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title: "Zhoushan conclui abastecimento ship-to-ship com amônia verde"
author: "Redação"
date: "2026-10-17 00:05:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/17/zhoushan-conclui-abastecimento-ship-to-ship-com-amonia-verde/md"
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## Resumo
- Zhoushan concluiu em 13 de outubro de 2026 a primeira operação comercial ship-to-ship com amônia verde.
- O Mineral Europa recebeu 1.000 toneladas do combustível no fundeadouro chinês com apoio do Shenghang Yongle.
- A operação envolveu CEEC Hydrogen Energy, CMB.TECH, Jiangsu Andefu Energy Technology e Shenghang Yongle.
- O combustível saiu do Songyuan Hydrogen Energy Industrial Park e percorreu uma cadeia multimodal até Zhoushan.
- A amônia tinha certificação ISCC EU RFNBO e foi utilizada por um navio com motor WinGD X72DF-A.
- O Mineral Europa seguiu para a Austrália sob contrato com a Fortescue, enquanto a CMB.TECH prevê 21 navios movidos a amônia até 2029.

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Em **13 de outubro de 2026**, o fundeadouro de Zhoushan, na província chinesa de Zhejiang, concluiu a primeira operação comercial de abastecimento ship-to-ship com amônia verde. O procedimento transferiu **1.000 toneladas** ao graneleiro Mineral Europa, da CMB.TECH, com apoio da embarcação Shenghang Yongle. O [abastecimento realizado em Zhoushan](http://en.people.cn/n3/2026/1014/c90000-20508187.html) importa porque reuniu, em uma mesma cadeia, produção, armazenamento, transporte, transferência entre navios e uso do combustível em uma rota comercial internacional.

## Zhoushan leva a amônia verde ao fundeadouro

A transferência ocorreu em um ancoradouro, sem depender da atracação do graneleiro em um berço convencional. O **Mineral Europa** recebeu o combustível diretamente da embarcação especializada Shenghang Yongle, em uma operação concebida para atender um navio movido a amônia. A escala de 1.000 toneladas diferencia o procedimento de uma demonstração limitada e coloca a movimentação dentro da lógica de abastecimento de uma viagem comercial, conectando a instalação portuária à programação marítima do navio.

A origem do combustível foi o Songyuan Hydrogen Energy Industrial Park, ligado à **CEEC Hydrogen Energy**. A cadeia informada para a operação também incluiu a participação da **Jiangsu Andefu Energy Technology**, ao lado da empresa produtora, da CMB.TECH e da Shenghang Yongle. Essa composição reuniu agentes responsáveis por etapas diferentes, desde a preparação e a disponibilidade da amônia verde até a entrega ao navio, transformando o abastecimento em uma operação integrada de suprimento marítimo.

O procedimento estabeleceu **seis marcos mundiais**, entre eles o primeiro contrato de venda take-or-pay de amônia verde para o transporte marítimo e a primeira licença para abastecimento ship-to-ship de amônia líquida. Li Jingguang, presidente da CEEC Hydrogen Energy, afirmou que a operação marcou a **transição da tecnologia de verificação para a aplicação comercial**. A mudança de etapa interessa aos portos porque desloca a discussão da validação técnica para a organização de serviços recorrentes de combustível.

## A cadeia logística saiu da fase de teste

O projeto que forneceu a carga já operava antes do abastecimento em Zhoushan. A primeira fase do Songyuan Hydrogen Energy Industrial Park começou em **dezembro de 2025** e alcançou 80% de carga operacional na unidade de síntese. A produção diária superou **500 toneladas de amônia verde**, volume que ajuda a dimensionar a capacidade de origem necessária para atender navios oceânicos e formar estoques destinados ao abastecimento marítimo.

A logística até o fundeadouro também teve várias etapas. A amônia saiu de **Jilin por transporte rodoviário** até o Porto de Nanjing e depois seguiu por via marítima no Shenghang Yongle até Zhoushan. O combustível utilizado possuía certificação **ISCC EU RFNBO**, enquanto o Mineral Europa emprega o motor WinGD X72DF-A, com injeção direta de alta pressão. A combinação entre rastreabilidade do combustível, transporte multimodal e compatibilidade do motor sustentou a passagem da produção para o uso a bordo.

A necessidade de preparar terminais e embarcações para combustíveis alternativos aparece também em outra iniciativa asiática. No Porto de Ulsan, a Lotte Fine Chemical e a Amogy planejaram usar um terminal para apoiar o abastecimento de navios com amônia verde, em um projeto que inclui a conversão do combustível em hidrogênio. A [experiência de Ulsan](https://tp.scale.press/post/2026/09/14/transicao-energetica-portuaria-avanca-com-shore-power-e-amonia) ainda está estruturada em torno da infraestrutura, enquanto Zhoushan já executou a transferência comercial entre navios e colocou o combustível em uma viagem marítima.

## O próximo teste será a rota comercial

Depois do abastecimento, o Mineral Europa seguiu para a **Austrália**, onde realizará transporte comercial de minério de ferro sob contrato com a Fortescue. Esse deslocamento dá continuidade operacional ao abastecimento feito em Zhoushan, pois o navio não permaneceu em uma área de testes nem encerrou sua missão após a transferência. A viagem conecta o combustível produzido na China ao transporte internacional de carga a granel e permite observar a utilização da amônia em uma operação marítima prevista em contrato.

A CMB.TECH também prevê ampliar sua frota movida a amônia para **21 navios até 2029**. O plano cria uma referência para a expansão da infraestrutura de abastecimento, já que o crescimento da frota depende de pontos capazes de receber, armazenar, transportar e transferir o combustível com regularidade. Para os portos, a operação de Zhoushan oferece um modelo que combina uma embarcação abastecedora, um navio com motor compatível e uma cadeia de fornecimento certificada.

Zhoushan encerrou a operação com um encadeamento que vai da produção renovável ao uso marítimo: a amônia foi produzida com eletricidade renovável, recebeu certificação, percorreu uma rota multimodal e foi transferida em fundeadouro para um graneleiro em serviço comercial. O próximo passo já está definido pela viagem do Mineral Europa à Austrália e pela previsão de expansão da frota da CMB.TECH até **2029**. A experiência mostra que a adoção do combustível depende da conexão entre navio, terminal, embarcação de abastecimento e contratos de transporte, e não apenas da disponibilidade da molécula.