcando o início das operações terrestres. A movimentação de navios, porém, ainda depende da homologação do calado do canal interno pelo **Centro de Hidrografia da Marinha (CHM)**.

De acordo com **Daniel Rose**, diretor-superintendente da APM Terminals Suape e Pecém, toda a estrutura física e operacional está pronta. Os levantamentos batimétricos foram encaminhados ao CHM, no Rio de Janeiro, e o calado oficial disponível hoje é de **10,5 metros**. O planejamento inicial previa a chegada do primeiro navio em 3 de agosto, mas a homologação pendente atrasou o cronograma em cerca de um mês. A companhia espera realizar operações extraordinárias ainda em agosto, com início dos serviços regulares projetado para **1º de setembro**.

O terminal foi entregue oficialmente em **12 de junho** e recebeu investimentos superiores a **R$ 2 bilhões** — equivalente a **EUR 300 milhões**, conforme a APM Terminals. Projetado para movimentar inicialmente até **400 mil TEUs por ano**, o empreendimento ampliará em até **55%** a capacidade de movimentação de contêineres do porto pernambucano. A estrutura é apresentada como o **primeiro terminal de contêineres integralmente eletrificado da América Latina**, marca que posiciona Suape como referência em descarbonização portuária no continente.

A APM Terminals também apresentou na feira os resultados de sua operação no **Porto do Pecém**, no Ceará, que movimentou mais de **706,5 mil TEUs em 2025**. Os números reforçam a estratégia da companhia de consolidar sua presença no Nordeste, onde a combinação de infraestrutura moderna e posição geográfica privilegiada oferece vantagens competitivas para o comércio com a Europa, África e América do Norte.

## Porto do Recife acelera modernização

Além da eletrificação em Suape, o **Porto do Recife** apresentou seus próprios investimentos em modernização e infraestrutura. Está em implementação um novo sistema de monitoramento com câmeras inteligentes, controle de acesso e atualização do plano de segurança portuária. O projeto representa a incorporação de tecnologias de vigilância e gestão de risco que antes eram restritas a portos de grande porte, agora acessíveis ao terminal recifense.

Outro projeto em andamento é a **dragagem de manutenção** do canal de acesso e dos berços de atracação, com investimento estimado em **R$ 95 milhões**. A intervenção permitirá a operação com calados de até **12 metros** e tem conclusão prevista para **dezembro de 2026**. O aumento do calado é condição para que o porto receba embarcações de maior porte, ampliando a capacidade de atracação e reduzindo custos operacionais para armadores e operadores logísticos.

## Diagnóstico aponta gargalos e propõe agenda técnica

A abertura oficial da feira trouxe o lançamento do **Diagnóstico da Logística Competitiva de Pernambuco 2026**, documento inédito elaborado pela Multimodal Nordeste em parceria com a **Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento**, com patrocínio da **Fetracan** e do **Setcepe**. O estudo reuniu contribuições de empresários, operadores logísticos, transportadores, atacadistas e varejistas para construir uma agenda técnica fundamentada em evidências reais do mercado.

Entre os gargalos identificados, destaca-se a **alta dependência do modal rodoviário**, os obstáculos de integração intermodal, as barreiras regulatórias municipais e a escassez de mão de obra qualificada para lidar com as novas tecnologias que dominam a pauta da feira. A intenção dos organizadores é transformar o levantamento em publicação anual e realizar, em seis meses, um balanço com o Governo de Pernambuco sobre os avanços alcançados a partir das recomendações apresentadas.

O documento foi entregue formalmente ao Governo do Estado na noite de abertura, com o objetivo de orientar e unificar a pauta de investimentos prioritários em logística. A iniciativa representa uma tentativa de converter os debates de feira em políticas públicas concretas — algo que o setor portuário brasileiro ainda faz de forma insuficiente, apesar da multiplicação de eventos e diagnósticos nos últimos anos.

## Mercado sinaliza maturidade tecnológica

A convergência de temas como IA, eletrificação, cabotagem e integração intermodal em um único evento revela que o setor logístico nordestino — e brasileiro como um todo — está deixando a fase de experimentação para entrar em adoção em escala. A **APM Terminals** não apenas inaugura um terminal eletrificado, mas já projeta operações regulares para setembro. A **Logcomex** não fala de IA como promessa, mas como ferramenta que processa um quarto do comércio exterior nacional. O **Porto do Recife** investe R$ 95 milhões em dragagem para receber navios maiores.

Os números da própria feira confirmam essa trajetória: crescimento de 30% na área de exposição, expectativa de aumento de 39% no público e a presença de empresas que dobraram seus estandes em relação à edição anterior. O Diagnóstico da Logística Competitiva de Pernambuco, com seus gargalos mapeados e recomendações entregues ao governo, oferece o contraponto necessário: a tecnologia avança, mas os entraves regulatórios, a dependência rodoviária e a falta de qualificação profissional ainda freiam o potencial do setor. O desafio agora é converter o ritmo das feiras em políticas públicas que acompanhem a velocidade da inovação.