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title: "Portos ganham linguagem comum para dados de emissões"
author: "Redação"
date: "2026-10-28 16:11:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/28/portos-ganham-linguagem-comum-para-dados-de-emissoes/md"
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## Resumo
- O Tripartite Joint Industry Working Group lançou as versões 1.0 dos frameworks OVD e VER em 27 de outubro de 2026.
- O Operational Vessel Data organiza dados de consumo de combustível e operação em um formato estruturado.
- O OVD é independente de fornecedores e pode ser usado em planilhas ou sistemas automatizados.
- O Vessel Emissions Reporting padroniza dados de emissões e o status de verificação para usos comerciais e regulatórios.
- A proposta busca reduzir a duplicidade associada a exigências como IMO DCS e EU MRV sem criar novas obrigações.
- Mais de 20 organizações participaram da consulta sobre o OVD, e uma atualização da implementação foi prevista para reunião em Tóquio.

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Os portos precisam transformar registros operacionais e dados de emissões em uma linguagem que diferentes sistemas consigam interpretar. Em **27 de outubro de 2026**, o Tripartite Joint Industry Working Group, liderado pela BIMCO, lançou as versões 1.0 dos frameworks Operational Vessel Data e Vessel Emissions Reporting para a indústria marítima. As duas estruturas são voluntárias e foram desenhadas para organizar a troca de informações entre empresas, embarcações e sistemas, reduzindo a repetição de lançamentos exigida por regras comerciais e regulatórias. O [anúncio do grupo de trabalho](https://www.bimco.org/news-insights/press-media/press-releases/2026/1027-tripartite) coloca a padronização digital no centro da relação entre operação naval, gestão portuária e controle de emissões.

## OVD organiza o fluxo de operação

A primeira camada da proposta é o **Operational Vessel Data**, conhecido pela sigla OVD. O framework define um formato estruturado para informações de consumo de combustível e operação, dois conjuntos de dados que circulam entre armadores, embarcações, prestadores de serviço e autoridades. O objetivo prático é diminuir as diferenças de estrutura entre sistemas que recebem ou enviam os mesmos registros. Para o porto, uma base comum facilita a leitura das informações que chegam durante a operação do navio, desde que os participantes adotem o padrão em seus próprios processos.

Além de organizar os campos, o OVD foi concebido para funcionar sem dependência de um fornecedor específico. O guia da **BIMCO** informa que o padrão pode ser utilizado em planilhas ou em sistemas automatizados por interfaces de programação. Ele também não determina como os cálculos regulatórios devem ser feitos: atua como uma camada de troca de dados. Essa separação permite que empresas preservem suas ferramentas de cálculo e usem uma estrutura comum para enviar ou receber os elementos necessários, reduzindo retrabalho na integração entre plataformas portuárias e marítimas.

Essa lógica já vinha sendo discutida antes da versão formal. Em um webinar realizado em **15 de outubro de 2026**, o OVD foi apresentado como base para o intercâmbio de registros de navegação, chamados de log abstract, e relatórios do meio-dia, conhecidos como noon reports. A conexão entre esses documentos mostra onde a padronização pode produzir efeito operacional: o mesmo dado pode circular entre sistemas sem exigir uma nova interpretação a cada etapa. Para as equipes portuárias, a utilidade está em receber informações estruturadas antes de convertê-las em rotinas próprias de planejamento e acompanhamento.

## VER reduz a repetição regulatória

O segundo framework trata diretamente do conteúdo ambiental. O **Vessel Emissions Reporting**, ou VER, padroniza a troca de informações sobre emissões e sobre o status de verificação desses dados. A estrutura foi pensada para usos comerciais e regulatórios, inclusive em mecanismos como o **FuelEU Maritime**. Essa distinção entre o dado operacional e o relatório de emissões ajuda a preservar a origem da informação ao longo do fluxo, permitindo que uma organização receba tanto os registros usados na operação quanto o resultado verificado destinado a obrigações específicas.

A necessidade de uma camada comum aparece porque um mesmo navio pode alimentar mais de uma rotina de reporte. O material do grupo cita a redundância de entrada de dados associada a exigências como o **IMO DCS** e o **EU MRV**. Os frameworks não criam novas obrigações para armadores ou portos; eles oferecem uma forma padronizada de trocar informações que já são solicitadas por diferentes regimes. Na prática, a redução do retrabalho dependerá da capacidade dos sistemas de reconhecer os campos comuns e reaproveitar os dados sem alterar o cálculo exigido por cada regra.

A proposta também procura alinhar a linguagem digital do setor com o **Compêndio da OMI sobre Facilitação e Negócios Eletrônicos**. Essa integração fornece uma referência comum para definições de dados e reduz o risco de que cada empresa atribua significado diferente ao mesmo campo operacional. O resultado esperado não é substituir as plataformas existentes, mas permitir que elas se comuniquem com menos adaptações. Como a adesão é voluntária, o ganho para os portos dependerá da participação dos armadores, classificadoras, autoridades e fornecedores que formam a cadeia de informação de cada escala.

## Adoção depende da governança

A abrangência do projeto está ligada à composição do próprio grupo de trabalho. O JIWG foi formado por entidades que representam diferentes segmentos marítimos, incluindo a **BIMCO** e a INTERCARGO, e recebeu contribuições de mais de **20 organizações** em uma consulta industrial sobre o uso do OVD. A consulta identificou a necessidade de uma governança independente para o padrão operacional. Esse ponto importa porque uma linguagem de dados só permanece útil quando suas definições podem ser atualizadas sem ficar subordinadas a um único software ou participante do mercado.

O caráter voluntário torna a governança ainda mais decisiva. Jeppe Skovbakke Juhl, presidente do JIWG e arquiteto naval da BIMCO, afirmou que a indústria precisa de uma abordagem comum para o fluxo eficiente de dados entre sistemas e organizações, sem criar novas obrigações de reporte. A declaração delimita o propósito dos frameworks: eles não funcionam como uma regra adicional, e sim como uma tentativa de organizar obrigações e informações que já existem. Para os portos, isso desloca a discussão da simples coleta para a compatibilidade entre dados, sistemas e procedimentos.

O próximo passo anunciado será uma atualização sobre a implementação na reunião do Tripartite em **Tóquio, em 28 de outubro de 2026**. O encontro deverá acompanhar o uso dos frameworks e a transição para um modelo de governança independente e transparente. O teste será verificar se a versão 1.0 consegue sair da documentação e sustentar trocas repetíveis entre os participantes da cadeia marítima. Se a adoção avançar, OVD e VER poderão reduzir a necessidade de registrar a mesma informação em formatos diferentes; se permanecer limitada, a fragmentação continuará transferindo para portos e armadores o custo da tradução entre sistemas.