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title: "Maersk e COSCO ampliam a integração logística portuária"
author: "Redação"
date: "2026-09-11 08:29:00-03"
category: "Logística"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/11/maersk-e-cosco-ampliam-a-integracao-logistica-portuaria/md"
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## Resumo
- Maersk projeta movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil em 2026.
- A empresa associa a meta à transição para uma operação logística porta a porta.
- O novo terminal de Suape integra a estratégia e recebe investimento de R$ 2 bilhões.
- A COSCO Shipping Ports registrou lucro de US$ 233,7 milhões no primeiro semestre de 2026.
- A movimentação da COSCO alcançou 80.157.047 TEU, com crescimento de 18% nos terminais no exterior.
- Automação e conectividade de dados estão entre os planos de integração da COSCO.
- Limitações de capacidade e conexões ferroviárias condicionam a eficiência logística no Brasil.

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Em 2026, a **Maersk** projetou movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil e associou essa meta à expansão de uma operação logística porta a porta, enquanto a **COSCO Shipping Ports** apresentou crescimento no primeiro semestre e planos de ampliar a integração entre terminais e cadeias de suprimentos em escala internacional. Os dois movimentos aproximam a operação portuária do transporte terrestre, da gestão de dados e dos serviços logísticos, mas devem ser lidos de forma diferente: a Maersk trabalha com projeções e investimentos no mercado brasileiro, enquanto os números da COSCO já correspondem a resultados provisórios consolidados.

## Maersk transforma meta em integração

No Brasil, a **Maersk** prevê movimentar **1,15 milhão de contêineres em 2026** e associa essa projeção à transição para um modelo de operadora logística porta a porta. A proposta amplia o escopo da companhia para além do transporte marítimo, reunindo sob uma mesma coordenação operações com navios, caminhões e terminais. A meta ainda não é um resultado realizado, mas estabelece a escala que a empresa pretende alcançar ao longo do ano. [A estratégia anunciada para o Brasil](https://portalbenews.com.br/maersk-preve-movimentar-115-milhao-de-conteineres-no-brasil-em-2026) coloca a integração operacional como eixo de expansão.

Essa mudança está ligada ao investimento de **R$ 2 bilhões no novo terminal de Suape**, em Pernambuco. A instalação entra na estratégia como uma peça de conexão entre a movimentação portuária e as demais etapas do fluxo de cargas, em vez de funcionar apenas como ponto de embarque ou desembarque. Para o embarcador, o modelo tende a concentrar responsabilidades e informações em uma única operação contratada, desde a origem até o destino. A execução dessa proposta, porém, dependerá da capacidade de conectar o terminal às rotas terrestres e marítimas disponíveis.

A execução da projeção também enfrenta obstáculos já identificados pela própria operação brasileira, entre eles **tarifas alfandegárias norte-americanas, cotas chinesas e limitações operacionais portuárias**. Esses fatores afetam a previsibilidade dos fluxos e podem reduzir o ganho obtido quando uma empresa controla mais de uma etapa logística. A integração, portanto, não elimina gargalos externos nem substitui capacidade física. Ela exige que decisões de transporte, atendimento aduaneiro e movimentação portuária funcionem com coordenação suficiente para evitar que o problema de uma etapa se transfira para a seguinte.

## COSCO combina escala e tecnologia

Em escala internacional, a **COSCO Shipping Ports** reportou lucro atribuível aos detentores de ações de **US$ 233,7 milhões no primeiro semestre de 2026**, alta de 28,5% sobre o mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 905,3 milhões, com crescimento de 12,3%, enquanto o lucro bruto alcançou US$ 239,5 milhões, avanço de 9,3%. Esses dados são resultados provisórios do período e mostram a dimensão econômica sobre a qual a companhia pretende apoiar seus próximos movimentos de integração. [O relatório semestral da COSCO](https://www.prnewswire.com/news-releases/cosco-shipping-ports-announces-2026-interim-results-302862855.html) também relaciona o desempenho à movimentação dos terminais operados pela empresa.

A escala física da operação aparece na movimentação total de **80.157.047 TEU** no primeiro semestre, volume 7,9% superior ao registrado um ano antes. Nos terminais no exterior, o crescimento chegou a 18%, com destaque para o terminal de **Chancay, no Peru**, que registrou alta de 68,2%. A distribuição desses resultados indica que a integração internacional depende de uma rede de ativos conectados por rotas e processos comuns, não apenas do desempenho de um terminal individual. Quanto maior a rede, maior também a necessidade de padronizar informações e decisões entre unidades com características distintas.

Além dos resultados já apurados, a estratégia descrita para a **COSCO Shipping Ports** prevê avanço em automação e conectividade de dados para aproximar a operação dos terminais dos serviços de logística da cadeia de suprimentos. O objetivo é usar a infraestrutura portuária como ponto de coordenação de fluxos, reduzindo a separação entre movimentação física e gestão operacional. Essa frente ainda corresponde a planos de desenvolvimento, e não a ganhos comprovados em todos os terminais. A diferença entre intenção e entrega será medida pela capacidade de transformar dados operacionais em decisões integradas sobre pátio, atendimento e transporte.

## Capacidade define o resultado

No mercado brasileiro, a escala projetada pela **Maersk** parte de uma posição já expressiva. Em janeiro de 2026, a empresa movimentou **139.107 TEU** no país, o equivalente a 26,02% do mercado analisado. A formação da Gemini com a Hapag-Lloyd também foi associada a uma participação combinada de 37,8% nas exportações e importações brasileiras. Esses números ajudam a dimensionar a base comercial da estratégia, mas não comprovam por si só que a integração porta a porta já tenha sido plenamente executada.

Essa concentração de volume encontra uma restrição física apontada na operação nacional: **apenas um terminal no Porto de Santos possui conexão ferroviária direta**. Ao mesmo tempo, a maioria dos portos brasileiros opera entre 90% e 95% da capacidade, acima da margem de 80% indicada como referência internacional para preservar espaço de manobra. Uma empresa pode coordenar navios, caminhões e contratos, mas a falta de conexão terrestre ou de capacidade disponível continua limitando a fluidez do serviço. A integração logística precisa, portanto, acompanhar a infraestrutura que sustenta cada trecho da cadeia.

A comparação entre as duas companhias mostra dois pontos de uma mesma mudança. A **Maersk** apresenta uma meta de volume e um investimento para ampliar o controle da operação no Brasil, enquanto a **COSCO Shipping Ports** combina resultados semestrais com planos de digitalização e serviços integrados em uma rede internacional. Em ambos os casos, o terminal deixa de ser tratado como uma etapa isolada, mas a eficiência dependerá da conexão entre ativos, dados e capacidade operacional. Para o setor brasileiro, a principal lição está na necessidade de acompanhar investimentos privados com acessos terrestres e espaço portuário compatíveis com o crescimento esperado.

Por isso, os próximos passos devem ser avaliados pela conversão de metas em operação verificável. A **Maersk** terá de transformar a projeção de 1,15 milhão de contêineres e o investimento em Suape em fluxos porta a porta com capacidade de resposta às restrições existentes. A **COSCO Shipping Ports** precisará demonstrar como automação, conectividade de dados e serviços integrados serão aplicados à rede de terminais além dos resultados já registrados. A expansão confirma que o Brasil acompanha a evolução da logística integrada, mas também expõe a necessidade de corrigir limitações antigas para que o crescimento do comércio se converta em produtividade portuária.