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title: "Seis portos brasileiros entram no radar da eólica offshore"
author: "Redação"
date: "2026-10-30 06:34:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/10/30/seis-portos-brasileiros-entram-no-radar-da-eolica-offshore/md"
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## Resumo
- Seis portos foram selecionados após a análise de 43 instalações brasileiras.
- Pecém, Suape, Porto Central, Açu, Imbituba e Rio Grande têm potencial, mas não estão prontos para grandes projetos sem adaptações.
- A adequação de terminais Large Offshore pode custar entre US$ 64 milhões e US$ 356,5 milhões por unidade.
- Os prazos estimados para adaptação variam de três a 6,5 anos, com recomendações distribuídas entre 2026 e 2032.
- O Porto de Rio Grande foi apontado como o mais imediatamente viável devido à infraestrutura do Estaleiro EBR.
- O estudo avaliou fundações fixas e deixou a eólica flutuante para análises futuras.
- A implantação dos parques está prevista para ocorrer entre 2032 e 2035.

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Em **28 de outubro de 2026**, durante o Brazil Windpower 2026, os Ministérios de Minas e Energia e de Portos e Aeroportos apresentaram, em São Paulo, um diagnóstico técnico sobre a prontidão de portos brasileiros para apoiar a indústria eólica offshore. Elaborado pela consultoria COWI em cooperação com a Agência Dinamarquesa de Energia, o estudo avaliou 43 instalações e selecionou seis para análise detalhada. O levantamento pretende orientar o planejamento e as decisões de investimento, mas não determina a utilização obrigatória de nenhum terminal. A [seleção dos portos mapeados](https://ecogateway.com.br/noticias/estudo-seis-portos-eolica-offshore-28-outubro-2026) coloca a adaptação logística no centro da discussão sobre os futuros parques marítimos.

## O mapa revela potencial, não prontidão

Os seis portos identificados são **Pecém**, no Ceará, **Suape**, em Pernambuco, Porto Central, no Espírito Santo, Açu, no Rio de Janeiro, Imbituba, em Santa Catarina, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A distribuição reúne instalações de diferentes regiões do país, mas a presença na lista não equivale à escolha definitiva de terminais para os projetos. O diagnóstico funciona como uma filtragem técnica inicial. A etapa seguinte depende da compatibilidade entre as características de cada empreendimento e a capacidade de adaptação de cada porto.

O estudo analisou **43 portos brasileiros** antes de selecionar seis para avaliação aprofundada. Essa metodologia separa potencial de disponibilidade imediata. Para a indústria, a diferença tem efeito direto sobre cronogramas, pois um porto indicado precisa reunir condições para receber componentes de grande porte, organizar operações específicas e sustentar a implantação de terminais dedicados. Como nenhum dos seis foi declarado pronto para projetos de grande escala, a localização geográfica é apenas o ponto de partida da decisão.

A avaliação considerou dois modelos de empreendimento. O chamado **Large Offshore** trabalha com turbinas de 15 a 20 MW instaladas a mais de 20 quilômetros da costa, enquanto o modelo Nearshore considera equipamentos de 6 a 8 MW a menos de 20 quilômetros. O estudo foi elaborado sob a **Lei nº 15.097/2025**, marco legal da eólica offshore no Brasil. A diferença entre os modelos altera as exigências de montagem, movimentação e apoio portuário, razão pela qual a capacidade de um terminal não pode ser avaliada de forma genérica.

## O prazo começa antes dos parques

A conclusão mais direta do diagnóstico é que **nenhum dos portos** está atualmente preparado para receber terminais dedicados a grandes projetos sem investimentos adicionais. Para instalações voltadas ao modelo Large Offshore, as estimativas de adaptação variam de **US$ 64 milhões a US$ 356,5 milhões por terminal**. O intervalo mostra que a preparação não depende de uma obra padronizada para todos os locais. O valor final está associado às condições existentes e ao nível de adequação exigido por cada projeto.

Os prazos também afastam a ideia de uma expansão imediata. A análise técnica estima de **três a 6,5 anos** para a adaptação dos terminais destinados a projetos Large Offshore, enquanto a comunicação oficial do governo menciona adaptações que podem exigir de cinco a sete anos. As recomendações foram organizadas em ações de curto prazo, entre 2026 e 2028, e de médio prazo, entre 2029 e 2032. A preparação, portanto, precisa começar antes da janela prevista para a implantação dos parques.

O estudo não transforma a lista em um programa de investimentos já contratado. Seu papel é oferecer uma referência para que autoridades portuárias, investidores e operadores comparem custos, prazos e condições de atendimento. A própria documentação informa que o levantamento serve para **orientar decisões**, sem determinar a obrigatoriedade de uso dos terminais. Essa delimitação evita uma leitura equivocada: estar entre os seis portos avaliados significa possuir potencial identificado, não ter recebido recursos específicos nem garantir a instalação de um parque.

## A escolha será operacional

A indicação de **Rio Grande** como o porto mais imediatamente viável para projetos Large Offshore decorre da infraestrutura do Estaleiro EBR, apontada no estudo como uma vantagem existente. Ainda assim, essa condição não elimina a necessidade de avaliação e investimentos adicionais. O caso mostra como a decisão combina ativos já disponíveis com a capacidade de executar adaptações dentro do prazo. A mesma lógica precisa ser aplicada a Pecém, Suape, Porto Central, Açu e Imbituba, sem presumir que a seleção produza resultados iguais em todos os locais.

A capacidade portuária será medida pela resposta às exigências do projeto escolhido, e não apenas pela distância até a área marítima. O diagnóstico associa a preparação aos terminais dedicados e aos investimentos necessários para atender turbinas de maior porte. Na prática, o planejamento precisa considerar a adaptação logística e operacional de cada instalação antes de definir sua função na cadeia. Esse critério também impede que a lista seja tratada como um ranking permanente dos portos brasileiros.

Outro limite do levantamento é o recorte tecnológico. O estudo avaliou exclusivamente projetos com **fundações fixas** e deixou a eólica flutuante para análises futuras. A distinção é determinante porque diferentes soluções de instalação exigem avaliações próprias de infraestrutura, operação e prazo. O resultado atual oferece uma base para a primeira frente de desenvolvimento, mas não encerra a discussão sobre a preparação dos portos para todas as modalidades de geração offshore.

A janela indicada para implantação dos projetos está entre **2032 e 2035**. Até lá, o setor terá de transformar o diagnóstico em decisões de planejamento, estudos específicos e adaptações compatíveis com cada terminal, respeitando as etapas previstas para 2026-2028 e 2029-2032. Os seis portos entram no radar porque apresentam potencial, mas a escolha definitiva dependerá da capacidade de converter esse potencial em operação portuária preparada para a escala dos parques.

O estudo apresentado em São Paulo oferece ao Brasil uma referência técnica para organizar essa transição sem confundir mapeamento com prontidão. A Lei nº 15.097/2025 fornece o marco legal, enquanto a análise da COWI delimita custos, prazos e modelos tecnológicos. O próximo passo está na avaliação individual de cada instalação e na decisão sobre onde concentrar recursos. Se essa sequência for respeitada, o planejamento portuário poderá acompanhar o crescimento da indústria eólica offshore sem repetir a prática de anunciar capacidade antes de preparar a infraestrutura.