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title: "Portocel amplia armazenagem e ferrovia para celulose em Santos"
author: "Redação"
date: "2026-09-10 08:28:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/10/portocel-amplia-armazenagem-e-ferrovia-para-celulose-em-santos/md"
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## Resumo
- A Portocel iniciou em junho a operação do Terminal 32 no Porto de Santos para atender à celulose da Suzano.
- O terminal foi preparado para movimentar cerca de 1,35 milhão de toneladas anuais produzidas no Mato Grosso do Sul.
- A área de armazenagem aumentou de 21.278,98 m² para 28.120,09 m².
- Quatro ramais ferroviários internos de 300 metros foram implantados no T32.
- Dois pórticos rolantes permitem descarregar 44 vagões simultaneamente.
- A operação movimentou mais de 945 mil toneladas em um ano e alcançou produtividade de 863 toneladas por hora.
- O contrato inicial de quatro anos prevê possibilidade de expansão para até 2,5 milhões de toneladas anuais.

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Em junho, a **Portocel** iniciou a operação do Terminal 32 do Porto de Santos, arrendado pela Suzano, para movimentar cerca de **1,35 milhão de toneladas anuais** de celulose produzida no Mato Grosso do Sul. A preparação incluiu a ampliação da área de armazenamento e a implantação de quatro ramais ferroviários internos. O desenho concentra no mesmo terminal o recebimento, a permanência e o embarque da carga. Para uma operação de celulose, essa integração define o ritmo entre a chegada dos vagões e a formação dos lotes destinados ao transporte marítimo.

## A retroárea foi dimensionada para a celulose

A primeira mudança ocorreu no espaço destinado à armazenagem. A área do T32 passou de **21.278,98 m² para 28.120,09 m²**, ampliando a capacidade física disponível para a celulose antes do embarque. Esse aumento permite organizar os volumes ferroviários dentro do terminal sem separar a função de armazenamento da etapa portuária. A retroárea, portanto, deixa de ser apenas uma área de espera e passa a participar diretamente da programação operacional do cais.

Essa ampliação veio acompanhada de equipamentos voltados ao descarregamento ferroviário. O projeto instalou **quatro ramais internos de 300 metros** e dois pórticos rolantes com capacidade individual de 48 toneladas. A configuração permite descarregar simultaneamente **44 vagões**, uma característica que conecta a capacidade da ferrovia ao espaço disponível no armazém. O ganho operacional está na possibilidade de tratar a composição ferroviária dentro do próprio terminal, em vez de interromper o fluxo para reorganizar a carga em etapas externas.

A configuração foi desenhada para acompanhar o percurso completo da mercadoria. O fluxo envolve o recebimento, a armazenagem e o embarque de volumes ferroviários provenientes do **Centro-Oeste e do interior de São Paulo**, com destino final à China. A celulose percorre, assim, uma sequência integrada entre origem industrial, ferrovia, retroárea, cais e transporte marítimo. Essa conexão é o ponto central da preparação do T32, porque associa a expansão física do terminal à necessidade de movimentar uma carga com origem e destino definidos.

## A ferrovia entra dentro do terminal

A implantação dos ramais modifica a relação entre transporte terrestre e operação portuária. Com a descarga simultânea de **44 vagões** por meio de pórticos rolantes, o T32 passa a receber composições ferroviárias em uma estrutura preparada para encaminhar a celulose ao armazenamento e, posteriormente, ao navio. O resultado depende da coordenação entre a chegada dos trens, a disponibilidade do armazém e a janela de embarque. A tecnologia aplicada aos equipamentos sustenta essa sequência física sem separar o planejamento ferroviário da rotina do terminal.

Essa solução foi associada à expansão da produção da Suzano em Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul. A nova fábrica iniciou operações em **21 de julho**, e a empresa realizou obras de modernização nos terminais T32 e DP World, em Santos, para atender ao escoamento dessa produção. No T32, a operação ocorre em parceria com a Portocel. A adequação portuária acompanha, portanto, uma unidade industrial específica e uma rota ferroviária que conecta o interior ao litoral.

O horizonte contratual também indica como essa estrutura poderá evoluir. O acordo entre Portocel e Suzano tem duração inicial de **quatro anos**, com possibilidade de expansão da capacidade de embarque do terminal para um intervalo entre **2 milhões e 2,5 milhões de toneladas anuais**. A projeção foi apresentada por Alexandre Mori, gerente-executivo de operações da Portocel. O aumento dependerá da capacidade de manter sincronizados armazenamento, descarga ferroviária e carregamento marítimo.

## Os resultados medem a preparação

A operação já produziu indicadores que ajudam a avaliar a adaptação do T32. Após um ano de atividades em Santos, a Portocel havia movimentado **mais de 945 mil toneladas de celulose**. O terminal também registrou um recorde mensal de **111 mil toneladas em março de 2025**. Esses números mostram a utilização progressiva da estrutura e oferecem uma referência para medir a capacidade de absorção dos novos fluxos ferroviários.

O desempenho de cais reforça essa leitura. Durante o carregamento do navio **Cosco Shipping Glory**, em junho de 2025, a operação alcançou produtividade bruta de **863 toneladas por hora**. O indicador relaciona a preparação da retroárea e dos equipamentos ao momento de transferência da celulose para o navio. A movimentação também gerou **61 postos de trabalho diretos** na região, vinculando a especialização operacional do terminal a efeitos concretos sobre a atividade local.

No T32, a dimensão tecnológica está concentrada na engenharia do fluxo. Os pórticos rolantes, os ramais internos e a capacidade de descarga simultânea formam uma solução aplicada à movimentação de celulose, em vez de uma expansão genérica de área. Essa combinação permite aperfeiçoar a performance operacional a partir da conexão entre infraestrutura e sequência de trabalho. O caso mostra que a inovação portuária também pode estar na forma como retroárea, ferrovia e cais são organizados para uma carga específica.

O próximo teste será sustentar esse desempenho dentro do contrato inicial de **quatro anos** e avaliar se a operação poderá avançar para até **2,5 milhões de toneladas anuais**. A Portocel já colocou em funcionamento a base física para essa expansão, com armazenagem ampliada, quatro ramais ferroviários e equipamentos capazes de atender 44 vagões ao mesmo tempo. A evolução dependerá da regularidade dos fluxos vindos do interior e da coordenação com os embarques marítimos. Para Santos, o T32 oferece um modelo concreto de preparação logística em que a ferrovia não termina no portão do terminal, mas participa do processo até a carga chegar ao navio.