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title: "Velas de sucção avançam na propulsão assistida por vento"
author: "Redação"
date: "2026-10-20 07:12:00-03"
category: "Internacional"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/20/velas-de-succao-avancam-na-propulsao-assistida-por-vento/md"
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## Resumo
- Pacific Sentinel e Pacific Sunstone receberam três velas de sucção de 22 metros cada.
- A instalação marcou a primeira utilização dessa tecnologia pela frota da Eastern Pacific Shipping.
- O fundo FEET oferece até 100% do financiamento inicial no modelo pay-as-you-save.
- O FEET assegurou compromissos de até US$ 35 milhões para retrofits marítimos.
- A metodologia do GCMD analisou 276 milhões de dados coletados em 2025.
- As fontes ainda não apresentam dados de economia de combustível ou redução de emissões para os dois navios.
- O fundo pretende alcançar US$ 500 milhões e apoiar aproximadamente 200 embarcações até 2030.

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A **Eastern Pacific Shipping (EPS)** equipou os navios Pacific Sentinel e Pacific Sunstone com sistemas de propulsão assistida pelo vento financiados pelo Global Centre for Maritime Decarbonisation (GCMD), pela AIM Horizon Investments e pela própria companhia. Cada embarcação recebeu três velas de sucção de 22 metros, na primeira utilização desse sistema pela frota da EPS. O projeto de avaliação associado teve cronograma entre o terceiro trimestre de 2024 e o segundo trimestre de 2026, enquanto a instalação coloca o retrofit e a medição de desempenho no centro da adoção de tecnologias de eficiência energética marítima.

## O vento entra pela rota do retrofit

O equipamento instalado nos dois navios pertence à categoria de propulsão assistida pelo vento. Trata-se de uma modernização aplicada a embarcações existentes, e não da construção de uma nova classe de navios ou da troca imediata do combustível utilizado a bordo. As três velas de sucção de cada unidade acrescentam uma fonte auxiliar de propulsão ao conjunto operacional, mantendo o foco da iniciativa na redução do consumo energético por meio do aproveitamento das condições de vento.

Essa distinção evita misturar tecnologias com funções diferentes. A informação disponível descreve a instalação de velas de sucção e não anuncia motores movidos por combustíveis alternativos, baterias para propulsão ou conexão elétrica como parte do projeto dos dois navios. O objetivo comunicado está associado à eficiência energética do transporte marítimo, enquanto combustíveis de menor emissão e eletrificação pertencem a outras frentes de transição tecnológica.

A iniciativa também marca uma mudança dentro da própria **EPS**. Cada embarcação recebeu três equipamentos de 22 metros, e essa foi a primeira vez que a frota da companhia utilizou velas de sucção. A adoção inicial funciona como uma etapa de aprendizagem operacional para a empresa, especialmente porque o desempenho precisa ser observado em condições reais de navegação antes que a solução seja replicada em outros navios.

## O financiamento acompanha a economia

O **Fund for Energy Efficiency Technologies**, conhecido como FEET, oferece até 100% do financiamento inicial por meio do modelo "pay-as-you-save". Os pagamentos são vinculados a economias de combustível verificadas de forma independente. A estrutura desloca parte da pressão financeira do armador para o desempenho comprovado do equipamento, pois o desembolso passa a acompanhar o resultado energético medido durante a operação.

O fundo FEET assegurou compromissos de até **US$ 35 milhões** para financiar modernizações em navios. Estabelecido pelo GCMD e pela AIM Horizon Investments, o fundo superou sua meta inicial de captação e foi apresentado como o primeiro fundo do mundo voltado a retrofits de embarcações com mecanismo de pagamento baseado na economia obtida. A finalidade declarada é reduzir a barreira financeira que costuma retardar a instalação de tecnologias de eficiência em navios já construídos.

O FEET utiliza uma estrutura de capital misto formada por dívida sênior, capital preferencial, capital comercial e capital catalítico. O modelo permite o leasing não garantido de 100% dos custos de retrofit, que variam tipicamente entre **US$ 1 milhão e US$ 5 milhões**. O fundo concentra sua atuação em tecnologias como propulsão assistida pelo vento e lubrificação a ar, que podem oferecer reduções de emissões de até 20%, embora esse percentual não tenha sido informado para o Pacific Sentinel ou o Pacific Sunstone.

## A medição separa promessa de resultado

O GCMD atuou como consultor de descarbonização na iniciativa e utilizou uma metodologia que analisou **276 milhões de dados coletados em 2025** para validar o desempenho da tecnologia. O Development Bank of Japan, o DBS Bank e o ING apoiam a iniciativa, conectando a avaliação técnica a uma estrutura financeira voltada para retrofits. A metodologia e o financiamento caminham juntos porque o pagamento depende de uma economia que precisa ser verificada.

O projeto piloto do GCMD concentrou-se na análise estatística para isolar e quantificar a economia de energia derivada das velas de sucção instaladas no Pacific Sentinel. O cronograma informado para esse trabalho vai do terceiro trimestre de 2024 ao segundo trimestre de 2026. A descrição do [projeto piloto do GCMD](https://gcformd.cldy.asia/projects/energy-efficiency-technology-performance-pilot-1/) mostra que a etapa de medição foi desenhada para servir de base metodológica a futuros projetos do FEET.

Até o momento, os dados divulgados confirmam o financiamento e a instalação dos equipamentos, mas não apresentam um percentual de economia de combustível ou de redução de emissões atribuído aos dois navios. Essa ausência impede transformar a capacidade potencial da tecnologia em resultado operacional comprovado para o Pacific Sentinel e o Pacific Sunstone. O dado disponível é a existência de uma metodologia de validação, não o balanço final de desempenho de cada embarcação.

## Escala depende de dados comparáveis

A próxima etapa anunciada pelo FEET é ampliar sua capacidade para **US$ 500 milhões até 2030**, com a intenção de apoiar aproximadamente 200 embarcações. A meta altera a dimensão da iniciativa, que deixa de se limitar a dois navios e passa a mirar uma carteira de retrofits em escala internacional. Para sustentar essa expansão, o mecanismo de pagamento precisa manter critérios consistentes de medição entre tipos de embarcação, rotas e condições de operação.

O caso da EPS fornece uma referência inicial para essa expansão porque reúne instalação física, financiamento e tratamento estatístico dos dados. A experiência do Pacific Sentinel está sendo usada como base metodológica para projetos futuros, enquanto o Pacific Sunstone amplia a aplicação da tecnologia para além de uma única embarcação. O ponto de conexão entre os dois navios é a tentativa de financiar o retrofit a partir da economia que o próprio equipamento deverá produzir.

O avanço das velas de sucção, portanto, será medido menos pelo número de equipamentos instalados do que pela qualidade da comprovação operacional. O FEET já estabeleceu a meta financeira e o horizonte de 2030, mas os resultados divulgados para os dois navios ainda não informam quanto combustível foi economizado ou quantas emissões foram evitadas. A expansão dependerá da transformação desses dados em pagamentos verificáveis e em referências confiáveis para novos armadores.

O projeto reúne uma tecnologia de propulsão auxiliar, um modelo de financiamento condicionado ao desempenho e uma metodologia estatística para avaliar o uso do vento em navios existentes. **Pacific Sentinel** e **Pacific Sunstone** inauguram essa aplicação na frota da EPS, mas ainda não oferecem, nas informações publicadas, números finais de economia ou emissões que permitam medir o resultado da instalação.

O próximo passo concreto é concluir a validação do desempenho e usar os resultados para orientar novos contratos de retrofit. Se a medição confirmar economias suficientes para sustentar o modelo "pay-as-you-save", a meta de chegar a 200 embarcações até 2030 ganhará uma base operacional mais clara. Até lá, a força da iniciativa está na combinação entre financiamento integral do retrofit e verificação independente, enquanto a prova definitiva continuará sendo dada pelos dados de navegação e consumo.