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title: "Gêmeo digital do Porto de Dover prevê limite de energia em 2027"
author: "Redação"
date: "2026-09-23 13:06:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/23/gemeo-digital-do-porto-de-dover-preve-limite-de-energia-em-2027/md"
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## Resumo
- O programa TransiT criou um gêmeo digital tridimensional do Porto de Dover para testar a descarbonização do transporte de cargas.
- A subestação Ashford East 11kV deverá chegar a zero de capacidade disponível em 2027.
- A simulação avaliou caminhões pesados elétricos, modelos híbridos de energia e diferentes alternativas de transporte.
- O estudo concluiu que carregadores inteligentes não substituem a expansão física da rede elétrica.
- O demonstrador também analisa estradas elétricas, balsas elétricas e combinações de frotas convencionais, híbridas e elétricas.
- A velocidade de prototipagem do projeto aumentou em 66%, permitindo testar intervenções antes da implantação real.

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Um **gêmeo digital em 3D** está sendo usado pelo programa TransiT para testar a descarbonização das operações de carga no Porto de Dover, no Reino Unido, em um projeto previsto para ocorrer de julho de 2024 a junho de 2029. Desenvolvida com participação da Bentley Systems, a ferramenta simulou caminhões pesados elétricos, demandas de energia e diferentes combinações entre transporte e infraestrutura. O estudo identificou que a subestação **Ashford East 11kV** deverá chegar a zero de capacidade disponível em 2027. O resultado transforma a digitalização em instrumento de planejamento físico para o porto.

## O porto antes da obra

O **TransiT** é um hub nacional de pesquisa dedicado à descarbonização do transporte por meio de gêmeos digitais. O programa tem orçamento de **£ 46 milhões**, duração de cinco anos e reúne oito universidades e mais de 70 parceiros industriais. A estrutura permite avaliar políticas, intervenções e modelos regulatórios e comerciais ligados à transição sustentável do transporte. No demonstrador de Dover, essa abordagem foi aplicada ao encontro entre o frete marítimo, a circulação rodoviária e o fornecimento de eletricidade, áreas que precisam ser planejadas em conjunto quando a frota passa a depender de recarga.

Na camada operacional, a **Bentley Systems** utilizou a tecnologia Cesium para construir uma representação geoespacial tridimensional do Porto de Dover. O modelo integra simulações de realidade estendida a modelos híbridos de energia e transporte, permitindo observar como mudanças na frota alteram a demanda por infraestrutura. Em vez de analisar somente o veículo ou o terminal, o método conecta circulação, carregamento e disponibilidade da rede em uma mesma visualização. Essa integração dá ao operador uma base para comparar alternativas antes de executar intervenções no espaço portuário.

Essa arquitetura também reduziu o tempo necessário para transformar hipóteses em testes digitais. A velocidade de prototipagem do projeto aumentou em **66%**, enquanto o modelo passou a permitir a avaliação de caminhões pesados elétricos e de diferentes configurações de energia e transporte. O ganho não está apenas na apresentação visual da operação, mas na possibilidade de testar uma mudança, observar suas exigências e revisar a proposta dentro do ambiente virtual. Para o planejamento portuário, cada rodada de simulação ajuda a separar uma solução tecnicamente viável de outra que exigiria obras adicionais.

## A eletrificação encontra a subestação

O alerta mais direto do demonstrador está na subestação **Ashford East 11kV**. A projeção indica que a unidade chegará a zero de capacidade disponível em 2027, antes que a eletrificação do transporte pesado possa avançar sem novas medidas de infraestrutura. O dado desloca a discussão do custo dos caminhões para a capacidade física de atender simultaneamente os pontos de carregamento e as demais cargas do porto. A restrição aparece no modelo antes da implantação em escala, dando aos responsáveis uma referência temporal para planejar a expansão da rede.

O estudo concluiu que a expansão elétrica será necessária além da adoção de **sistemas de carregamento inteligentes**. O demonstrador também registra falta de espaço e de capacidade de rede para carregar caminhões elétricos, dois limites que interferem diretamente na disposição dos equipamentos e na rotina operacional. A gestão da energia portuária passa, portanto, a depender da relação entre potência disponível, horários de recarga e circulação dos veículos. A simulação permite tratar essas variáveis de forma coordenada, em vez de decidir a localização dos carregadores sem medir o efeito sobre a rede.

A restrição elétrica se soma a outros obstáculos analisados no frete marítimo e rodoviário. O projeto considera os custos de balsas elétricas, testa a possibilidade de **estradas elétricas com linhas aéreas** e compara as emissões de frotas convencionais, híbridas e totalmente elétricas. Essa combinação mostra que a descarbonização não depende de uma única troca tecnológica. Cada alternativa modifica o consumo de energia, a circulação interna e a relação entre o porto e os acessos terrestres. O gêmeo digital funciona como uma ferramenta para confrontar essas escolhas antes que elas pressionem a operação real.

## Simular para decidir

A aplicação em Dover envolve diretamente o **Port of Dover** e a DFDS, conectando a administração portuária à operação de transporte marítimo. O demonstrador foi concebido para examinar o frete marítimo e rodoviário como uma sequência integrada, desde a chegada da carga até o deslocamento por caminhão. Essa conexão é necessária porque a eletrificação de um trecho pode transferir custos e restrições para outro, especialmente quando os veículos precisam aguardar uma janela de carregamento próxima ao embarque. A modelagem oferece uma forma de visualizar essa dependência em escala operacional.

O trabalho também foi apresentado a mais de **60 participantes** dos setores de logística, transporte marítimo, infraestrutura, energia e governo. A discussão envolveu métodos de modelagem, visualização e formulação de políticas para reduzir os riscos da descarbonização do transporte de cargas. Essa etapa amplia o uso do gêmeo digital para além do projeto técnico, pois coloca os resultados em debate entre organizações que controlam ativos, rotas e decisões regulatórias. O valor da ferramenta está em tornar visível uma restrição que poderia aparecer somente depois da compra de veículos ou da instalação de carregadores.

O próximo passo do TransiT será ampliar a pesquisa com **£ 1,2 milhão** destinados a seis projetos que começarão em abril de 2027, cada um com financiamento de até £ 200 mil. As manifestações de interesse devem ser apresentadas até 19 de outubro de 2026, com 30% de financiamento equivalente de parceiros industriais. Para Dover, a indicação sobre a Ashford East 11kV já estabelece a principal condição de avanço: a eletrificação precisa caminhar junto com a expansão da rede. O caso mostra que o planejamento digital pode antecipar o limite da infraestrutura e orientar investimentos antes que a restrição se transforme em gargalo operacional.