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title: "Metanol verde avança enquanto GNL entra em fase de avaliação"
author: "Redação"
date: "2026-09-09 10:54:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/09/metanol-verde-avanca-enquanto-gnl-entra-em-fase-de-avaliacao/md"
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## Resumo
- Guangzhou realizou o primeiro abastecimento ship-to-ship de metanol verde em um graneleiro internacional.
- O Green Future recebeu 1.021 toneladas de metanol verde certificado pela ISCC EU.
- A Daqing 268 realizou o fornecimento e ampliou a rede chinesa de abastecimento de metanol.
- Xangai já acumula 36.000 toneladas de metanol verde fornecidas a navios desde abril de 2024.
- Orlen e Porto de Gdynia estudam serviços de abastecimento de LNG e bio-LNG.
- A proposta polonesa inclui uma barcaça e operações simultâneas com a movimentação de cargas.
- China e Polônia estão em estágios diferentes, com uma operação executada e outra ainda em avaliação.

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Em 6 de setembro de 2026, o **Porto de Guangzhou** realizou seu primeiro abastecimento ship-to-ship de metanol verde em um graneleiro de comércio internacional, enquanto a **Orlen** e a Autoridade do Porto de Gdynia iniciaram, na Polônia, uma avaliação para oferecer LNG e bio-LNG a navios. A operação chinesa forneceu **1.021 toneladas** de combustível certificado pela ISCC EU ao Green Future, um navio dual-fuel. O acordo polonês ainda está concentrado em demanda, infraestrutura, condições operacionais e requisitos regulatórios. A diferença entre os dois casos mostra dois estágios da transição portuária, com Guangzhou executando o abastecimento e Gdynia calculando as condições para fazê-lo.

## Guangzhou entrega combustível em escala real

A operação chinesa ocorreu no ancoradouro de **Dayushan** e envolveu a transferência de 1.021 toneladas de metanol verde para o graneleiro Green Future. O navio tem configuração dual-fuel, característica que permite seu atendimento por uma cadeia de abastecimento específica para metanol. O fornecimento foi realizado pela embarcação **Daqing 268**, operada pela China Shipping & SINOPEC Suppliers Co., Ltd. O registro do [primeiro abastecimento de metanol verde em um graneleiro internacional](https://www.maritimegateway.com/china-completes-first-green-methanol-bunkering-of-international-bulker) de Guangzhou desloca a discussão da intenção para a execução operacional.

O modelo ship-to-ship adotado em Guangzhou coloca uma embarcação de abastecimento ao lado do navio que receberá o combustível. Nesse caso, a Daqing 268 atuou como unidade fornecedora, enquanto o Green Future recebeu a carga durante a operação no ancoradouro. A configuração concentra no porto a coordenação entre embarcação abastecedora, navio consumidor e procedimentos de segurança. Para os operadores, esse arranjo fornece uma referência concreta de atendimento a um graneleiro em viagem internacional, em vez de manter o metanol verde restrito a testes sem transferência efetiva de combustível.

Guangzhou também passou a integrar uma rede chinesa que já incluía **Xangai**, Ningbo-Zhoushan, Shenzhen, Qingdao, Tianjin, Dalian e Yangpu. A distribuição por diferentes portos amplia os pontos em que navios movidos ou adaptados para metanol podem buscar abastecimento. Esse movimento ganhou uma base anterior em Xangai, onde o Astrid Mærsk recebeu metanol verde em abril de 2024, na primeira operação do tipo com movimentação simultânea de carga na China. A sequência conecta a expansão geográfica de Guangzhou a uma experiência portuária iniciada em Yangshan.

A evolução de Xangai ajuda a dimensionar a velocidade dessa expansão. Em agosto de 2026, a Shanghai Electric Group forneceu **8.000 toneladas** de metanol verde a um porta-contêineres do CMA CGM Group no Porto de Yangshan, no que foi descrito como o maior abastecimento único do combustível em um navio. A alfândega de Xangai informou que o porto acumulava 36.000 toneladas fornecidas a navios desde abril de 2024. Guangzhou, portanto, entra em uma rede que já combina operações em diferentes escalas e tipos de embarcação.

## Gdynia ainda calcula a operação

Em Gdynia, o movimento tem outra natureza. A **Orlen** e a Autoridade do Porto de Gdynia firmaram, em setembro de 2026, um acordo para avaliar a viabilidade de serviços de abastecimento de LNG e bio-LNG. O trabalho abrangerá a demanda do mercado, a infraestrutura disponível, as condições operacionais e os requisitos regulatórios. A parceria ainda não anuncia um abastecimento realizado nem fixa uma data para o início do serviço, porque sua etapa atual é de avaliação técnica e comercial.

O estudo polonês considera operações ship-to-ship para **ferries**, porta-contêineres e navios ro-ro. A proposta também prevê que o abastecimento possa ocorrer simultaneamente às operações de carga, requisito que afeta a programação do navio e a coordenação dentro do porto. Para Gdynia, a análise precisa verificar se a solução atende diferentes perfis de embarcação sem interromper as atividades de movimentação. O foco desloca-se, assim, para a compatibilidade entre fornecimento de combustível, permanência no porto e fluxo de carga.

Piotr Gorzeński, presidente do Porto de Gdynia, afirmou que a parceria com a Orlen tem como objetivo adquirir uma **barcaça de abastecimento** para oferecer o serviço ship-to-ship. A justificativa apresentada é melhorar a eficiência em relação aos métodos de fornecimento utilizados desde 2025. A embarcação dedicada funcionaria como o recurso físico necessário para levar o LNG ou o bio-LNG até navios de passageiros e de carga. A iniciativa depende, portanto, da conclusão dos estudos e da definição da infraestrutura que sustentará a operação.

A diferença entre os casos é direta. Em Guangzhou, o porto já recebeu uma operação com volume definido, navio consumidor identificado e embarcação fornecedora mobilizada; em Gdynia, a demanda e os requisitos do serviço ainda estão sendo analisados. Os combustíveis também não são equivalentes: o caso chinês envolve metanol verde, enquanto o polonês avalia LNG e bio-LNG. Não há indicação de uma estratégia conjunta entre os dois países, apenas movimentos distintos que mostram como cada autoridade portuária está organizando sua própria resposta à mudança dos combustíveis marítimos.

## Infraestrutura define o próximo passo

A experiência de Xangai demonstra que a operação depende de embarcações de abastecimento especializadas. Em março de 2025, o porta-contêineres **HMM Green**, com capacidade de 9.000 TEU, recebeu bio-metanol no Porto de Yangshan. O serviço foi facilitado pelo Haigang Zhiyuan, descrito como a maior embarcação de abastecimento de metanol do mundo, que já realizava abastecimentos regulares no porto desde janeiro daquele ano. A infraestrutura móvel permite que o combustível chegue ao navio consumidor sem depender apenas de uma entrega convencional em terra.

Gdynia está avaliando uma solução com lógica semelhante, mas voltada a **LNG e bio-LNG**. A intenção de adquirir uma barcaça exige compatibilizar capacidade de fornecimento, rotinas operacionais e regras de segurança com a permanência dos navios no porto. Por isso, o acordo não se limita a estimar consumo: ele inclui infraestrutura, condições de operação e exigências regulatórias. O resultado da avaliação deverá indicar se a barcaça consegue atender ferries, porta-contêineres e navios ro-ro dentro da rotina de carga prevista.

Para os gestores portuários, os dois casos oferecem métricas diferentes de avanço. Guangzhou demonstra execução com **1.021 toneladas** transferidas e amplia uma rede que já alcançou outros portos chineses; Gdynia trabalha para medir demanda e preparar a infraestrutura antes de iniciar o serviço. O próximo passo chinês é consolidar operações em mais pontos da rede de metanol, enquanto o polonês é concluir a avaliação e avançar na solução de abastecimento ship-to-ship planejada pela Orlen e pelo porto. A transição ganha forma quando o combustível disponível, a embarcação fornecedora e o procedimento portuário passam a funcionar juntos.