---
title: "Valenciaport aposta em subestação de €15,6 milhões para dobrar capacidade e acelerar meta zero"
author: "Redação"
date: "2026-08-05 11:59:00-03"
category: "Internacional"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/05/valenciaport-aposta-em-subestacao-de-156-milhoes-para-dobrar-capacidade-e-acelerar-meta-zero/md"
---

## Resumo
- A APV aprovou €15,6 milhões para construção de subestação elétrica de 110 MW, cofinanciada pelo CEF europeu
- A nova infraestrutura dobrará a capacidade energética do porto, sustentando a eletrificação de pátios e guindastes
- O plano prevê eletrificar 80% dos berços com OPS (Onshore Power Supply) até o final de 2028
- Projetos de energia renovável marinha (painéis flutuantes e energia das ondas) entram em operação em 2026
- A Política Ambiental e Energética foi atualizada para alinhar-se ao Plano Estratégico 2035 e ao Net Zero Plan
- A meta é atingir neutralidade de carbono e autossuficiência energética nos portos de Valência, Sagunto e Gandia até 2035

---

O Conselho de Administração da Autoridade Portuária de Valência (APV) aprovou no final de julho de 2026 a construção de uma nova subestação elétrica de **110 megawatts (MW)**, com orçamento de **€15,6 milhões**. O projeto, cofinanciado pela Comissão Europeia por meio do **Connecting Europe Facility (CEF)**, não apenas expande a infraestrutura energética do porto, mas representa um passo decisivo para garantir a confiabilidade operacional e a viabilidade das metas de descarbonização até 2035.

## A infraestrutura que sustenta a eletrificação

A nova subestação é projetada para **dobrar a capacidade energética atual** do complexo portuário de Valência. Este aumento é indispensável para alimentar as diversas frentes de eletrificação que a APV vem implementando, como a eletrificação de pátios de contêineres e a implantação de sistemas de fornecimento de energia em costa (OPS) para navios. Atualmente, quase **20% do consumo elétrico do porto** já é gerado internamente por duas usinas fotovoltaicas, com capacidades de **1,4 MWp** e **5,7 MWp**.

A expansão da rede segue a conclusão da subestação **ST1 de 132 kV**, que entra em operação na segunda metade de 2026. Junto a ela, a APV já licitou a construção de um novo centro de distribuição de energia elétrica, com orçamento superior a **€4,4 milhões**, para conectar a ST1 aos terminais. Esta infraestrutura distribuidora será o coração pulsante do porto, garantindo que a energia gerada ou importada chegue eficientemente aos guindastes elétricos, aos pátios automatizados e aos pontos de recarga.

A estratégia de eletrificação se materializa também no dia a dia das operações. O terminal **MSCTV**, por exemplo, já realizou a transição da maior parte de sua frota de **18 RTGs (transtêineres pneumáticos)** para a versão elétrica, eliminando o consumo de diesel nestes equipamentos. Essa conversão exige uma rede elétrica robusta e confiável, papel que a nova subestação vem assegurar.

## OPS e a descarbonização do navio atracado

Um dos pilares do Plano Net Zero de Valenciaport é o fornecimento de **Onshore Power Supply (OPS)**, permitindo que os navios desliguem seus geradores a óleo durante a atracação. A meta para o final de **2028** é eletrificar **8 dos 10 berços** capazes de receber OPS, o que equivale a **80% da capacidade de atracação** do porto.

A infraestrutura para isso já está em movimento: dois pontos de OPS para navios de contêineres e embarcações de passageiros estão sendo instalados e devem ficar operacionais em **junho de 2026**. Além disso, a APV já garantiu financiamento para **12 pontos adicionais**, que devem estar ativos até **dezembro de 2028**. A nova subestação de 110 MW fornece a capacidade de reserva e a resiliência necessárias para suportar essa demanda massiva simultânea de energia, evitando sobrecargas e garantindo a operação contínua mesmo em horários de pico.

A complementar a geração solar, a APV lidera projetos de pesquisa em **energia renovável marinha**. O projeto **RENMARINAS** visa instalar painéis solares flutuantes (**1,5 MWp**) e um sistema de energia das ondas (**270 kW**) dentro da área portuária, com início previsto para 2026. Essas iniciativas diversificam a matriz e reduzem a dependência da rede nacional.

## Governança ambiental e o caminho para 2035

A decisão do Conselho de Administração incluiu também a atualização da **Política Ambiental e Energética** da APV, alinhando-a ao **Plano Estratégico 2035**. A nova política formaliza o compromisso com um sistema de gestão que integra a sustentabilidade não apenas dentro da autoridade portuária, mas se estende a todas as empresas de domínio público, clientes, fornecedores e demais *stakeholders* que atuam no ecossistema portuário.

Entre as diretrizes aprovadas, destaca-se a obrigação de realizar análises periódicas de riscos ambientais associados às atividades do porto, promover a prevenção e minimização de impactos, e investir na capacitação contínua das equipes. A APV também reforçou o compromisso com o cálculo rigoroso da **pegada de carbono** e com a promoção da **economia circular** e da proteção da biodiversidade.

O objetivo final é atingir a **neutralidade de carbono e autossuficiência energética** até 2035 nos portos de Valência, Sagunto e Gandia. A nova subestação é a espinha dorsal física que permite transformar essas ambições em operação real, sem comprometer a competitividade ou a eficiência logística do complexo.

## Impacto no mercado europeu e perspectivas

O investimento da APV se insere num contexto europeu de aceleração da descarbonização portuária, onde a infraestrutura energética passa a ser fator de competitividade. Portos que não investirem em capacidade elétrica para OPS e eletrificação de pátios poderão enfrentar restrições regulatórias e perder volume para concorrentes mais adiantados. O cofinanciamento pelo **CEF** sinaliza que a Comissão Europeia prioriza projetos que geram ganhos ambientais mensuráveis e que servem de modelo para outros hubs logísticos.

Ao dobrar sua capacidade energética e integrar fontes renováveis marítimas, Valenciaport consolida sua posição como referência técnica na transição energética portuária. Para o setor, a mensagem é clara: a eletrificação de terminais não se limita à substituição de equipamentos, mas exige uma reestruturação profunda da base energética — e quem não antecipar esse ciclo de investimentos ficará para trás.