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title: "Porto de Santos bate recorde com 141,45 milhões de toneladas"
author: "Redação"
date: "2026-10-30 06:35:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/30/porto-de-santos-bate-recorde-com-14145-milhoes-de-toneladas/md"
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## Resumo
- Porto de Santos movimentou 141,45 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026.
- O volume acumulado cresceu 2% em relação ao mesmo período de 2025.
- O complexo soja somou 42,08 milhões de toneladas, enquanto as cargas conteinerizadas chegaram a 47,03 milhões de toneladas.
- Setembro registrou queda de 6,3% por causa das chuvas atípicas que afetaram os granéis sólidos.
- Granéis líquidos e contêineres atingiram marcas históricas no mês, com 1,8 milhão de toneladas e 518,6 mil TEU.
- A China respondeu por 30,8% da corrente comercial de US$ 140,8 bilhões que passou pelo porto.
- A espera média para atracação caiu de 3,4 dias em 14 de outubro para 1,45 dia até 27 de outubro.

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O **Porto de Santos** movimentou **141,45 milhões de toneladas** entre janeiro e setembro de 2026, recorde histórico para os nove primeiros meses do ano e alta de 2% sobre igual período de 2025. O resultado, registrado pela Autoridade Portuária de Santos, foi sustentado pelo complexo soja e pelas cargas conteinerizadas, enquanto setembro recuou 6,3% após chuvas atípicas afetarem as operações de granéis sólidos. O contraste entre o recorde acumulado e a queda mensal mostra por que a regularidade operacional ganhou peso na gestão do maior complexo portuário brasileiro.

## Soja e contêineres puxam a marca

A leitura do acumulado mostra que o avanço foi distribuído entre cargas com perfis operacionais distintos. O complexo soja amplia a demanda associada ao agronegócio, enquanto o desempenho dos contêineres acrescenta volume à movimentação regular do cais. Para quem acompanha capacidade e programação, essa combinação oferece uma base mais diversificada para explicar o recorde, embora o resultado mensal mostre que o ritmo não permaneceu uniforme.

A soja respondeu por **42,08 milhões de toneladas** no período, alta de 8,4% sobre 2025. As cargas conteinerizadas somaram **47,03 milhões de toneladas**, crescimento de 3,2%. A diferença entre os dois grupos indica que Santos avançou tanto no escoamento de produtos do agronegócio quanto nas operações de carga geral, conectando o desempenho do porto a fluxos distintos do comércio exterior.

No caso dos contêineres, o crescimento acrescenta previsibilidade ao volume movimentado porque amplia a participação de cargas que não dependem exclusivamente das mesmas condições operacionais dos granéis sólidos. A expansão da soja, por outro lado, mantém o agronegócio no centro da demanda por embarques. Essa composição ajuda a entender como o porto alcançou o recorde até setembro, mas também prepara a análise para a interrupção registrada no último mês do período.

## Setembro interrompe o ritmo

O recuo mensal aparece com precisão no [relatório estatístico da Autoridade Portuária](https://intranet.portodesantos.com.br/docs_codesp/doc_codesp_pdf_site.asp?id=165044): setembro de 2026 somou **15,50 milhões de toneladas**, contra **16,55 milhões** em setembro de 2025, queda de **6,3%**. Os embarques caíram 7,8%, enquanto os desembarques recuaram 2,1%. A retração foi mais intensa na saída de cargas, movimento que afeta diretamente a programação de exportadores e operadores.

A retração mensal foi associada a **chuvas atípicas** que impactaram as operações de granéis sólidos, comprimindo o fluxo de cargas que depende de janelas regulares para embarque. A consequência apareceu justamente em um mês no qual o acumulado ainda mantinha trajetória de alta. A ocorrência reforça a necessidade de avaliar o desempenho portuário em duas escalas: o volume acumulado, que mede a expansão, e a oscilação mensal, que revela a capacidade de absorver interrupções.

Em contraste com os granéis sólidos, **granéis líquidos** e contêineres atingiram marcas históricas para setembro, com **1,8 milhão de toneladas** e **518,6 mil TEU**, respectivamente. O resultado mostra que a chuva não afetou todas as correntes de carga da mesma forma. Para a operação portuária, essa diferença entre segmentos torna a gestão de berços, equipamentos e janelas de atracação ainda mais determinante para preservar o fluxo quando uma categoria sofre interrupções.

## Comércio exterior cobra regularidade

O resultado acumulado também revela a dimensão do fluxo que passa pelo complexo. Entre janeiro e setembro, os **embarques totalizaram 104,3 milhões de toneladas**, enquanto os desembarques alcançaram **37,1 milhões**. A predominância das cargas embarcadas está alinhada ao papel de Santos no escoamento de produtos brasileiros para o mercado externo, mas amplia a responsabilidade sobre a disponibilidade operacional nos períodos de maior concentração de saídas.

A conexão internacional do porto aparece na participação chinesa. A **China respondeu por US$ 43,4 bilhões**, ou 30,8% da corrente comercial de **US$ 140,8 bilhões** que passou por Santos entre janeiro e setembro. O estado de São Paulo concentrou 50,1% das transações comerciais. Esses dados colocam o desempenho do porto dentro de uma rede comercial concentrada, na qual variações de capacidade e prazo podem atingir exportadores, importadores e transportadores.

A pressão sobre a operação também apareceu nos tempos de espera para atracação. Em 14 de outubro, a consultoria Everstream Analytics estimou a espera média em Santos em 3,4 dias após o impacto do mau tempo, enquanto uma atualização da Kuehne+Nagel focada no fluxo de porta-contêineres apontou 1,45 dia até 27 de outubro. O setor de café, concentrado em Santos, respondeu por 70,7% das exportações brasileiras do produto entre janeiro e setembro. Embora as duas plataformas utilizem amostras e metodologias distintas, a redução observada após meados do mês sinalizou alívio na fila, mas a variação em poucos dias mostra como o monitoramento contínuo precisa acompanhar o crescimento da movimentação.

## O recorde exige continuidade

O número de **141,45 milhões de toneladas** confirma a expansão do Porto de Santos até setembro, mas a queda de 6,3% em setembro impede uma leitura baseada apenas no acumulado. O porto combinou alta da soja, crescimento das cargas conteinerizadas e marcas mensais em granéis líquidos, enquanto enfrentou perdas nos granéis sólidos por causa das chuvas. A capacidade de manter desempenho elevado dependerá da leitura integrada desses fluxos e da resposta às interrupções que afetam cada tipo de carga.

Para o comércio exterior brasileiro, o próximo passo é converter a escala alcançada em regularidade de atendimento, sobretudo quando o volume cresce e os tempos de espera oscilam. O recorde mostra que Santos continua ampliando sua participação nas cadeias de exportação e importação, mas setembro deixa uma lição operacional direta: crescimento sem preparação para variações climáticas e filas de atracação transfere custos para toda a cadeia. O avanço registrado em 2026 merece ser preservado com planejamento baseado nos dados mensais, não apenas na celebração do resultado acumulado.