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title: "Shore power avança por obras e cooperação entre portos"
author: "Redação"
date: "2026-10-24 07:43:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/24/shore-power-avanca-por-obras-e-cooperacao-entre-portos/md"
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## Resumo
- Leixões recebeu um aviso de 7,2 milhões de euros para instalar sistemas OPS em terminais de contêineres e passageiros.
- O projeto português terá cofinanciamento de até 85% e busca reduzir emissões e ruído durante a atracação.
- O Plano Estratégico do Porto de Leixões prevê 94,3 milhões de euros para descarbonização e transição energética até 2035.
- Onze autoridades portuárias do Caribe visitaram Malta em outubro de 2026 para estudar a infraestrutura local de shore power.
- O Grand Harbour possui 17 pontos de conexão para navios de cruzeiro e recebeu 25 milhões de euros na primeira fase.
- Malta planeja ampliar a eletrificação para a zona sul do porto e para o Malta Freeport.
- Os casos mostram a combinação entre financiamento de obras, compatibilidade técnica e cooperação institucional.

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Portos de Portugal e Malta estão seguindo caminhos diferentes para ampliar o fornecimento de energia em terra a navios atracados. Em Leixões, o governo português abriu um aviso de **7,2 milhões de euros**, com cofinanciamento de até 85%, para instalar sistemas de Onshore Power Supply nos terminais de contêineres Norte e Sul e no terminal de passageiros da Doca 1 Norte. Em outubro de 2026, **11 autoridades portuárias do Caribe** visitaram Malta para conhecer uma infraestrutura com 17 pontos de conexão no Grand Harbour. Nos dois casos, a meta operacional é permitir que os navios desliguem motores a combustão durante a permanência no cais.

## Leixões começa pelo financiamento

Em Leixões, a implantação parte de uma fonte de recursos definida e de áreas portuárias já identificadas. O aviso do Programa Sustentável 2030 cobre a instalação de sistemas **OPS** nos terminais de contêineres Norte e Sul e na Doca 1 Norte, destinada a passageiros. A conexão com a rede elétrica terrestre substitui o uso dos motores auxiliares enquanto o navio permanece atracado, reduzindo emissões de gases poluentes e ruído nas áreas próximas ao porto. O projeto está alinhado às metas de descarbonização do transporte marítimo e ao pacote europeu **Fit for 55**, como detalhado no [aviso do Porto de Leixões](https://www.industriaeambiente.pt/noticias/porto-leixoes-avanca-para-fornecimento-energia-limpa-a-navios).

Esse investimento inicial está inserido em um programa de transição mais amplo. O Plano Estratégico do Porto de Leixões 2025-2035 estima **94,3 milhões de euros** para ações de descarbonização e transição energética entre 2024 e 2035. O roteiro inclui geração fotovoltaica, aerogeradores, exploração da energia das ondas e instalação de OPS nos terminais de contêineres, cruzeiros, carga fracionada e granéis. Os recursos previstos combinam fundos como PRR e PT 2030 com parcerias envolvendo concessionários, conectando a eletrificação dos navios a uma transformação mais ampla do consumo de energia portuário.

A dimensão técnica também aparece no projeto destinado ao terminal de cruzeiros. Em desenvolvimento pela **VINCI Energies**, o sistema terá capacidade inicial de 8 MVA e poderá chegar a 16 MVA, com suporte a frequências de 50 ou 60 Hz e tensões de 6,6 kV ou 11 kV. A solução inclui conversão de frequência, um sistema móvel de gestão de cabos e monitoramento por plataforma SCADA. Esses componentes permitem adaptar a alimentação às características elétricas dos navios e acompanhar a operação da conexão, mostrando que o fornecimento em terra exige mais do que instalar um ponto de tomada no cais.

## Malta converte obra em aprendizado

Malta apresenta uma etapa diferente da mesma transição. Durante a conferência **Decarbonising the Future 2026**, realizada em outubro de 2026, representantes de 11 autoridades portuárias do Caribe observaram a infraestrutura de shore power do país. A missão concentrou-se na troca de conhecimentos sobre infraestrutura elétrica portuária e descarbonização, dentro da estratégia Global Gateway da União Europeia. O objetivo foi avaliar referências técnicas e possibilidades de cooperação com entidades europeias, sem anúncio de investimentos diretos imediatos para os portos caribenhos, conforme o [relato da missão dos portos do Caribe](https://www.latitude-15.com/caribbean-ports-shore-power-malta).

A estrutura visitada no Grand Harbour já possui **17 pontos de conexão** para navios de cruzeiro. O projeto equipou Pinto Wharf, Deep Water Quay e Boiler Wharf com tecnologia OPS e recebeu cofinanciamento do Connecting Europe Facility da União Europeia. A infraestrutura permite desligar os motores auxiliares dos navios durante a atracação e foi projetada para reduzir em até 90% a poluição do ar local, além de diminuir gases de efeito estufa e ruído em áreas densamente povoadas. Malta, portanto, oferece aos visitantes uma instalação em operação, e não apenas uma proposta em fase de captação.

A experiência de uso já acumulou resultados operacionais. Desde a inauguração da estrutura em 2024, navios da **MSC Cruises** somaram cerca de 600 horas conectados à rede elétrica em Valletta, e dois navios realizaram conexões bem-sucedidas em outubro de 2025. O governo maltês também investiu 25 milhões de euros na primeira fase do Grand Harbour e planeja uma extensão de 50 milhões de euros para a zona sul. Paralelamente, o sistema do Malta Freeport segue em progresso para atender navios porta-contêineres, ampliando o alcance da eletrificação para além das operações de cruzeiro.

## A conexão exige escala e compatibilidade

A comparação entre os dois casos mostra duas portas de entrada para o shore power. **Leixões** avança por meio de financiamento público direcionado a instalações específicas, enquanto Malta utiliza uma estrutura já operacional para compartilhar conhecimento com autoridades portuárias de outra região. A diferença aparece também no estágio de maturidade: o projeto português organiza a implantação de novos pontos em terminais definidos, e a missão caribenha buscou observar uma solução pronta antes de avaliar aplicações locais. A ausência de investimentos imediatos anunciados para o Caribe reforça que a cooperação institucional, nesse momento, está concentrada na transferência de experiência.

Além da disponibilidade de recursos, os projetos mostram que a conexão precisa atender requisitos elétricos e operacionais dos navios. No terminal de cruzeiros de Leixões, a previsão de trabalhar com **50 ou 60 Hz** e com 6,6 kV ou 11 kV exige equipamentos de conversão e gerenciamento dos cabos. A plataforma SCADA acrescenta monitoramento à instalação, enquanto a capacidade escalável de 8 MVA para 16 MVA acompanha diferentes demandas de potência. Esses elementos ajudam a explicar por que cada porto precisa dimensionar a solução de acordo com os terminais atendidos e com o perfil das embarcações.

O próximo passo anunciado para Leixões é executar as instalações previstas nos terminais de contêineres e passageiros, dentro de um plano que pretende levar o OPS a todos os terminais até 2035. Em Malta, a expansão para o sul do Grand Harbour e o avanço do sistema no Malta Freeport ampliam a infraestrutura para novas áreas e tipos de navio. Para as autoridades caribenhas, a visita encerrou-se sem um investimento direto anunciado, mas deixou uma referência técnica baseada em **17 pontos de conexão**. Os dois caminhos convergem na mesma exigência: transformar a permanência no cais em uma operação alimentada pela rede elétrica, com infraestrutura dimensionada e cooperação capaz de acelerar sua adoção.