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title: "VTMIS de Santos e autonomia naval aceleram gestão marítima"
author: "Redação"
date: "2026-10-20 07:12:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/20/vtmis-de-santos-e-autonomia-naval-aceleram-gestao-maritima/md"
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## Resumo
- A APS e a Marinha do Brasil firmaram acordo técnico para implantar o VTMIS na região da Ilha da Moela.
- O projeto prevê radar, estação meteorológica, câmeras e antenas para monitorar o tráfego marítimo.
- Quatro estações estratégicas usarão energia solar fotovoltaica no Porto de Santos.
- O contrato do VTMIS soma R$ 88,99 milhões e prevê operação parcial em 2027.
- A HD Hyundai testou uma embarcação não tripulada de 368 toneladas na costa da Califórnia.
- O teste sul-coreano usou os sistemas VAone e Lattice para navegação autônoma e gerenciamento de missão.
- As fontes tratam de projetos distintos e não associam o VTMIS de Santos ao controle de embarcações autônomas.

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Em junho de 2025, a **Autoridade Portuária de Santos (APS)** e a **Marinha do Brasil** formalizaram um acordo técnico para implantar o Sistema de Gerenciamento de Tráfego de Embarcações (VTMIS) na região da Ilha da Moela, com o objetivo de acompanhar a navegação e integrar informações de segurança. Em outubro de 2026, a sul-coreana **HD Hyundai** realizou na costa da Califórnia um teste de embarcação de superfície não tripulada voltado à navegação autônoma. As duas frentes apontam para a digitalização da gestão marítima, mas pertencem a projetos separados e não estabelecem que o VTMIS de Santos será usado para operar embarcações autônomas.

## Ilha da Moela vira ponto de observação

Para viabilizar o monitoramento, o acordo permite que a **APS** instale um radar marítimo e uma estação meteorológica na Ilha da Moela, área sob jurisdição da **Marinha**. O primeiro equipamento amplia a capacidade de acompanhar a movimentação das embarcações, enquanto o segundo acrescenta informações sobre as condições que influenciam a navegação. A combinação cria uma base de dados mais adequada para a leitura do tráfego, conectando posição dos navios e condições ambientais na entrada do complexo santista.

Além desses recursos, a infraestrutura prevê **câmeras** de monitoramento e **antenas** para transmitir os dados às estruturas de controle. A utilidade operacional do VTMIS depende dessa comunicação contínua, porque a identificação de uma embarcação precisa chegar às equipes responsáveis pela supervisão do tráfego. A proposta desloca o controle de informações isoladas para uma visão integrada da movimentação marítima, preparando a conexão com as demais estações previstas para o porto.

Essa cobertura será distribuída por **quatro estações estratégicas**, localizadas na Ilha da Moela, no Morro do Tejereba, na Ilha Barnabé e na Serra do Mar. As unidades utilizarão **energia solar fotovoltaica**, uma escolha que permite instalar equipamentos de monitoramento em pontos afastados da infraestrutura convencional de energia. A distribuição geográfica amplia a área observada e dá ao sistema condições para acompanhar diferentes trechos do Porto de Santos, em vez de concentrar a leitura em um único ponto.

## Contrato dá prazo ao VTMIS

Na etapa de contratação, a APS assinou um acordo de **R$ 88,99 milhões** com o **Consórcio Portulano** para executar obras, fornecer equipamentos e prestar serviços durante cinco anos. O contrato transforma o entendimento firmado com a Marinha em um programa de implantação com escopo definido. Para profissionais de operações portuárias, essa passagem é decisiva porque associa a instalação física dos sensores à manutenção e ao funcionamento continuado do sistema.

A expectativa é que o VTMIS entre em **operação parcial em 2027**, com foco na redução de colisões, na maior agilidade do fluxo de navios e na repressão a ilícitos. A solução também deverá apoiar uma sala de situação capaz de reunir informações de diferentes órgãos públicos. A integração permite que eventos observados no tráfego sejam analisados de forma coordenada, aproximando a gestão náutica das atividades de fiscalização e segurança que já ocorrem no complexo portuário.

O cronograma de implantação foi reduzido de **quatro para dois anos** por meio de estudos e acordos prévios, uma preparação que antecedeu a execução do contrato. Esse histórico ajuda a explicar por que a infraestrutura prevista para Santos combina obras, sensores e integração institucional em um mesmo programa. A evolução do prazo também coloca 2027 como referência para medir se o projeto conseguirá converter planejamento técnico em monitoramento assistido e, depois, em operação regular.

## HD Hyundai testa outro nível de automação

A experiência internacional ocorreu em outra frente tecnológica. Em outubro de 2026, a **HD Hyundai** demonstrou durante **3,5 horas** uma embarcação de superfície não tripulada de 368 toneladas na costa da Califórnia, em parceria com a **Anduril Industries**. O teste foi concebido para verificar capacidades aplicadas a missões navais sem tripulação a bordo, sob acompanhamento de uma estrutura de controle em terra.

A embarcação utilizou o software **VAone**, desenvolvido pela HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering, para demonstrar navegação autônoma e resposta a danos. A primeira função permite que o sistema conduza a embarcação sem depender de comandos manuais contínuos; a segunda testa a reação diante de ocorrências que possam comprometer a operação. O resultado mostra uma aplicação diferente daquela prevista para o VTMIS santista, que foi concebido para acompanhar o tráfego marítimo e organizar informações operacionais.

A demonstração também empregou a plataforma **Lattice**, da Anduril, para o gerenciamento de missão, enquanto um centro de controle em terra acompanhava a atividade em tempo real. A **HD Hyundai** pretende integrar programas de embarcações não tripuladas da Marinha dos Estados Unidos e ampliar sua presença no mercado global de defesa autônoma. O teste, portanto, está ligado à operação de veículos navais sem tripulação e ao setor de defesa, não à implantação do sistema de tráfego do Porto de Santos.

## Duas camadas para a gestão marítima

As duas iniciativas operam em níveis diferentes da digitalização marítima. O **VTMIS de Santos** reúne dados de sensores distribuídos para melhorar a consciência situacional sobre navios que circulam pelo porto, enquanto o teste da HD Hyundai verificou a capacidade de uma embarcação executar tarefas com autonomia. A aproximação entre os casos está no uso de dados, comunicação e controle em tempo real, não na existência de uma arquitetura tecnológica compartilhada ou de um contrato comum.

O próximo marco brasileiro permanece associado à **operação parcial prevista para 2027**. Até lá, a implantação precisa conectar as estações, organizar o fluxo de informações e colocar a sala de situação em condição de apoiar os órgãos envolvidos. A finalidade anunciada para Santos é reduzir riscos de navegação, acelerar a circulação de navios e combater ilícitos. Nenhuma das fontes indica que o VTMIS receberá funções de comando autônomo sobre embarcações.

Na frente internacional, o passo seguinte da **HD Hyundai** é buscar a integração de seus sistemas aos programas de embarcações não tripuladas da Marinha dos Estados Unidos. Santos avança na observação coordenada do tráfego; a indústria naval sul-coreana testa a execução autônoma de missões. A distinção evita confundir monitoramento portuário com condução independente de navios e mostra como a transformação digital marítima reúne aplicações distintas, cada uma com requisitos próprios de segurança, controle e governança.