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title: "Portos inteligentes avançam com interoperabilidade e segurança"
author: "Redação"
date: "2026-09-17 13:23:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/17/portos-inteligentes-avancam-com-interoperabilidade-e-seguranca/md"
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## Resumo
- A CIDIS 2026 reunirá representantes de mais de 10 países em Lisboa nos dias 19 e 20 de outubro de 2026.
- O encontro terá inteligência artificial, descarbonização, economia azul e cibersegurança entre os principais temas.
- O Porto de Barcelona aderiu à Declaração de Busan junto com outros dez portos globais.
- A declaração prevê interoperabilidade de dados, inteligência artificial na logística e troca de conhecimentos entre portos.
- Hong Kong adotou um plano quinquenal para digitalizar os Terminais de Contentores de Kwai Tsing.
- O plano de Hong Kong estabelece metas para 2030, incluindo 7% de combustíveis marítimos verdes e redução de 30% nas emissões de Kwai Tsing.

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Três movimentos recentes colocaram os **portos inteligentes** no centro da agenda internacional de modernização marítima. Em setembro de 2026, o Porto de Barcelona aderiu à Declaração de Busan, enquanto Hong Kong anunciou seu Primeiro Plano Quinquenal para 2026 a 2030. Em Lisboa, a [CIDIS 2026](https://portugalglobal.pt/noticias/2026/setembro/cidis-2026-abre-portas-a-empresas-portuguesas-no-setor-portuario) será realizada em outubro para discutir inteligência artificial, cibersegurança, descarbonização e desempenho portuário. Os três movimentos apontam para uma transformação que combina debate técnico, compromissos entre portos e metas públicas de execução.

## CIDIS organiza a agenda de execução

A primeira frente será apresentada pela **CIDIS 2026** nos dias **19 e 20 de outubro de 2026**, na sede da EMSA, em Lisboa. O encontro reunirá representantes de mais de 10 países para tratar de inteligência artificial, descarbonização, economia azul e cibersegurança. A escolha dos temas aproxima a conferência dos problemas operacionais que determinam o desempenho dos terminais, desde o uso de dados até a proteção de sistemas conectados. O debate português ocorre no mesmo período em que portos de diferentes regiões anunciam políticas e compromissos próprios.

Essa característica diferencia a conferência de um plano governamental ou de uma declaração assinada por autoridades portuárias. A **CIDIS** funcionará como espaço de discussão e conexão entre empresas, governos e instituições, com a presença confirmada de ministros de Portugal, Cabo Verde e Moçambique. Também participarão instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento e a **IAPH**. A reunião, portanto, concentra diferentes perspectivas sobre como aplicar tecnologias digitais e medidas ambientais em infraestruturas portuárias.

O eixo de **cibersegurança** amplia o alcance da agenda tecnológica. Sistemas digitais precisam trocar informações com confiabilidade, enquanto os operadores devem preservar a continuidade das atividades portuárias diante de falhas ou acessos indevidos. A CIDIS também relaciona inteligência artificial e descarbonização ao desempenho dos portos, aproximando eficiência operacional e transição energética no mesmo debate. Esse caráter de conferência ajuda a organizar prioridades, mas não substitui os compromissos formais assumidos por portos e governos.

## Barcelona transforma debate em compromisso

A discussão ganha uma dimensão prática com a adesão do **Porto de Barcelona** à Declaração de Busan, assinada em setembro de 2026 durante o aniversário de 150 anos do porto sul-coreano. Barcelona passou a integrar um grupo de **11 portos globais** comprometidos com uma agenda comum de digitalização e descarbonização. O documento reúne portos como Busan, Roterdão, Los Angeles, Singapura e Hamburgo, criando uma referência compartilhada para iniciativas de inovação portuária. A adesão desloca o tema do debate para uma declaração de compromissos entre autoridades portuárias.

O primeiro compromisso operacional está na **interoperabilidade de dados**. Na prática, essa diretriz exige que informações produzidas por diferentes sistemas possam circular entre os participantes sem depender de processos isolados. A Declaração de Busan também prevê a aplicação de **inteligência artificial na logística**, vinculando dados integrados a decisões de planejamento e gestão. Para os terminais, a qualidade dessa troca interfere na capacidade de coordenar informações ao longo das operações e de reduzir pontos de descontinuidade digital.

A dimensão ambiental amplia o alcance da declaração. Os portos signatários assumiram compromissos relacionados ao uso de **combustíveis sustentáveis** e à troca de conhecimentos por meio da IAPH e da **IMO**. A combinação entre cooperação institucional e transição energética cria uma agenda que depende de padrões compartilhados, aprendizado entre autoridades e aplicação gradual nas operações. Diferentemente da CIDIS, que reúne participantes para discutir soluções, Busan estabelece uma base de ação conjunta entre portos que aderiram ao documento.

## Hong Kong fixa metas até 2030

A terceira frente parte de uma política pública com prazo definido. Anunciado em **16 de setembro de 2026**, o Primeiro Plano Quinquenal de Hong Kong estabelece uma mudança do modelo baseado em volume para uma orientação de maior valor agregado. O programa inclui a digitalização dos Terminais de Contentores de **Kwai Tsing** e a cooperação com o cluster portuário da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. A transformação inteligente aparece, assim, integrada ao planejamento econômico e portuário da região.

As metas dão medida concreta à transição. Até **2030**, Hong Kong pretende alcançar 7% de uso de combustíveis marítimos verdes nos navios registrados no território e reduzir em 30% as emissões dos terminais de Kwai Tsing em comparação com 2021. O plano também prevê a criação de **cinco Corredores de Energia Verde**. Esses indicadores permitem acompanhar a execução da política e relacionar investimentos digitais a resultados ambientais mensuráveis.

O plano também moderniza o regime de registro de navios, incluindo a possibilidade de **registro duplo**, e mantém a descarbonização como uma de suas linhas de ação. A digitalização de Kwai Tsing e a criação de corredores de energia conectam a operação dos terminais ao abastecimento e à atividade marítima. Essa abordagem amplia a responsabilidade da autoridade portuária, que passa a coordenar metas de tecnologia, energia e registro dentro do mesmo horizonte de planejamento.

Tomados em conjunto, os três movimentos formam uma sequência clara para o setor. A **CIDIS 2026** reunirá participantes em Lisboa nos dias 19 e 20 de outubro para discutir caminhos e aplicações; Barcelona levará a interoperabilidade e a inteligência artificial para uma declaração multilateral; e Hong Kong acompanhará sua transformação por metas estabelecidas até 2030. O próximo passo será converter discussão, compromisso e planejamento em sistemas compatíveis, redução de emissões e proteção digital capazes de sustentar a operação diária dos portos.