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title: "Transição energética portuária avança com shore power e amônia"
author: "Redação"
date: "2026-09-14 09:45:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/14/transicao-energetica-portuaria-avanca-com-shore-power-e-amonia/md"
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## Resumo
- O Shore Power Summit ocorrerá em Roterdã nos dias 18 e 19 de novembro de 2026, com foco na implantação prática da energia de costa.
- Portos, terminais, linhas marítimas e fornecedores discutirão rede elétrica, regulamentação, prontidão de navios e viabilidade econômica.
- A Lotte Fine Chemical e a Amogy assinaram um memorando para converter amônia verde em hidrogênio e energia na Coreia do Sul.
- O acordo prevê estações de abastecimento de hidrogênio com conversão no local e geração distribuída para edifícios e comunidades.
- O terminal da Lotte no Porto de Ulsan poderá ser usado para o abastecimento de navios com amônia verde.
- A eletrificação durante a atracação e a infraestrutura para novos combustíveis avançam por projetos distintos, mas complementares na transição portuária.

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Em setembro de 2026, a transição energética portuária ganhou duas frentes distintas: o **Shore Power Summit**, marcado para Roterdã em novembro, discutirá a eletrificação de navios durante a permanência no cais, enquanto a **Lotte Fine Chemical** e a norte-americana **Amogy** assinaram um memorando de entendimento para desenvolver aplicações de amônia verde na Coreia do Sul. As iniciativas não fazem parte do mesmo projeto, mas tratam de uma mesma necessidade operacional: reduzir o uso de combustíveis convencionais nos portos por meio de energia fornecida em terra e de novas rotas para abastecimento marítimo.

## Duas rotas para uma mesma meta

A eletrificação por energia de costa concentra a atenção no momento em que o navio está atracado. Em vez de manter seus sistemas dependentes da geração própria a bordo, a embarcação passa a utilizar uma conexão com a rede terrestre, exigindo adequação dos berços, disponibilidade de energia e compatibilidade técnica entre o terminal e o navio. O debate em Roterdã parte justamente dessa aplicação prática e inclui a **viabilidade econômica** dos projetos, além das condições necessárias para transformar a intenção de eletrificar em infraestrutura disponível.

Essa frente elétrica também depende de decisões que ultrapassam o limite físico do cais. A programação do encontro prevê discussões sobre **congestionamento da rede**, prontidão dos navios e investimentos, pontos que determinam se a conexão poderá operar com regularidade. As regras europeias aparecem no centro da conversa, com referências à **AFIR**, ao FuelEU Maritime e ao EU ETS. A combinação entre regulação, capacidade de rede e adaptação da frota define o ritmo de implantação da energia de costa.

A proposta sul-coreana parte de uma lógica diferente. A **amônia verde** chega ao terminal como combustível ou matéria-prima energética e passa por processos de conversão desenvolvidos pela Amogy, enquanto a Lotte contribui com sua infraestrutura de distribuição. O acordo prevê aplicações em estações de abastecimento de hidrogênio, geração distribuída e abastecimento de navios no Porto de Ulsan. A comparação entre as duas frentes mostra que a descarbonização portuária combina a mudança da fonte de energia no cais com a preparação de terminais para novos combustíveis.

## Eletrificação exige coordenação no cais

O **Shore Power Summit** será realizado na Schiecentrale, em Roterdã, nos dias **18 e 19 de novembro de 2026**. A segunda edição reunirá portos, terminais, linhas marítimas e fornecedores de tecnologia para discutir como a eletrificação pode sair da fase de planejamento. A programação inclui uma visita técnica ao Porto de Roterdã e sessões dedicadas às condições regulatórias e financeiras dos projetos. A presença de diferentes elos da operação indica que a conexão elétrica precisa ser planejada de forma integrada, e não como uma instalação isolada do restante do terminal. [A agenda anunciada para o encontro](https://www.worldcargonews.com/news/2026/09/shore-power-summit-opens-early-bird-registration-wcn-subscription-offer) reforça esse foco na execução.

O congestionamento da rede aparece como uma das limitações que podem afetar a escala da energia de costa. Um terminal pode instalar equipamentos de conexão, mas a operação dependerá da capacidade disponível no sistema elétrico e da coordenação com os responsáveis pelo fornecimento. A **prontidão dos navios** acrescenta outra camada: a infraestrutura em terra precisa encontrar embarcações preparadas para receber a energia. Por esse motivo, os investimentos discutidos em Roterdã envolvem simultaneamente obras portuárias, reforços elétricos e adequações na frota, sem que uma dessas etapas resolva sozinha o problema.

A própria estrutura do evento foi organizada para aproximar planejamento e operação. Na manhã de **18 de novembro**, os participantes farão uma visita técnica, seguida de conferência à tarde; no dia seguinte, haverá atividades de relacionamento e novas sessões. O encontro pretende discutir a passagem do projeto para a implantação, incluindo os custos e as exigências regulatórias que condicionam a tomada de decisão. Para os portos, o próximo passo não será apenas anunciar a intenção de eletrificar, mas avaliar onde a conexão pode funcionar, quais navios poderão utilizá-la e como o investimento será sustentado.

## Ulsan prepara uma cadeia para a amônia

Na Coreia do Sul, a Lotte Fine Chemical e a Amogy formalizaram, em **9 de setembro de 2026**, um memorando de entendimento para desenvolver projetos de conversão de amônia em hidrogênio e energia. O primeiro eixo envolve estações de abastecimento de hidrogênio com conversão no próprio local, solução que aproxima o processamento do ponto de consumo. A cooperação combina a infraestrutura de distribuição de amônia da Lotte com a tecnologia de craqueamento e conversão da Amogy, criando uma proposta que conecta armazenamento, processamento e fornecimento energético.

O segundo eixo amplia o uso da molécula para a geração distribuída destinada a **edifícios comerciais e comunidades**. A tecnologia da Amogy permite produzir hidrogênio de alta pureza e gerar energia por meio de células de combustível ou motores de combustão interna. Essa configuração pode atender aplicações estacionárias sem limitar o projeto ao abastecimento de veículos. Ao incluir geração distribuída no memorando, as empresas vinculam a infraestrutura de amônia a consumidores terrestres e ampliam a quantidade de operações que poderão utilizar a mesma cadeia de fornecimento.

O terceiro eixo é diretamente marítimo: utilizar o **terminal da Lotte no Porto de Ulsan** para o abastecimento de navios com amônia verde. A empresa informou ter realizado a importação comercial de amônia verde em março de 2026 e o fornecimento para reabastecimento de navios em abril do mesmo ano. A cerimônia de assinatura contou com **Shin Yoo-yeol**, chefe do Escritório de Crescimento Futuro do Grupo Lotte, que associou a estratégia ao objetivo de tornar a companhia o "hub de amônia limpa nº 1 da Ásia". O memorando ainda não informa valores nem cronograma, enquanto o summit de Roterdã já tem programação definida para novembro; essa diferença deixa claro que são iniciativas separadas, com etapas e graus de maturidade próprios.