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title: "Montevidéu disputa cargas regionais com terminal de US$ 900 milhões"
author: "Redação"
date: "2026-09-17 08:04:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/17/montevideu-disputa-cargas-regionais-com-terminal-de-us-900-milhoes/md"
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## Resumo
- A Neltume Ports apresentou uma proposta de US$ 900 milhões para construir a Montevideo Container Terminal.
- O projeto prevê capacidade de 1,15 milhão de TEUs por ano, 940 metros de cais e 38 hectares de área operacional.
- A instalação foi planejada para receber dois navios pós-Panamax e realizar transbordo de barcaças.
- A estratégia mira cargas da Argentina, do Brasil e do Paraguai e busca atrair novas linhas marítimas internacionais.
- As operações de longo curso de Montevidéu cresceram quase 5% nos sete primeiros meses de 2026.
- A proposta surgiu após o encerramento de uma arbitragem de US$ 600 milhões entre a Neltume e o Estado uruguaio.
- O projeto ainda depende de análise da Presidência, do Ministério dos Transportes e da Administração Nacional de Portos.

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A **Neltume Ports** apresentou em setembro de 2026 ao governo do Uruguai uma iniciativa privada para construir a **Montevideo Container Terminal (MCT)**, com investimento previsto de **US$ 900 milhões**. A proposta, detalhada pela [DatamarNews](https://datamarnews.com/pt/noticias/neltume-propoe-terminal-de-conteineres-de-us-900-milhoes-em-montevideu), coloca Montevidéu na disputa por cargas da Argentina, do Brasil e do Paraguai ao projetar uma capacidade de 1,15 milhão de TEUs por ano. O empreendimento ainda está em análise preliminar e busca atrair novas linhas marítimas internacionais para fortalecer a função de hub regional.

## Uma obra desenhada para o transbordo regional

A escala proposta dá a medida da estratégia. A **MCT** teria **940 metros de cais**, extensão suficiente, segundo o projeto, para atender dois navios pós-Panamax. A instalação também incluiria um berço destinado ao transbordo de barcaças, modalidade que conecta operações marítimas a fluxos hidroviários. Esses elementos mostram que a Neltume pretende estruturar uma plataforma voltada a diferentes etapas do transporte de contêineres, e não apenas ampliar a movimentação no cais.

Essa configuração seria distribuída em **38 hectares de área operacional**, com acessos terrestres independentes. A separação dos acessos aparece como parte do desenho apresentado ao governo uruguaio e deverá ser examinada junto com os demais componentes da proposta. A construção estimada pode gerar **1.800 empregos**, mas a geração de postos durante as obras não deve ser confundida com a confirmação do investimento ou com resultados futuros de produtividade.

O projeto ganha sentido dentro da busca por conectividade. A Neltume afirma que o terminal foi desenhado para atrair **novas linhas de navegação internacionais** e elevar a competitividade do porto, que hoje tem a **Terminal Cuenca del Plata** como principal instalação especializada. O foco regional inclui mercados da Argentina, do Brasil e do Paraguai, mas a simples existência de uma nova capacidade não assegura a transferência de cargas nem a abertura de serviços regulares.

## A conectividade será decidida fora do cais

O momento do anúncio reforça a disputa por fluxos de comércio. As operações de longo curso do Porto de Montevidéu cresceram **quase 5% nos sete primeiros meses de 2026**, movimento que amplia o interesse por capacidade adicional e por conexões marítimas mais abrangentes. Ainda assim, o crescimento registrado até julho não permite concluir que a MCT terá demanda suficiente para ocupar os 1,15 milhão de TEUs projetados.

A competição regional depende da capacidade de transformar infraestrutura em serviços. Para conquistar cargas de **Argentina, Brasil e Paraguai**, Montevidéu precisará inserir o terminal nas rotas escolhidas pelas companhias marítimas e nas cadeias de transporte que atendem esses mercados. O projeto apresenta essa intenção, mas a decisão de escalar novas linhas depende da avaliação comercial dos armadores e da disponibilidade de conexões terrestres e hidroviárias associadas ao porto.

O berço para **transbordo de barcaças** amplia o alcance operacional previsto para a instalação, enquanto os cais projetados para navios pós-Panamax indicam uma tentativa de combinar escala marítima e distribuição regional. Na prática, a função de hub dependerá da articulação entre navios, barcaças, acessos terrestres e áreas de operação. Como esses resultados ainda pertencem à etapa de planejamento, não há base para afirmar que o investimento produzirá ganhos operacionais garantidos.

## O projeto ainda depende de aval institucional

A proposta foi apresentada logo após a Neltume encerrar uma disputa arbitral de **US$ 600 milhões** contra o Estado uruguaio. O conflito havia sido iniciado por causa da prorrogação da concessão da **Terminal Cuenca del Plata** para a Katoen Natie até 2081. Em setembro de 2026, o governo confirmou que a empresa retirou de forma irrevogável a arbitragem no CIADI, sem pagamento de indenizações, criando uma nova etapa de negociação institucional.

O debate jurídico permanece ligado à possibilidade de entrada de uma segunda instalação especializada. Em fevereiro de 2026, o **Tribunal de lo Contencioso Administrativo** anulou a cláusula 3.5.4 do Decreto 114/2021, que impedia o surgimento de outro terminal especializado no porto. A decisão removeu uma restrição prevista na regulamentação, mas não equivale à autorização automática da MCT nem encerra a análise sobre seus efeitos no contrato existente.

O próximo passo depende da tramitação formal. A proposta está sob análise preliminar da **Presidência do Uruguai** e, caso avance, seguirá para o Ministério dos Transportes e para a Administração Nacional de Portos, com avaliação de uma comissão especial. Montevidéu já dispõe de uma operação de longo curso em expansão e agora discute se deve ampliar sua capacidade para disputar cargas do Cone Sul; a resposta dependerá do processo regulatório e da adesão efetiva das linhas marítimas, não apenas dos US$ 900 milhões anunciados.