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title: "Mercado shore-to-ship pode quase dobrar até 2035"
author: "Redação"
date: "2026-10-17 09:27:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/17/mercado-shore-to-ship-pode-quase-dobrar-ate-2035/md"
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## Resumo
- Mercado global de energia shore-to-ship pode passar de US$ 2,29 bilhões em 2025 para US$ 4,41 bilhões em 2035.
- A projeção indica CAGR de 6,78%, impulsionado por eletrificação portuária, metas de descarbonização e redes inteligentes.
- Instalações em terra representam 90,3% do mercado, enquanto projetos de retrofit respondem por 75,6%.
- A Ásia-Pacífico lidera com 37% de participação no mercado global.
- Equipamentos a bordo devem crescer a uma taxa anual de 13,9% até 2035.
- Europa, Califórnia e China ampliam exigências e investimentos em infraestrutura de energia portuária.
- Custos de eletricidade, tarifas de rede e investimento médio de US$ 1,99 milhão influenciam a viabilidade dos projetos.

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Um relatório divulgado em **16 de outubro de 2026** projeta que o mercado global de fornecimento de energia shore-to-ship avance de **US$ 2,29 bilhões em 2025** para US$ 4,41 bilhões em 2035, com crescimento anual composto de 6,78%. A expansão alcança portos de diferentes regiões e acompanha metas de descarbonização marítima, programas de eletrificação e adoção de redes inteligentes. Para operadores e autoridades portuárias, a tecnologia reduz a dependência de geradores auxiliares durante a atracação e transforma a conexão elétrica em parte da infraestrutura operacional. A [projeção de mercado](https://www.globenewswire.com/news-release/2026/10/16/3382357/28124/en/global-shore-to-ship-power-supply-market-size-share-trends-and-forecast-2026-2035-port-electrification-and-smart-grids-fuel-6-78-cagr-reaching-4-41-billion.html) coloca a eletrificação dos berços no centro das decisões de investimento da próxima década.

## Eletrificação deixa de ser projeto isolado

A expansão projetada começa pela função operacional do shore-to-ship. Com o navio atracado, a conexão à rede terrestre fornece a energia necessária aos serviços de bordo e reduz o uso contínuo de geradores auxiliares. O relatório associa esse movimento à eletrificação portuária e às redes inteligentes, enquanto soluções de conexão precisam integrar a alimentação em terra à rede local sem interromper as atividades do navio. Essa combinação desloca parte da transição energética para o próprio porto, onde a capacidade elétrica passa a influenciar a qualidade e a escala do atendimento aos navios.

O valor previsto para 2035 indica uma expansão de aproximadamente 92,6% em relação a 2025. A taxa composta anual de **6,78%** mostra um crescimento distribuído ao longo do período, em vez de depender de uma única rodada de projetos. Outra análise, da Precedence Research, calcula o mercado em US$ 2,40 bilhões em 2025 e projeta US$ 4,53 bilhões em 2035, com CAGR de 6,55%. Embora os valores não sejam idênticos, as duas estimativas apontam para a mesma direção: a conexão elétrica de navios tende a sair de instalações pontuais e ganhar escala comercial.

Esse movimento já apresenta concentração geográfica. A **Ásia-Pacífico** responde por 37% do mercado projetado, participação associada à expansão de exigências para portos costeiros e instalações ao longo do rio Yangtze. A liderança regional ocorre ao mesmo tempo em que a Europa acelera investimentos para atender regras ambientais e exigências de infraestrutura. O resultado é uma disputa por capacidade de fornecimento, integração elétrica e padronização de conexões, com os portos precisando planejar a demanda antes que novos berços e frotas elevem a carga sobre a rede.

A composição do mercado reforça a prioridade dada à infraestrutura em terra. As instalações shoreside representam **90,3%** do setor, enquanto projetos de retrofit correspondem a 75,6% das implementações. Isso significa que a expansão depende principalmente da adaptação de portos e navios existentes, e não apenas da construção de novas instalações. O segmento de equipamentos a bordo, por sua vez, deve crescer a uma taxa anual de 13,9% até 2035. A ABB já concluiu o maior projeto de shore power da França, em Toulon, e implantou um sistema de alta voltagem multi-berço em Portsmouth, no Reino Unido. A solução envolve transformadores e conversores de frequência para conectar a embarcação à rede portuária.

## Regulação e preço definem o ritmo

A pressão regulatória acelera a transformação de projetos demonstrativos em instalações de maior escala. Na Europa, o **AFIR** e o FuelEU Maritime criam exigências que aproximam a infraestrutura de energia em terra das decisões de planejamento portuário e renovação de frotas. A QYResearch projeta que o mercado de sistemas de fornecimento de energia para portos alcance US$ 3,033 bilhões até 2032, com CAGR de 9,3%. A estimativa indica uma trajetória mais rápida no curto prazo do que a previsão até 2035, diferença que pode decorrer do recorte específico de sistemas portuários analisado.

O financiamento público também reduz parte da distância entre a exigência regulatória e a execução física. Na Europa, mais de **1,5 bilhão de euros** foi alocado pelo Connecting Europe Facility entre 2021 e 2027 para infraestrutura de energia portuária. Fora do continente, regulamentações de atracação na Califórnia pressionam operadores a instalar conexões compatíveis, enquanto a China ampliou exigências para portos costeiros e para instalações ao longo do rio Yangtze. Essas medidas criam demanda previsível, mas também exigem que terminais dimensionem subestações, pontos de conexão e equipamentos de bordo de acordo com os tipos de navio atendidos.

O custo da eletricidade pode limitar a velocidade dessa adoção mesmo quando a infraestrutura já está disponível. A energia comercial apresenta diferenças amplas entre mercados, e a comparação entre usar a rede em terra ou manter geradores auxiliares depende das tarifas cobradas ao operador. Modelos comerciais distintos, incluindo acordos específicos entre portos e empresas, dificultam a criação de uma referência única de preço. Taxas de rede e encargos de capacidade também entram no cálculo, fazendo com que a viabilidade financeira varie conforme o porto, a frequência de atracações e o volume de energia contratado.

O investimento inicial confirma que a decisão exige planejamento financeiro e operacional integrado. A QYResearch estima em **US$ 1,99 milhão** o preço médio de um sistema instalado, sem eliminar os custos recorrentes de eletricidade, conexão e manutenção. Por isso, a escolha do berço, o perfil dos navios e o modelo tarifário precisam ser analisados em conjunto. Um projeto dimensionado apenas pela capacidade técnica pode encontrar baixa utilização; uma instalação subdimensionada pode limitar a operação e exigir novas obras antes do retorno do investimento.

Até **2035**, o mercado deverá ser definido pela capacidade de transformar metas ambientais em infraestrutura utilizada diariamente. A previsão de crescimento de US$ 2,29 bilhões para US$ 4,41 bilhões mostra espaço para fornecedores de equipamentos, operadores portuários e empresas de energia, mas também expõe a necessidade de tarifas compreensíveis e projetos compatíveis com frotas existentes. A eletrificação dos berços avançará quando conexão, retrofit, rede elétrica e custo de operação forem tratados como uma única decisão de engenharia e negócio, e não como iniciativas separadas.