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title: "Automação portuária consolida padrão global com projetos e parcerias"
author: "Redação"
date: "2026-08-06 10:26:00-03"
category: "Internacional"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/08/06/automacao-portuaria-consolida-padrao-global-com-projetos-e-parcerias/md"
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## Resumo
- Kalmar e APM Terminals assinam parceria estratégica para co-desenvolvimento da plataforma Kalmar One com modelo Automation as a Service
- Primeira implantação ocorrerá no Pier 400, em Los Angeles, maior terminal de contêineres do Hemisfério Ocidental
- Coreia do Sul inicia construção de testbed de US$ 540 milhões em Gwangyang para terminal totalmente autônomo com IA física
- Estratégia Nacional sul-coreana prevê orçamento de US$ 5,36 bilhões e meta de 10% do mercado global de equipamentos até 2035
- Priime Tech automatiza gates de Porto Itapoá com AGS e OCR, eliminando digitação manual e recuperando horas improdutivas
- Porto do Açu adota plataforma da AutoU para centralizar gestão de inovação e engajar colaboradores em intraempreendedorismo
- A simultaneidade dos avanços em diferentes continentes sinaliza que a automação deixou de ser opção e tornou-se o novo patamar competitivo do setor

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No dia 30 de julho de 2026, dois movimentos de peso sacudiram a indústria portuária global em continentes distintos. De um lado, a **Kalmar** e a **APM Terminals** firmaram uma parceria estratégica para co-desenvolver a plataforma de automação **Kalmar One**, incluindo um modelo inédito de **Automation as a Service**. Do outro, o governo sul-coreano inaugurou a construção do **Gwangyang Port Automation Testbed**, um investimento de **KRW 772,4 bilhões** (aproximadamente **US$ 540 milhões**) em um terminal totalmente automatizado. A coincidência temporal não é acidental: ela sinaliza que a automação portuária deixou de ser um experimento isolado para se tornar o novo patamar de competitividade do setor.

## A parceria que redefiniu o modelo de automação

A aliança entre **Kalmar** e **APM Terminals** representa uma ruptura no modelo tradicional de fornecimento de tecnologia para terminais. A **APM Terminals** obteve acesso ao código-fonte da plataforma **Kalmar One** e passou a colaborar diretamente com a equipe de engenharia da **Kalmar** no desenvolvimento e na implantação do sistema em terminais existentes e futuros. O acordo prevê também o alinhamento dos roteiros de produto, incorporando a experiência operacional da operadora à evolução tecnológica da plataforma. Segundo **Hans Jacobs**, diretor de Tecnologia Operacional e Analytics da **APM Terminals**, a parceria reflete o compromisso de co-desenvolver soluções integradas mais seguras, transparentes e alinhadas às necessidades operacionais reais.

O modelo **Automation as a Service** constitui o núcleo inovador do acordo. Em vez de adquirir licenças e implantar sistemas de forma isolada, a operadora passa a contar com um modelo contínuo de desenvolvimento conjunto, no qual a tecnologia evolui com base no [feedback operacional de campo](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/08/04/kalmar-e-apm-terminals-aprofundam-cooperacao-em-automacao-de-proxima-geracao). A primeira implantação em larga escala ocorrerá no **Pier 400**, em **Los Angeles**, o maior terminal de contêineres do Hemisfério Ocidental. **Juuso Kanner**, vice-presidente de Automação da **Kalmar**, classificou o acordo como um marco sem precedentes na indústria, cujos benefícios se estendem a todos os clientes da plataforma.

A escala da operação da **APM Terminals** confere dimensão prática ao que está em jogo. Em 2025, a empresa registrou **27.000 atracações de navios** e **25,8 milhões de movimentos** em suas **35 instalações globais**, empregando cerca de **22.000 profissionais** em mais de **60 localidades**. Automatizar essa rede com tecnologia co-desenvolvida, e não apenas comprada, altera a dinâmica de poder entre operadores e fornecedores, aproximando o setor portuário do modelo de cocriação que já domina outras indústrias de infraestrutura.

## Coreia do Sul aposta alto em IA física para portos

Enquanto a parceria Kalmar-APM reconfigura o modelo de fornecimento de tecnologia, a **Coreia do Sul** optou por uma rota diferente e igualmente ambiciosa: construir do zero um terminal automatizado como bancada de testes nacional. O **Gwangyang Port Automation Testbed**, localizado na **Fase 3-2** do Porto de **Gwangyang**, contará com **quatro berços** e capacidade anual de **1,36 milhão de TEUs**. Cerca de **150 participantes**, incluindo o ministro dos Oceanos e Pescas, **Hwang Jong-u**, e o presidente da **YGPA**, **Choi Gwan-ho**, acompanharam a cerimônia de inauguração das obras.

O projeto integra a **Estratégia Nacional de Portos com IA Física**, anunciada pelo governo sul-coreano em **23 de julho de 2026**, com o objetivo de transformar os portos do país em sistemas logísticos totalmente autônomos. Todos os equipamentos, sistemas de transferência e o sistema operacional do terminal serão desenvolvidos e produzidos no território nacional, uma decisão que visa consolidar a soberania tecnológica do país no segmento portuário. As metas oficiais incluem aumento de **30% na produtividade portuária**, eliminação de acidentes de trabalho e conquista de **10% do mercado global de equipamentos portuários até 2035**.

A primeira fase do programa mais amplo tem orçamento estimado em **KRW 7,92 trilhões** (aproximadamente **US$ 5,36 bilhões**) e prevê a aquisição de **198 guindastes portuários autônomos**, sendo **36 STS** e **162 de pátio**, além de **171 AGVs** e um sistema de operação baseado em inteligência artificial. As tecnologias validadas em **Gwangyang** serão implantadas na **Fase 1 do Porto Novo de Jinhae**, com inauguração prevista para **2032**. O ministro **Hwang Jong-u** definiu o testbed como a base para a inovação portuária com IA física do país.

## Brasil avança com soluções de médio porte e gestão digital

Os projetos bilionários da Ásia e as parcerias globais da Europa não obscurecem avanços concretos que também ocorrem em portos brasileiros. Em **Porto Itapoá**, a empresa catarinense **Priime Tech**, fundada em **Brusque (SC)** em **2006** e certificada **ISO 9001**, implementou sistemas de **AGS** (Automated Gate Systems) e **OCR** (Optical Character Recognition) nos portões de saída do terminal. A solução elimina a digitação manual de placas de veículos, números de contêineres e lacres, capturando todos os dados em uma única operação e validando-os em tempo real contra o **TOS** e as bases de acessos autorizados.

O impacto operacional é mensurável. Terminais com cerca de **300 acessos diários** e tempo médio de espera de **quatro minutos** para resolução de divergências acumulam mais de **20 horas improdutivas por dia**, tempo que a automação dos gates devolve à operação. **Porto Itapoá** já havia registrado crescimento de **18% no primeiro trimestre de 2023**, alcançando **533.423 TEUs** e produtividade de **172,26 movimentos por hora** em maio daquele ano. A lógica de automação aplicada pela **Priime Tech** em **Itapoá** segue princípio semelhante ao adotado em larga escala no **Porto de Tianjin**, na China, onde a experiência de operadores veteranos foi convertida em algoritmos de IA para guiar robôs de transporte autônomo 24 horas por dia.

No **Porto do Açu**, maior complexo portuário-industrial privado de águas profundas da América Latina, a transformação digital tomou outra forma. A operação, sediada em **São João da Barra (RJ)** e gerida desde **2014** pela joint venture entre a **Prumo Logística** e o **Porto de Antuérpia-Bruges Internacional**, implementou uma plataforma digital personalizada desenvolvida em parceria com a startup **AutoU**. O sistema substituiu planilhas descentralizadas e controles fragmentados por e-mail por um ambiente integrado que reúne projetos, programas de inovação aberta, iniciativas de intraempreendedorismo e indicadores estratégicos.

A gestora de inovação do **Porto do Açu**, **Juliane Carneiro**, explicou que a plataforma centraliza informações, garante rastreabilidade e oferece uma visão integrada do portfólio, automatizando processos manuais e disponibilizando dashboards dinâmicos. O programa **Cais de Ideias**, voltado ao intraempreendedorismo, mobilizou mais de **240 profissionais** ao longo de aproximadamente quatro meses, resultando em **30 propostas estruturadas** elaboradas por **50 colaboradores** com mais de **600 interações**. **Eduardo Julianelli**, cofundador da **AutoU**, afirmou que a plataforma reflete a realidade operacional do **Porto do Açu** e integra programas de ideias com a gestão corporativa de projetos.

## A convergência que define a nova fronteira competitiva

A simultaneidade dos anúncios de 30 de julho expõe uma convergência que vai além da coincidência. A automação portuária não se limita mais à substituição de equipamentos manuais por robôs: ela abrange desde o co-desenvolvimento de software entre operadores e fornecedores até a digitalização de processos administrativos e a governança da inovação. As três frentes, a parceria **Kalmar-APM Terminals**, o testbed sul-coreano e as iniciativas brasileiras em **Porto Itapoá** e **Porto do Açu**, representam manifestações distintas de uma mesma transformação estrutural no setor.

Para terminais que ainda tratam a automação como projeto de longo prazo ou investimento de ocasião, o recado é direto: o mercado global já definiu o novo patamar de exigência. A **Coreia do Sul** projeta conquistar **10% do mercado global de equipamentos portuários até 2035** com tecnologia inteiramente desenvolvida internamente, enquanto a **APM Terminals** co-desenvolve soluções com seu fornecedor para operar **25,8 milhões de movimentos anuais** em 35 países. No Brasil, portos como **Itapoá** e **Açu** avançam com soluções de médio porte que eliminam horas improdutivas e engajam equipes na cultura da inovação. Ainda que o país enfrente gargalos históricos em infraestrutura e regulação, a adoção concreta de tecnologias de automação e digitalização em seus principais terminais mostra que a indústria portuária brasileira não pretende assistir de camarote a essa revolução operacional que redefine a competitividade global.