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title: "Porto de Santos inicia abastecimento regular com bioetanol"
author: "Redação"
date: "2026-11-02 06:59:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/11/02/porto-de-santos-inicia-abastecimento-regular-com-bioetanol/md"
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## Resumo
- O Porto de Santos iniciou o fornecimento regular de bioetanol para navios em outubro de 2026.
- A primeira operação da nova fase ocorreu em 19 de outubro com o CMA CGM IRON, de 13.000 TEU.
- O navio utiliza motor tricombustível certificado para operar com o combustível.
- A operação foi precedida por um abastecimento pioneiro realizado em julho de 2026.
- A cadeia envolve transporte pela Evolua Etanol, armazenamento na AGEO Terminais e abastecimento pela Bunker One.
- O baixo ponto de fulgor do bioetanol exigiu protocolo de segurança e treinamento específico.
- Novos abastecimentos de navios da CMA CGM estão previstos até o final de 2026.

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Em outubro de 2026, o Porto de Santos iniciou o fornecimento regular de bioetanol para embarcações. A primeira operação desta nova fase ocorreu em 19 de outubro de 2026, no navio porta-contêineres CMA CGM IRON, com capacidade de 13.000 TEU e motor tricombustível certificado. A iniciativa organiza uma cadeia de abastecimento voltada à descarbonização do transporte marítimo internacional e transforma uma experiência piloto em rotina operacional. O abastecimento regular coloca Santos em uma posição de destaque entre os portos que estruturam alternativas aos combustíveis marítimos convencionais.

## Do piloto à rotina de abastecimento

A transição para o modelo regular de abastecimento foi precedida por uma operação pioneira realizada em julho de 2026. O intervalo entre essa primeira experiência e a operação de outubro permitiu organizar a passagem para um fornecimento recorrente, com responsabilidades distribuídas entre produção, movimentação, armazenamento e transferência do combustível. Essa sequência dá ao projeto uma dimensão operacional que ultrapassa o teste isolado de um navio e exige coordenação entre diferentes etapas da cadeia.

O CMA CGM IRON foi escolhido para a primeira operação da nova fase por contar com motor tricombustível certificado. A capacidade de 13.000 TEU coloca o abastecimento no contexto de uma embarcação porta-contêineres de grande porte, enquanto a motorização compatível permite utilizar o bioetanol dentro das especificações previstas para o navio. A combinação entre a tecnologia embarcada e a disponibilidade do combustível no porto é o que permite transformar a alternativa energética em uma operação de bunkering.

Novos abastecimentos de navios da CMA CGM estão previstos até o final de 2026. A programação amplia a repetição da operação e cria uma referência para avaliar o funcionamento da cadeia em diferentes escalas de atendimento. Para o porto, a regularidade passa a depender da sincronização entre a chegada do navio e a disponibilidade do produto, conectando a programação marítima à logística terrestre do bioetanol.

## Uma cadeia desenhada para Santos

O bioetanol é transportado pela Evolua Etanol, ligado à Copersucar. Essa etapa conecta a origem do combustível às instalações portuárias e insere o abastecimento marítimo em uma cadeia que começa nas usinas associadas à empresa. A participação da Copersucar, portanto, não se limita ao fornecimento do produto, pois a operação também depende da organização do transporte até o ponto em que o combustível será armazenado e entregue ao navio.

A infraestrutura logística conecta a produção das usinas associadas à Copersucar até o terminal da Santos Brasil, o Tecon Santos. O bioetanol é armazenado na AGEO Terminais antes do abastecimento, criando uma etapa intermediária entre a chegada do produto e a transferência para a embarcação. Esse arranjo concentra no complexo portuário as funções necessárias para que o combustível alcance o navio dentro da mesma operação de escala. O fluxo operacional foi detalhado em [Santos](https://tecnologiaportuaria.info/post/2026/10/24/etanol-entra-na-rotina-de-abastecimento-de-navios-em-santos).

A Bunker One realiza o abastecimento e desenvolveu o protocolo específico para o manuseio do bioetanol. A Autoridade Portuária de Santos integra a parceria que sustenta a operação, ao lado dos agentes responsáveis pelo produto, pelo terminal e pelo navio. Essa divisão de funções mostra que a adoção de um combustível alternativo depende tanto da compatibilidade do motor quanto de procedimentos portuários capazes de coordenar armazenamento, segurança e transferência durante a escala.

## Segurança acompanha a mudança de combustível

O bioetanol tem baixo ponto de fulgor, característica que exigiu a criação de um protocolo específico para o abastecimento. A Bunker One desenvolveu esse procedimento para tratar as condições técnicas do combustível durante a operação. A exigência altera a rotina de manuseio e impede que o abastecimento seja conduzido como uma simples substituição do produto utilizado anteriormente, pois a transferência precisa seguir controles compatíveis com as propriedades do etanol.

A Bunker One realizou treinamento específico de sua equipe para o manuseio do combustível, considerando características técnicas como o baixo ponto de fulgor. A preparação dos profissionais acompanha a implantação do modelo regular e reduz a distância entre a disponibilidade física do bioetanol e a capacidade de utilizá-lo com segurança no cais. Em operações portuárias, a repetição do abastecimento depende da execução padronizada, desde a preparação da equipe até a transferência para o tanque da embarcação.

A operação é considerada pioneira na América Latina devido ao protocolo de segurança desenvolvido para o manuseio do etanol, combustível com baixo ponto de fulgor. A referência regional decorre da combinação entre um navio de grande capacidade, um motor tricombustível certificado e uma cadeia de fornecimento organizada no porto. Ao estabelecer essa rotina, Santos cria uma experiência operacional baseada em procedimentos concretos, e não apenas em testes de laboratório ou demonstrações pontuais.

O abastecimento regular iniciado em Santos reúne uma operação-piloto concluída em julho, a primeira escala da nova fase em 19 de outubro e uma programação de novos fornecimentos até o fim de 2026. A cadeia formada pela Copersucar, pela armazenagem da AGEO Terminais e pelo abastecimento da Bunker One dá suporte ao uso do bioetanol pelo CMA CGM IRON e por outros navios compatíveis. O próximo passo anunciado é manter os abastecimentos da CMA CGM, consolidando a experiência brasileira em uma rotina portuária que combina combustível de menor intensidade de carbono, tecnologia de motorização e protocolos específicos de segurança.