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title: "IA da Vale gera US$ 65 milhões em ganhos logísticos"
author: "Redação"
date: "2026-10-30 14:24:00-03"
category: "Logística"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/30/ia-da-vale-gera-us-65-milhoes-em-ganhos-logisticos/md"
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## Resumo
- A Vale atribuiu US$ 65 milhões em ganhos logísticos ao uso de IA em 2025.
- O AI Fleet recomenda velocidades de navegação com base na previsão de chegada e na disponibilidade de berços.
- A solução utiliza aproximadamente 47 milhões de registros por ano e reduziu cerca de 50% o erro nas previsões de chegada.
- O sistema evitou a contratação de aproximadamente 12 navios Capesize no mercado spot.
- O SIOP analisa 4.500 possibilidades de rotas a cada 30 minutos no Porto de Tubarão.
- A Vale registrou aumento de 1,5% nos embarques e redução de até 2% na sobre-estadia.
- A companhia investiu US$ 685 milhões em mais de 350 projetos de PD&I em 2025.

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Em **2025**, a Vale atribuiu **US$ 65 milhões** em ganhos logísticos ao uso de inteligência artificial na navegação marítima e no planejamento das operações portuárias. O sistema AI Fleet reúne informações de navegação, aplica modelos de aprendizado de máquina para prever a chegada dos navios e recomenda a velocidade adequada das embarcações. Segundo a companhia, a solução também utiliza aproximadamente **47 milhões de registros por ano** e reduziu em cerca de 50% o erro nas previsões de chegada. O resultado foi associado à economia de combustível, à redução da sobre-estadia e à menor necessidade de contratar navios no mercado spot.

## Quando a velocidade depende do berço

A lógica do AI Fleet desloca a decisão de velocidade do simples objetivo de chegar mais rápido para a coordenação entre navegação e disponibilidade portuária. Quando não há berço livre, acelerar o navio pode antecipar custos sem produzir ganho operacional. A recomendação do sistema busca evitar esse movimento, orientando a frota dedicada a manter uma velocidade compatível com a janela de atracação. O [resultado informado pela Vale](https://portalbenews.com.br/ia-gera-us-65-milhoes-em-ganhos-logisticos-a-vale) reúne efeitos financeiros da economia de combustível e da redução de despesas de demurrage.

Os indicadores de desempenho ajudam a separar o ganho financeiro das medições operacionais. A Vale informa que o AI Fleet trabalha com aproximadamente **47 milhões de registros anuais** e reduziu em cerca de **50% o erro das previsões de chegada**. Esses dados medem, respectivamente, a escala de informação processada e a qualidade das estimativas de ETA. Já os US$ 65 milhões expressam o valor financeiro atribuído pela companhia às decisões de navegação e planejamento, não uma conversão direta de cada indicador operacional.

A recomendação de velocidade também teve efeito sobre a contratação de capacidade marítima. De acordo com a companhia, a solução evitou a contratação de aproximadamente **12 navios Capesize** no mercado spot. Para uma operação de granéis, essa redução significa ajustar o uso da frota dedicada antes de buscar embarcações adicionais no mercado. O ponto central está na antecipação da decisão: prever a chegada e relacioná-la à disponibilidade do terminal reduz acelerações desnecessárias e limita custos que surgiriam quando o navio chegasse antes da capacidade de atendimento.

## Mais alternativas no mesmo terminal

Essa coordenação marítima se conecta ao planejamento realizado pelo Sistema Integrado de Otimização da Operação Portuária, o SIOP. No Porto de Tubarão, a ferramenta considera **4.500 possibilidades de rotas a cada 30 minutos**, permitindo avaliar diferentes combinações para a operação. O sistema também apoia o uso dos estoques e a gestão das atracações, dois pontos que determinam o ritmo de embarque mesmo quando a infraestrutura física permanece a mesma.

O efeito operacional apresentado pela Vale inclui **aumento de 1,5% nos embarques** e redução de até **2% na sobre-estadia**. Esses percentuais não devem ser confundidos com os US$ 65 milhões atribuídos ao conjunto de ganhos logísticos. Eles mostram alterações observadas na produtividade e no custo de permanência, enquanto o valor em dólares consolida o benefício financeiro informado pela empresa. A separação é necessária para que gestores comparem eficiência de processo com retorno econômico sem misturar unidades de medida diferentes.

Alexandre Pigatti, head de inteligência artificial da Vale, confirmou que a tecnologia eleva a produtividade dos terminais ao melhorar o uso de estoques e a gestão da atracação. Na prática, o AI Fleet atua sobre a chegada dos navios, enquanto o SIOP amplia as alternativas para organizar o atendimento no porto. A conexão entre essas duas decisões reduz a distância entre o planejamento da viagem e a execução do embarque, transformando previsões de chegada em parâmetros para a programação portuária.

## De um teste de US$ 65 mil à escala

A trajetória começou antes da contabilização anual dos ganhos. Em **2019**, um teste realizado em Ponta da Madeira, no Maranhão, apresentou uma sequência de atracação sugerida por um algoritmo de inteligência artificial. A operação resultou em uma vantagem financeira de **US$ 65 mil** em uma única movimentação. O episódio serviu como demonstração inicial de que algoritmos poderiam apoiar decisões de atracação e abriu caminho para aplicações mais amplas na logística marítima e portuária.

A expansão dessas aplicações ocorreu dentro de um programa de inovação mais amplo. Em 2025, a Vale investiu **US$ 685 milhões** em mais de 350 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Desse total de iniciativas, a companhia contabilizou mais de **45 aplicações de inteligência artificial** da mina à logística e mais de 90 equipamentos autônomos. A empresa associa esses investimentos à busca por maior segurança, menor impacto ambiental e mais eficiência operacional. [Os resultados financeiros divulgados pela Vale](https://www.vale.com/pt/confira-os-resultados-financeiros-do-2t26) colocam a inteligência artificial dentro de uma agenda que ultrapassa o planejamento de navios.

O caso mostra que a principal entrega da IA na operação portuária está na qualidade das decisões tomadas antes da atracação. A Vale apresentou **US$ 65 milhões** como ganho financeiro atribuído ao uso das ferramentas, enquanto os registros processados, a redução do erro de previsão, o aumento dos embarques e a queda da demurrage formam a base operacional desse resultado. Para os terminais, a experiência indica uma prioridade objetiva: medir separadamente precisão, produtividade e retorno financeiro. A combinação desses indicadores permite avaliar ganhos de capacidade sem tratar uma métrica operacional como se fosse, por si só, resultado econômico.