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title: "Simulações e cibersegurança testam operações portuárias críticas"
author: "Redação"
date: "2026-10-22 19:23:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/22/simulacoes-e-ciberseguranca-testam-operacoes-portuarias-criticas/md"
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## Resumo
- A TCP participou de simulações no TPN-USP entre 8 e 10 de setembro de 2025.
- O exercício brasileiro reuniu TCP, Portos do Paraná, Marinha e Praticagem para revisar o calado operacional do Porto de Paranaguá.
- A meta analisada foi ampliar o calado de 12,80 metros para 13,30 metros.
- Foram testadas manobras com porta-contêineres de até 368 metros de LOA e 51 metros de boca.
- Na Irlanda, a MTU e as Forças de Defesa neutralizaram um ataque cibernético simulado contra um porto e um navio.
- O desafio irlandês treinou identificação de ataques, retomada do controle do navio e apoio à Europol.
- Os exercícios mostram como ambientes controlados ajudam a preparar respostas físicas e digitais antes de ocorrências reais.

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Entre **setembro de 2025 e outubro de 2026**, exercícios realizados no Brasil e na Irlanda usaram ambientes controlados para preparar operações portuárias antes de situações reais. A **TCP** participou de manobras de atracação no Tanque de Provas Numéricos da USP, enquanto a **MTU** e as Forças de Defesa da Irlanda testaram a resposta a um ataque cibernético simulado em Cork. As iniciativas não têm relação direta, mas permitem comparar duas dimensões da preparação: a validação física de movimentos de navios e a recuperação do controle de sistemas digitais.

## O teste físico antes da ampliação

Entre **8 e 10 de setembro de 2025**, representantes da TCP e da Portos do Paraná participaram de simulações no **TPN-USP**. A Marinha e a Praticagem também integraram a atividade, que reproduziu manobras de atracação e desatracação no ambiente controlado da Universidade de São Paulo. O objetivo foi coletar dados para revisar a portaria do calado operacional do canal de acesso ao Porto de Paranaguá. O exercício colocou a análise técnica antes de qualquer mudança operacional, como mostra a [descrição da simulação no TPN-USP](https://www.portosenavios.com.br/noticias/portos-e-logistica/tcp-participa-de-simulacao-de-manobras-de-atracacao-no-tpn-usp).

A variável central do trabalho era o aumento do calado operacional de **12,80 metros para 13,30 metros**. Para avaliar essa possibilidade, os participantes testaram manobras com porta-contêineres de até **368 metros de LOA** e 51 metros de boca. A combinação entre profundidade operacional, dimensões dos navios e movimentos de entrada e saída forneceu os parâmetros examinados pela equipe. O teste, portanto, foi desenhado para produzir dados específicos sobre a interação entre as embarcações e o canal de acesso.

O uso do **Tanque de Provas Numéricos** organizou a avaliação em torno de situações de atracação e desatracação previamente definidas. Em vez de limitar a revisão do calado a uma estimativa, a atividade permitiu observar os efeitos de navios de grande porte dentro dos testes realizados. Para o Porto de Paranaguá, essa abordagem vincula uma possível ampliação operacional a medições obtidas com a participação do terminal, da autoridade portuária, da Marinha e dos práticos. O resultado esperado da simulação é apoiar tecnicamente a revisão do calado do canal.

## A resposta digital também é treinada

Na Irlanda, o exercício realizado em **outubro de 2026** levou a preparação para o ambiente digital. No Nimbus Research Centre, em Cork, pesquisadores da **MTU** e as Forças de Defesa replicaram um ataque contra um porto e um navio. A atividade simulou uma situação em que a tripulação perdia o controle da embarcação, e os participantes conseguiram neutralizar a ofensiva dentro do exercício. O relato da [Marine Institute](https://marine-ireland.ie/node/2129) descreve a iniciativa como parte do treinamento para proteger infraestruturas marítimas.

A simulação foi projetada pela **Airbus** em colaboração com a MTU e reuniu a Marinha Irlandesa, estudantes e especialistas em cibersegurança. A composição colocou lado a lado pessoas com funções distintas na resposta a um incidente digital. Para os estudantes, o exercício ofereceu contato com uma ocorrência portuária virtualizada; para as forças de defesa e os pesquisadores, criou uma situação de coordenação com perda de controle da embarcação. A preparação foi organizada para reproduzir a interação entre sistemas portuários, navio e equipes de resposta.

A edição também envolveu **cinco equipes** formadas por integrantes da Marinha Irlandesa, pesquisadores e estudantes do Cyber Innovate. O desafio exigiu a identificação dos pontos de ataque, a retomada do controle do navio e o apoio à Europol na identificação dos criminosos. A atividade faz parte da série **Smart Maritime Cybersecurity Challenge**, realizada pela MTU desde 2024 com uso de uma infraestrutura de cyber-range e exercícios desenhados pela Airbus. A recorrência permite treinar respostas digitais em ambientes portuários sem transferir o risco para instalações ou operações reais.

## Duas frentes para a mesma preparação

A diferença entre os exercícios está no objeto testado. No Brasil, a **simulação física** concentrou-se no comportamento de porta-contêineres durante atracação e desatracação, com atenção ao calado do canal de acesso. Na Irlanda, o **exercício digital** avaliou a reação a um ataque que retirava da tripulação o controle da embarcação. A comparação não estabelece uma relação direta entre as iniciativas, mas mostra que a preparação portuária pode começar pela reprodução controlada do problema que se pretende administrar.

As variáveis examinadas também indicam como cada tipo de teste produz informação operacional. No TPN-USP, as dimensões dos navios, o calado pretendido e as manobras forneceram dados para a revisão de uma portaria. No cyber-range da MTU, os participantes precisaram localizar pontos de ataque, recuperar o controle e apoiar a identificação dos responsáveis. Em ambos os casos, o exercício transforma uma situação de risco em uma sequência observável de ações, decisões e respostas antes que a operação dependa de uma reação improvisada.

Os próximos passos já aparecem de forma diferente em cada iniciativa. Em Paranaguá, os dados coletados foram direcionados à revisão do calado operacional, com a meta de passar de **12,80 metros para 13,30 metros**. Na Irlanda, a realização recorrente do desafio desde **2024** mantém a resposta cibernética dentro de uma rotina de treinamento acadêmico, militar e industrial. Para o setor portuário, os dois casos deixam uma referência prática: mudanças físicas precisam de testes compatíveis com os navios envolvidos, enquanto a digitalização exige exercícios repetidos para recuperar sistemas e coordenação quando o controle é comprometido.