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title: "Interoperabilidade portuária mede ganhos da digitalização"
author: "Redação"
date: "2026-10-22 19:21:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/22/interoperabilidade-portuaria-mede-ganhos-da-digitalizacao/md"
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## Resumo
- A missão da CODEBA, CODERN e do Porto de Maceió à Espanha abordou Port Community Systems, integração de dados e segurança portuária.
- A CODEBA projeta R$ 471 milhões em receitas consolidadas e R$ 150 milhões em investimentos para 2026.
- A Ghana Maritime Authority defendeu a troca de dados entre sistemas aduaneiros e plataformas de monitoramento do tráfego de embarcações.
- A adoção de conhecimentos de embarque eletrônicos chegou a 51,1%, mas somente 11,2% dos participantes abandonaram totalmente o papel.
- A pesquisa da BCG e da TIC4.0 mostrou que 44% dos portos avançaram na IA, enquanto 4% registraram ganhos financeiros mensuráveis.
- ROI incerto, qualidade dos dados e integração de sistemas estão entre os principais obstáculos à inteligência artificial portuária.
- A falta de uma API universal limita a expansão de plataformas de agendamento baseadas em IA.

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Em **outubro de 2026**, gestores da CODEBA, CODERN e do Porto de Maceió visitaram a Espanha para conhecer soluções de digitalização e segurança portuária. A missão brasileira ocorreu no mesmo período em que a Ghana Maritime Authority defendeu maior coordenação entre sistemas digitais e em que pesquisas internacionais mediram o avanço dos conhecimentos de embarque eletrônicos e da inteligência artificial. As iniciativas convergem em um ponto: a transformação digital portuária depende da conexão entre plataformas, órgãos e fluxos de dados para converter automação em eficiência operacional mensurável.

## A visita brasileira expõe o gargalo

Durante a visita à Espanha, a agenda dos gestores brasileiros concentrou-se em **Port Community Systems** e na integração de dados relacionados às manobras de praticagem. A missão também tratou da segurança portuária e da gestão integrada, temas que exigem que informações produzidas por diferentes participantes circulem dentro de uma mesma arquitetura. A [agenda técnica na Espanha](https://jornalgrandebahia.com.br/2026/10/missao-de-portos-do-nordeste-a-espanha-mira-digitalizacao-seguranca-de-dados-e-gestao-integrada-codeba-projeta-r-471-milhoes-em-receita) oferece uma perspectiva brasileira sobre como organizar esses fluxos antes de ampliar aplicações digitais mais sofisticadas.

O tamanho dos planos da CODEBA ajuda a dimensionar a necessidade de integração. A companhia projeta **R$ 471 milhões** em receitas consolidadas para 2026 e prevê **R$ 150 milhões** em investimentos. Esses valores não descrevem, por si só, o retorno de cada solução tecnológica, mas mostram por que a gestão de dados entra na pauta de planejamento portuário. Quando informações de praticagem, segurança e operação permanecem separadas, a autoridade perde parte da capacidade de acompanhar o efeito dos investimentos sobre o funcionamento do porto.

A experiência brasileira encontra paralelo em Gana. Em workshop realizado em **19 de outubro de 2026**, a Ghana Maritime Authority afirmou que disputas institucionais sobre a propriedade de plataformas digitais prejudicam a eficiência. A autoridade defendeu o fortalecimento do intercâmbio de dados entre o Integrated Customs Management System e os sistemas de monitoramento do tráfego de embarcações. O caso mostra que a interoperabilidade envolve regras de coordenação e responsabilidade sobre os dados, além da instalação de uma nova ferramenta.

## O documento digital ainda encontra fronteiras

O estágio dos conhecimentos de embarque eletrônicos confirma que a integração ainda avança de forma desigual. Uma pesquisa da FIT Alliance apontou adoção de **51,1%** em 2026, mas somente **11,2%** dos participantes haviam abandonado totalmente o papel. A diferença indica que a presença de uma solução eletrônica não significa que todas as etapas do fluxo documental operem digitalmente. A transferência e a verificação de documentos entre plataformas e jurisdições continuam como o principal obstáculo.

Esse problema aparece com força quando o documento precisa atravessar empresas, países e sistemas que não utilizam os mesmos padrões. A pesquisa identificou também baixa adesão do setor bancário, de **22,2%**, o que limita a continuidade digital de operações que dependem de validações financeiras. O conhecimento de embarque eletrônico pode circular em uma plataforma, mas perde parte do ganho quando a contraparte precisa converter o arquivo, conferir sua autenticidade em outro ambiente ou voltar ao papel.

A dificuldade documental ajuda a explicar por que a inteligência artificial enfrenta barreiras semelhantes. O estudo da BCG e da TIC4.0, realizado com **100 profissionais**, mostrou que 44% dos portos avançaram na implementação de IA, enquanto apenas 4% relataram ganhos financeiros mensuráveis. A distância entre adoção e resultado econômico desloca o foco da novidade tecnológica para a qualidade da base de dados e para a capacidade de conectar sistemas que sustentam a operação.

## Eficiência precisa de uma arquitetura comum

Os dados da pesquisa da BCG e da TIC4.0 detalham o custo da fragmentação. O retorno sobre investimento incerto foi apontado por **41%** dos participantes como o principal obstáculo à IA, seguido pela qualidade dos dados, com 32%, e pela integração de sistemas, com 30%. Apenas 11% dos portos acompanham de forma sistemática a contribuição da IA para a eficiência ou para as margens. A [pesquisa sobre adoção de IA nos portos](https://smartmaritimenetwork.com/2026/10/22/bcg-study-identifies-gaps-in-port-industry-ai-adoption) mostra que medir resultado depende de relacionar a aplicação tecnológica aos indicadores operacionais e financeiros.

Até agora, os benefícios mais citados permanecem dentro da operação: eficiência, decisões mais rápidas e redução de custos. A experiência do cliente aparece menos integrada à avaliação dos projetos. Essa concentração sugere que o porto consegue automatizar uma tarefa sem necessariamente acompanhar o percurso completo da informação entre os participantes. Sem uma medição comum, cada terminal ou órgão pode declarar eficiência em seu próprio sistema, enquanto o fluxo total continua acumulando verificações, duplicidade de registros e pontos de espera.

O Porto de Tianjin oferece uma referência de como a integração pode ser associada a indicadores operacionais. O uso de inteligência artificial permitiu uma taxa de atracação direta de **99,2%**, enquanto o serviço Jingangtong processa mais de **98% das operações de contêineres online**. A discussão técnica realizada em Tianjin aponta agora para a passagem de aplicações inteligentes isoladas à coordenação global dos sistemas. Essa transição exige planejamento de longo prazo e competências internas, fatores que especialistas também apontam como obstáculos maiores que a tecnologia isolada.

O próximo passo indicado pelos estudos é criar padrões que permitam a comunicação entre plataformas. Um relatório sobre portos inteligentes aponta a redução do planejamento operacional de horas para minutos como meta para 2026 e identifica a falta de uma **API universal** como principal gargalo para ampliar plataformas de agendamento baseadas em IA. A análise sobre operações orientadas por sensores acrescenta que o valor de sensores e gêmeos digitais depende de sua integração em um sistema unificado. A digitalização, portanto, precisa ser desenhada como uma arquitetura compartilhada, com responsabilidades e métricas definidas desde o início.

As iniciativas reunidas apontam para uma mudança de prioridade no setor portuário. A missão brasileira, a posição da autoridade marítima de Gana e os dados sobre documentos eletrônicos mostram que instalar plataformas separadas não resolve a circulação de informações. O próximo passo concreto está na padronização de dados, na definição de responsabilidades entre instituições e na criação de conexões capazes de preservar o fluxo digital entre jurisdições. Para os portos brasileiros, a agenda da CODEBA, da CODERN e do Porto de Maceió oferece uma oportunidade de vincular os investimentos previstos a resultados que possam ser acompanhados na operação e nas receitas.