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title: "APM Terminals e Wilson Sons ampliam capacidade em terminais brasileiros"
author: "Redação"
date: "2026-09-09 10:52:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/09/apm-terminals-e-wilson-sons-ampliam-capacidade-em-terminais-brasileiros/md"
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## Resumo
- A APM Terminals recebeu o Maersk Ganges e iniciou a operação comercial de seu terminal em Suape.
- O terminal de Suape recebeu R$ 2 bilhões, tem capacidade inicial de 400 mil TEUs anuais e é totalmente eletrificado.
- O empreendimento de Suape elevou em 55% a capacidade de movimentação de contêineres do complexo.
- A Wilson Sons investirá R$ 1,1 bilhão até 2030 na expansão do Tecon Rio Grande.
- O projeto gaúcho ampliará o cais de 900 para 1.200 metros e permitirá operar até três navios New Panamax simultaneamente.
- A expansão do Tecon Rio Grande inclui retroárea pavimentada, equipamentos elétricos, automação e telemetria.
- Os dois projetos são independentes, mas combinam aumento de capacidade com modernização do controle operacional.

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Em setembro de 2026, a **APM Terminals** iniciou a operação comercial em Suape ao receber o navio **Maersk Ganges**, enquanto a **Wilson Sons** anunciou R$ 1,1 bilhão até 2030 para expandir o Tecon Rio Grande. Os projetos estão em regiões diferentes e não fazem parte de uma mesma iniciativa, mas seguem uma direção comum: ampliar a capacidade de movimentação e incorporar recursos tecnológicos à rotina dos terminais brasileiros. Em Suape, a expansão já entrou na fase operacional; no Rio Grande do Sul, a execução seguirá até 2030.

## Suape estreia com eletrificação total

A primeira escala comercial colocou em funcionamento um terminal com capacidade inicial de **400 mil TEUs por ano**. O empreendimento recebeu R$ 2 bilhões, cerca de US$ 390 milhões, e elevou em 55% a capacidade de movimentação de contêineres do complexo de Suape. A operação ocorre em uma instalação totalmente eletrificada, o que vincula o aumento físico da capacidade a uma configuração energética diferente da adotada em terminais convencionais. O [recebimento do primeiro navio comercial](https://www.porttechnology.org/news/port-development/apmt-suape-receives-first-commercial-vessel) marca a passagem do projeto para a atividade regular de movimentação de cargas.

Além da estreia operacional, o terminal foi integrado ao serviço de cabotagem **ALCT2**, no qual o Maersk Ganges tem duas escalas semanais programadas. A rota conecta diversos portos brasileiros e dá ao empreendimento uma função que ultrapassa o atendimento a uma única instalação portuária. Para os usuários, a frequência prevista cria uma referência operacional para o planejamento de embarques e desembarques ao longo da costa. A capacidade anual de 400 mil TEUs ganha sentido dentro dessa conexão regular, pois depende da existência de serviços que levem cargas ao terminal e distribuam os contêineres pela rede doméstica.

A implantação também mostra que a entrada em operação de um terminal envolve etapas marítimas e terrestres. Os portões para caminhões começaram a funcionar em agosto de 2026, antes do recebimento do primeiro navio, enquanto a escala regular dependia da atualização do calado do canal interno de Suape, submetida ao Centro de Hidrografia da Marinha. A sequência revela uma condição operacional objetiva: equipamentos e pátio podem estar prontos antes que os parâmetros de acesso aquaviário sejam homologados. Em terminais de contêineres, essa coordenação define quando a capacidade instalada consegue ser convertida em escala comercial.

## Rio Grande prepara o cais para navios maiores

Em Rio Grande, a **Wilson Sons** anunciou um plano de R$ 1,1 bilhão até 2030 para ampliar o Tecon e atender à demanda do Cone Sul. A obra estenderá o cais de **900 para 1.200 metros**, medida que permitirá a operação simultânea de até três navios da classe New Panamax. O projeto preserva a função do terminal como hub de cargas para Argentina, Uruguai e Paraguai e ajusta a infraestrutura a embarcações de maior porte. A expansão, portanto, combina comprimento de cais com uma estratégia de atendimento regional.

O plano gaúcho também inclui a ampliação da retroárea e a pavimentação de **180 mil metros quadrados**. Na frente de equipamentos, estão previstas a aquisição de três guindastes STS e 14 guindastes RTG elétricos. Essa combinação amplia o espaço disponível para armazenagem e circulação e, ao mesmo tempo, atualiza os meios usados na interface entre navio e pátio. A disponibilidade de área pavimentada é decisiva para organizar contêineres, enquanto os novos guindastes aumentam a capacidade de atendimento das operações de cais e parque.

O cronograma ainda prevê a compra de **26 tratores** e a geração de 220 empregos diretos, além de 500 postos durante as obras. Esses números dimensionam a expansão para além da extensão do cais, porque associam a infraestrutura física à formação de uma estrutura operacional maior. Os equipamentos elétricos previstos serão acompanhados por automação embarcada e telemetria, recursos que permitem acompanhar o desempenho das máquinas e registrar informações de operação. A obra física cria espaço para atender navios maiores; o controle dos ativos define como esse espaço será utilizado no dia a dia.

## A expansão passa pelo controle da operação

O projeto de Rio Grande se apoia em iniciativas de gestão tecnológica já implementadas no terminal. A Wilson Sons investiu **R$ 1,4 milhão** na criação do Centro de Operação do Terminal e do Centro de Controle de Manutenção. As duas estruturas usam análise de dados e telemetria para orientar a gestão operacional, aumentar a produtividade e acompanhar a segurança das atividades. Essa camada de controle é especialmente útil quando a expansão acrescenta guindastes, tratores e área de pátio, porque a administração precisa transformar os dados dos equipamentos em decisões de manutenção e distribuição de recursos.

O financiamento também integra a modernização da instalação. O BNDES aprovou **R$ 331 milhões** para a subsidiária da Wilson Sons, com recursos do Fundo da Marinha Mercante destinados à automação do cais, à adequação de equipamentos e a obras de dragagem. O terminal registrou, em dezembro de 2024, crescimento de 45% na movimentação total de contêineres e de 233% no volume de transbordo em comparação com dezembro de 2023. Esses dados ajudam a explicar por que a expansão combina obras, máquinas e automação, em vez de depender apenas de uma ampliação linear da área física.

Quando os dois projetos são observados lado a lado, a diferença de desenho fica clara. Em Suape, o terminal já opera com capacidade inicial de **400 mil TEUs anuais**, eletrificação total e duas escalas semanais de cabotagem previstas no serviço ALCT2. Em Rio Grande, a entrega se estende até 2030 e prioriza o aumento do cais para 1.200 metros, a operação simultânea de três navios New Panamax e a expansão da retroárea. São respostas distintas a necessidades portuárias específicas, mas ambas vinculam capacidade a ferramentas de controle e a equipamentos elétricos.

Os próximos marcos dos dois investimentos já estão definidos. Em Suape, a operação comercial seguirá a programação de duas escalas semanais do serviço de cabotagem, condicionada aos procedimentos de acesso aquaviário e à rotina terrestre já iniciada. Em Rio Grande, a Wilson Sons executará até 2030 a ampliação do cais, a pavimentação da retroárea e a entrada dos novos equipamentos. A movimentação mostra que a modernização portuária brasileira avança por projetos independentes, com soluções diferentes para cada região, mas com a mesma exigência operacional: capacidade física precisa vir acompanhada de controle, regularidade e tecnologia aplicada.