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title: "Etanol entra na rotina de abastecimento de navios em Santos"
author: "Redação"
date: "2026-10-24 07:40:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/24/etanol-entra-na-rotina-de-abastecimento-de-navios-em-santos/md"
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## Resumo
- Porto de Santos iniciou o abastecimento regular de navios com etanol anidro em 19 de outubro de 2026.
- A operação reúne CMA CGM, Copersucar, Bunker One, AGEO Terminais, Santos Brasil e Autoridade Portuária de Santos.
- O CMA CGM Iron, porta-contêineres de 13.000 TEU, utiliza motor tricombustível compatível com etanol, metanol e VLSFO.
- O contrato prevê cerca de 10 milhões de litros de etanol anidro em sete abastecimentos até o fim de 2026.
- A frota potencial inclui 159 embarcações com motores preparados para metanol, com previsão de mais de 450 navios desse tipo até 2030.
- O etanol pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% frente ao bunker tradicional, mas custa entre US$ 300 e US$ 400 por tonelada a mais que o VLSFO.
- A Copersucar projeta fornecer 200 milhões de litros ao setor marítimo em 2027 e avalia expandir as vendas para Singapura.

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Em **19 de outubro de 2026**, o Porto de Santos iniciou uma etapa regular de abastecimento de navios com etanol anidro, após uma operação de teste realizada em julho. A **CMA CGM**, a **Copersucar** e a **Bunker One** conduzem o acordo comercial com apoio da Autoridade Portuária de Santos, da AGEO Terminais e da Santos Brasil. O movimento cria uma rota operacional para um combustível de baixo carbono destinado a navios com motores preparados para diferentes combustíveis. A [entrada do etanol na rotina de abastecimento](https://www.guiamaritimo.com.br/noticias/maritimo/cma-cgm-copersucar-bunker-one-etanol-abastecimento-regular) amplia o papel de Santos na infraestrutura marítima voltada à redução de emissões.

## Santos troca o teste pela rotina

A passagem para o fornecimento regular ocorreu depois que as empresas envolvidas validaram a operação inicial com o **CMA CGM Iron**. O navio porta-contêineres tem capacidade para **13.000 TEU** e utiliza um motor tricombustível, capaz de operar com etanol, metanol ou VLSFO. Essa configuração permite testar o novo combustível sem restringir a embarcação a uma única alternativa energética. A Autoridade Portuária de Santos oficializou o modelo junto com as empresas participantes, conectando a experiência de bordo à estrutura comercial do porto.

Na primeira operação comercial regular, o **CMA CGM Iron** recebeu o combustível dentro de um programa que prevê novos abastecimentos até o fim de 2026. O contrato entre a CMA CGM, a Copersucar e a Bunker One estabelece **sete abastecimentos** no Porto de Santos. A regularidade altera a natureza do projeto, que deixa de ser apenas uma demonstração técnica e passa a exigir planejamento de volume, armazenagem, transporte e janela operacional. Esse compromisso também fornece dados para avaliar o comportamento do etanol em uma rotina portuária com escala comercial.

Por trás da transferência para o navio existe uma cadeia integrada de serviços. A **Evolua Etanol** responde pelo transporte do produto, a **AGEO Terminais** participa da armazenagem e a Bunker One executa o abastecimento. A Santos Brasil recebe as operações em seu terminal, enquanto a Autoridade Portuária coordena o ambiente institucional do porto. A divisão de responsabilidades mostra que a adoção de um combustível alternativo depende tanto da adaptação do motor quanto da conexão entre os elos terrestres e marítimos.

## A escala começa pela compatibilidade

O mercado potencial não se limita ao navio utilizado na operação inicial. Já existem **159 embarcações** com motores preparados para metanol que também podem utilizar etanol, segundo a referência usada para a pauta. A previsão é de mais de **450 navios com essa tecnologia até 2030**, número que indica uma possível expansão da demanda, sem significar que todos esses navios já tenham contratos de abastecimento. A evolução da frota compatível será acompanhada pela capacidade dos portos de oferecer o combustível com segurança e regularidade.

Essa compatibilidade foi testada antes do início do contrato regular. Em julho de 2026, o **CMA CGM Iron** recebeu **650 mil litros de etanol anidro** em uma operação pioneira no Brasil. A Copersucar estima que o uso do combustível pode reduzir em 70% as emissões de gases de efeito estufa na comparação com o bunker tradicional. O resultado projetado ajuda a explicar o interesse na solução, enquanto a repetição das operações permitirá verificar a sua aplicação em diferentes escalas de abastecimento.

A experiência inicial foi convertida em um compromisso de volume para os meses seguintes. O acordo prevê a movimentação de cerca de **10 milhões de litros de etanol anidro** até o final de 2026, distribuídos em sete abastecimentos. Para a operação portuária, esse volume exige coordenação entre estoque, transporte e disponibilidade da barcaça. Para a indústria de combustíveis, cria uma referência concreta de consumo marítimo e prepara a discussão sobre contratos de maior duração.

## Etanol chega com custo e exigência operacional

O abastecimento ocorre no terminal da **Santos Brasil** com uma barcaça adaptada pela Bunker One. A empresa também aplica um protocolo específico de segurança porque o etanol tem **baixo ponto de fulgor**. Esse requisito influencia os procedimentos de transferência, a preparação da equipe e o controle da operação ao lado do navio. A experiência de Santos, portanto, combina a disponibilidade de infraestrutura com regras próprias para o manuseio do combustível.

A principal barreira econômica está no preço do produto entregue a bordo. O **etanol anidro** custa entre US$ 300 e US$ 400 por tonelada a mais que o VLSFO na mesma base energética. Essa diferença afeta a decisão do armador e exige que os ganhos ambientais sejam avaliados junto com o custo total da viagem. A formação de uma rotina de abastecimento poderá gerar dados comerciais e operacionais, mas não elimina a necessidade de comparar o combustível alternativo com as opções já disponíveis.

A Copersucar projeta fornecer **200 milhões de litros** ao setor marítimo em 2027 e estuda levar o produto a outros países, incluindo Singapura. O próximo passo dependerá da combinação entre navios compatíveis, capacidade de abastecimento e disposição dos armadores para absorver o custo adicional. Santos já tem uma operação regular, uma cadeia logística definida e um contrato inicial em execução. Mesmo com as limitações econômicas, a iniciativa acrescenta uma solução brasileira à transição tecnológica do transporte marítimo e cria espaço para que o país amplie sua participação nesse mercado.