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title: "Portos e armadores testam aplicações práticas de IA"
author: "Redação"
date: "2026-09-09 10:55:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/09/portos-e-armadores-testam-aplicacoes-praticas-de-ia/md"
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## Resumo
- Busan selecionou três startups de IA para testar soluções de automação e logística no porto.
- A Xylo Labs atua no monitoramento de guindastes, a Uncommon Lab desenvolve sistemas operacionais e a Cargo Tree trabalha com agenciamento de carga.
- A plataforma 1876 Busan oferece infraestrutura, espaço de escritório e suporte a projetos de pesquisa e desenvolvimento.
- A BPA prevê investir 435,1 bilhões de won em IA até 2030 e busca elevar em 30% a produtividade dos terminais de contêineres.
- CMA CGM, SDARI e Bureau Veritas desenvolvem um conceito de porta-contêineres assistido por IA.
- O projeto naval prioriza eficiência energética e redução de tarefas repetitivas, mantendo o controle humano em decisões críticas.
- As iniciativas ainda estão em desenvolvimento e não apresentam resultados operacionais comprovados.

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**A Autoridade Portuária de Busan (BPA)** selecionou três startups de inteligência artificial para testar soluções de automação e logística no porto sul-coreano, enquanto um projeto anunciado em setembro de 2026 reúne empresas do transporte marítimo no desenvolvimento de um porta-contêineres assistido por IA. A primeira frente usa a plataforma [1876 Busan](https://splash247.com/busan-port-recruits-ai-startups) como estrutura para testes de campo, e a segunda concentra-se em ferramentas digitais e sistemas de apoio à decisão a bordo. Os dois movimentos ampliam a busca por aplicações práticas, mas permanecem em fases diferentes e ainda não apresentam resultados operacionais comprovados.

## Busan transforma o porto em laboratório

A seleção das startups foi organizada para aproximar empresas emergentes das operações reais de um terminal. A **Xylo Labs** trabalha com monitoramento de guindastes, enquanto a **Uncommon Lab** desenvolve sistemas operacionais para portos inteligentes. Essa divisão direciona a inteligência artificial para pontos específicos da rotina portuária, em vez de tratar a digitalização como uma solução única para todas as áreas. O objetivo declarado é apoiar a transformação digital e elevar a eficiência operacional por meio de testes conduzidos dentro da própria infraestrutura portuária.

O ambiente de experimentação é fornecido pela plataforma **1876 Busan**, que oferece infraestrutura para testes de campo, espaço de escritório e suporte a projetos de pesquisa e desenvolvimento. A **Cargo Tree**, terceira startup escolhida, atua em plataformas de agenciamento de carga. A combinação entre espaço de validação e empresas especializadas permite testar soluções próximas dos fluxos de trabalho que precisam ser digitalizados, embora as informações disponíveis não registrem ganhos de produtividade ou indicadores de segurança obtidos após a implantação.

Além da seleção de empresas, a BPA estabeleceu um plano de **Transformação por IA**, conhecido como AX, com execução prevista até 2030. A autoridade informou investimento de **435,1 bilhões de won** em inteligência artificial dentro de um plano total de 892,1 bilhões de won, acompanhado da meta de elevar em 30% a produtividade dos terminais de contêineres e alcançar zero acidente humano. As metas dão escala institucional à iniciativa, mas ainda funcionam como objetivos futuros, não como resultados já medidos.

Essa agenda ganhou uma estrutura administrativa própria com a criação do **Departamento de IA Digital** em julho de 2025. Em setembro do mesmo ano, a BPA assinou um memorando de entendimento com o **Instituto Coreano para o Avanço da Indústria de Robôs**, conhecido como KIRIA, para desenvolver tecnologias de IA e robótica adaptadas aos portos. A infraestrutura de Busan também será usada para validar soluções tecnológicas domésticas, reforçando a função do porto como campo de testes real para aplicações voltadas à segurança e à competitividade logística internacional.

## Do terminal ao convés do navio

No mar, a proposta segue uma lógica diferente da seleção de startups feita em Busan. O **Projeto de Desenvolvimento Conjunto** reúne a armadora **CMA CGM** e o escritório de design e engenharia naval SDARI para estudar um conceito de navio porta-contêineres assistido por IA. A CMA CGM fornecerá os requisitos operacionais, enquanto o SDARI ficará responsável pelo design e pela engenharia. A divisão de responsabilidades coloca a experiência de operação e o desenvolvimento naval no mesmo processo de concepção.

A avaliação técnica envolve também o **Bureau Veritas**, que analisará conformidade, segurança e riscos do conceito. As ferramentas digitais previstas devem apoiar decisões e otimizar operações, com atenção à **eficiência energética** e à redução da carga de trabalho dos tripulantes. O projeto foi apresentado como assistência à navegação e à operação, não como substituição da tripulação por um sistema autônomo sem pessoas a bordo.

O limite operacional foi definido de forma explícita: a tecnologia deverá aliviar tarefas repetitivas, mas o **controle humano** permanecerá nas decisões críticas. O projeto inclui a elaboração de especificações técnicas, avaliações de CAPEX e OPEX e uma estratégia de roteiro para etapas futuras. A intenção de buscar uma **Approval in Principle**, ou AiP, confirma que o trabalho ainda está concentrado na avaliação de viabilidade, segurança e requisitos de engenharia.

## O que os anúncios já permitem avaliar

A diferença entre as duas iniciativas está no ponto da cadeia em que cada uma atua e no grau de maturidade anunciado. Busan selecionou empresas para testar aplicações dentro de uma operação portuária existente, com acesso a infraestrutura e suporte de pesquisa. O projeto marítimo, por sua vez, trabalha sobre um conceito de embarcação e precisa avançar por especificações, avaliações econômicas e análises de conformidade. Em termos práticos, um movimento começa pela experimentação em campo, enquanto o outro estrutura as condições para uma possível aprovação técnica.

Essa distinção impede que os anúncios sejam tratados como demonstração de ganhos já realizados. As fontes não informam aumento efetivo de produtividade nos terminais de Busan, redução de acidentes, economia de combustível em navios ou diminuição mensurada da carga de trabalho dos marítimos. O que existe são metas para 2030, áreas de aplicação definidas e etapas de desenvolvimento anunciadas. Para profissionais de portos e navegação, a informação mais precisa é que as organizações estão preparando testes e conceitos, ainda sem apresentar uma comprovação operacional consolidada.

Os dois movimentos, porém, compartilham uma regra de implantação: a inteligência artificial deve apoiar a atividade humana dentro de limites definidos. Em Busan, a autoridade relaciona a tecnologia à segurança, à automação e à eficiência dos terminais. No projeto naval, o controle humano permanece nas decisões críticas e a avaliação de riscos fica sob responsabilidade do **Bureau Veritas**. Essa convergência desloca o debate da simples adoção de algoritmos para a definição de responsabilidades, validação em ambiente real e supervisão dos sistemas.

Os próximos passos já foram indicados pelas próprias iniciativas. A **BPA** continuará integrando as startups à plataforma 1876 Busan e executando o plano de investimentos previsto até 2030, enquanto o projeto naval deverá desenvolver especificações, estimar CAPEX e OPEX e avançar na estratégia para buscar a **AiP**. A passagem do anúncio para a operação dependerá, portanto, de testes documentados, validações de segurança e resultados mensuráveis, aspectos que ainda não aparecem nas informações divulgadas.

Para o transporte marítimo, a principal mensagem está na aproximação entre inovação e rotina operacional. Em terra, Busan procura transformar seu próprio porto em área de validação para startups; no mar, o consórcio formado por empresas de operação, engenharia e classificação estrutura um navio com assistência de IA. A tecnologia avança por caminhos distintos, mas a supervisão humana continua como requisito de funcionamento. O próximo marco será verificar se os testes portuários e o desenvolvimento naval conseguem converter planos, metas e especificações em desempenho comprovado.