---
title: "Dados e treinamento moldam a operação com novos combustíveis marítimos"
author: "Redação"
date: "2026-09-17 08:01:00-03"
category: "Internacional"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/17/dados-e-treinamento-moldam-a-operacao-com-novos-combustiveis-maritimos/md"
---

## Resumo
- ABB e Oceanly integrarão otimização de rotas à plataforma Oceanly Performance.
- A solução combinará dados de desempenho de alta frequência com decisões de navegação.
- A integração também conectará diagnósticos de ativos e facilitará trilhas de auditoria para reguladores.
- Trelleborg e SimWave lançaram um programa de treinamento para operações de bunkeragem de GNL e combustíveis alternativos.
- A formação começa com módulos sobre mangueiras compostas de GNL e o Universal Safety Link.
- O currículo será ampliado para procedimentos de rotina e emergência em terminais de GNL e navios de combustível alternativo.

---

Em setembro de 2026, a **ABB** e a **Oceanly** anunciaram uma integração entre otimização de viagens e dados de desempenho de embarcações para apoiar decisões de navegação, consumo de combustível e emissões. Na mesma fase de movimentação do setor, uma frente complementar de treinamento foi lançada na **Gastech 2026**, em Bangkok, para preparar tripulações que atuam com GNL e outros combustíveis alternativos. As iniciativas tratam de duas camadas da operação marítima: a inteligência produzida pelos sistemas e a competência necessária para executar procedimentos com segurança.

## A viagem passa a ser lida como um sistema

A primeira frente parte de uma colaboração que combina a experiência da **Oceanly** em coleta de dados de alta frequência e análise de desempenho com a atuação da **ABB** em automação, eletrificação e monitoramento de ativos. A integração será feita na plataforma Oceanly Performance, aproximando informações que normalmente ficam distribuídas entre sistemas de bordo, ferramentas de gestão e aplicações de navegação. Para operadores, essa conexão cria uma base única para observar o comportamento real da embarcação antes de ajustar uma decisão de viagem. O anúncio pode ser consultado na [comunicação sobre a parceria entre ABB e Oceanly](https://dredgewire.com/abb-and-oceanly-collaborate-on-integrated-vessel-optimization).

O foco inicial é integrar as capacidades de otimização de rotas da **ABB** diretamente na plataforma da **Oceanly**. Na prática, o operador poderá analisar o desempenho real da embarcação junto com as decisões de navegação, relacionando a rota escolhida ao comportamento observado durante a viagem. A finalidade anunciada é reduzir o consumo de combustível e as emissões por meio de decisões apoiadas em dados operacionais, sem que as fontes apresentem uma redução quantificada já obtida. O valor técnico da proposta está em aproximar a medição do desempenho da ação que modifica a viagem.

Essa integração também busca superar a fragmentação entre coleta de dados, análise de desempenho, otimização de viagens e diagnósticos de ativos. A parceria pretende reunir essas funções em um único ambiente e facilitar uma trilha de auditoria para **stakeholders** e reguladores. O anúncio ocorreu durante a **SMM**, em Hamburgo, no início de setembro de 2026, momento em que a digitalização marítima foi apresentada como uma ferramenta de controle operacional e prestação de informações. Para a gestão de frotas, a consequência esperada é uma leitura mais contínua da relação entre condição do ativo, rota escolhida e resultado observado.

## A transição chega à rotina da tripulação

A segunda frente foi estruturada pela **Trelleborg Marine and Infrastructure** e pela **SimWave** com o lançamento de um programa especializado em equipamentos de transferência. O programa foca em fechar lacunas de competência de tripulações em operações de bunkeragem de **GNL** e outros combustíveis alternativos. A iniciativa foi apresentada na Gastech 2026, em Bangkok, e desloca a discussão sobre transição energética para a execução diária de procedimentos de abastecimento, conexão, inspeção e resposta operacional. O anúncio mostra que a adoção de um combustível diferente exige treinamento específico para os equipamentos usados na transferência.

Na etapa inicial, o programa inclui módulos de **e-learning** sobre uso, manutenção e inspeção de mangueiras compostas de GNL, além do **Universal Safety Link**, conhecido pela sigla USL. O conteúdo organiza conhecimentos que afetam diretamente a integridade da transferência e a segurança da equipe envolvida. Em vez de tratar o equipamento como uma peça isolada, a capacitação relaciona operação correta, conservação e inspeção antes do uso. Essa abordagem reduz a distância entre o manual técnico e a prática da tripulação, preparando a expansão do currículo para outros procedimentos.

O currículo será ampliado para abranger procedimentos de rotina e emergência relacionados ao portfólio de transferência da **Trelleborg**. A empresa também descreve uma abordagem padronizada para o desenvolvimento da tripulação, com o objetivo de reduzir a variabilidade operacional e ampliar a vida útil dos equipamentos por meio do manuseio correto. A formação, portanto, cumpre uma função de controle: transforma instruções técnicas em práticas repetíveis, inclusive quando diferentes equipes precisam executar a mesma operação. O próximo avanço depende da incorporação de módulos voltados a terminais de GNL e navios que utilizam combustíveis alternativos.

## Eficiência depende de dados e competência

As duas frentes convergem em uma mesma lógica operacional. Na camada digital, dados de desempenho ajudam a comparar a viagem realizada com a decisão de navegação adotada. Na camada humana, o treinamento prepara a equipe para executar a transferência conforme os procedimentos definidos e para reconhecer condições que exigem intervenção. Uma plataforma pode indicar que determinada operação precisa ser revista, mas a resposta depende de pessoas capazes de interpretar a informação e agir sobre ela. Essa combinação aproxima eficiência energética, segurança e disciplina operacional sem confundir objetivo anunciado com resultado já medido.

Essa complementaridade também sustenta um ciclo de otimização contínuo: medir o desempenho, otimizar a viagem e verificar os resultados para orientar melhorias futuras com base em dados operacionais reais. A existência de uma trilha de auditoria amplia a capacidade de reconstruir decisões e comprovar quais informações foram usadas em cada etapa. No treinamento, a padronização cumpre função semelhante ao estabelecer uma referência comum para uso, manutenção e inspeção dos equipamentos. Em ambos os casos, o ganho depende da qualidade do registro e da consistência com que a rotina é executada.

Os anúncios descrevem etapas de integração e capacitação, não uma implantação já realizada em portos brasileiros nem reduções mensuradas de emissões. A frente digital ainda tem como foco inicial conectar a otimização de rotas à plataforma de desempenho, enquanto a frente de treinamento começa com módulos específicos e prevê ampliações. Essa delimitação evita atribuir às iniciativas resultados que as fontes não apresentam. Ao mesmo tempo, mostra que a transição energética marítima está sendo tratada em duas frentes concretas: melhorar a decisão operacional e reduzir lacunas de competência antes que novos procedimentos sejam incorporados à rotina.

O próximo passo anunciado para a capacitação é o desenvolvimento de módulos adicionais sobre operações de rotina e emergência em terminais de **GNL** e em navios de combustível alternativo. Na integração digital, a prioridade continua sendo conectar dados de desempenho, otimização de viagens e diagnósticos de ativos em um ambiente único. A combinação desses movimentos oferece ao setor uma direção prática: sistemas devem produzir informações utilizáveis, e as equipes devem saber transformar essas informações em ações seguras. A transição marítima avançará à medida que essas duas condições forem desenvolvidas em conjunto, com resultados avaliados a partir de dados operacionais e procedimentos verificáveis.