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title: "Transpetro e Petrobras avançam na descarbonização marítima"
author: "Redação"
date: "2026-09-24 12:19:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/24/transpetro-e-petrobras-avancam-na-descarbonizacao-maritima/md"
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## Resumo
- Transpetro reduziu em mais de 9% as emissões absolutas da operação marítima desde 2022.
- A companhia investiu R$ 35 milhões em eficiência energética e planeja novos aportes de R$ 48 milhões.
- Novos navios da frota foram projetados para reduzir emissões em até 30% e podem ser adaptados para usar etanol.
- Petrobras abasteceu três navios da Transpetro com bunker contendo 24% de biodiesel em São Sebastião, em 2025.
- O bunker renovável é uma solução drop-in e pode ser usado na frota existente sem adaptações técnicas.
- A Petrobras espera obter até o fim de 2026 a certificação para o bunker com conteúdo renovável em Santos.
- As iniciativas atuam em duas frentes complementares, com eficiência da frota e redução da intensidade de carbono do combustível.

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Em junho de 2026, a **Transpetro** informou que reduziu em mais de 9% as emissões absolutas de sua operação marítima desde 2022, enquanto a **Petrobras** espera obter até o fim de 2026 a certificação para bunker com conteúdo renovável em Santos. As duas iniciativas atuam sobre pontos diferentes da navegação: uma reduz o consumo e as emissões da frota por meio de eficiência operacional, enquanto a outra amplia o uso de combustível marítimo com conteúdo renovável.

## A frota corta emissões com eficiência

Esse resultado foi construído com medidas aplicadas diretamente à operação dos navios. A **Transpetro** utiliza apêndices hidrodinâmicos, que alteram o comportamento do casco na água, e monitora a velocidade das embarcações para reduzir o consumo de combustível. Os detalhes dos projetos de eficiência energética estão reunidos na [iniciativa de descarbonização da frota](https://www.portosenavios.com.br/noticias/empresas-e-negocios/transpetro-investe-em-tecnologias-para-descarbonizacao-da-frota), que combina ajustes de engenharia e controle operacional.

A redução das emissões também está vinculada a uma agenda de investimentos. A companhia informou a aplicação de **R$ 35 milhões** em projetos de eficiência energética e planeja acrescentar outros **R$ 48 milhões**. O uso de drones para inspeção de tanques amplia a capacidade de acompanhamento das embarcações, enquanto tintas especiais no casco ajudam a reduzir incrustações e, consequentemente, o consumo de combustível durante a navegação.

O programa de renovação acrescenta uma frente de longo prazo ao esforço operacional. Os novos navios do **Programa de Ampliação e Renovação da Frota do Sistema Petrobras** foram projetados para reduzir emissões em até **30%** e preveem adaptação para o uso de etanol como combustível alternativo. A decisão de incorporar essa possibilidade ainda na concepção dos navios relaciona a renovação da frota às futuras opções de abastecimento marítimo.

Assim, a estratégia da **Transpetro** não depende de uma única tecnologia. O monitoramento de velocidade atua sobre a condução da viagem, os apêndices hidrodinâmicos interferem no desempenho do casco e os revestimentos reduzem a resistência provocada por incrustações. A soma dessas medidas permite atacar o consumo por diferentes vias, enquanto os novos navios estabelecem uma segunda escala de redução, associada ao projeto e à motorização das embarcações.

## O bunker renovável chega antes da certificação local

Enquanto a frota recebe soluções de eficiência, a frente de combustível avançou com testes em operações reais. Em novembro de 2025, três navios da **Transpetro**, o Zumbi dos Palmares, o Rômulo Almeida e o Carlos Drummond de Andrade, foram abastecidos no Terminal de São Sebastião com bunker contendo **24% de biodiesel**. O combustível foi fornecido pela Petrobras Biocombustível, que utilizou a operação para ampliar a experiência prática com a mistura renovável.

Essa formulação foi desenvolvida como uma solução **drop-in**, ou seja, pode ser utilizada na frota existente sem adaptações técnicas. O produto também está em conformidade com as regras internacionais de enxofre aplicáveis ao transporte marítimo. Na prática, essa característica reduz a necessidade de alterar imediatamente motores e sistemas de bordo, concentrando o desafio na disponibilidade do combustível e na validação de sua aplicação em diferentes operações.

A trajetória do bunker renovável começou antes do abastecimento realizado em São Sebastião. No fim de **2022**, o navio Darcy Ribeiro recebeu no Terminal de Rio Grande uma mistura com 10% de biodiesel. Os testes laboratoriais conduzidos pelo **Cenpes** indicaram a viabilidade do produto e não identificaram impactos negativos no desempenho dos motores nem nos sistemas de filtragem, resultado que sustentou novos abastecimentos com maior conteúdo renovável.

O próximo passo está relacionado a Santos, mas ainda não foi concluído. A **Petrobras espera obter até o fim de 2026** a certificação para o bunker com conteúdo renovável no porto paulista, conforme descrito na [expectativa de certificação em Santos](https://www.portosenavios.com.br/noticias/navegacao-e-marinha/petrobras-espera-obter-certificacao-para-bunker-com-conteudo-renovavel-em-santos-ate-final-de-2026). A diferença entre o produto já testado e a certificação esperada precisa ser mantida: a experiência operacional existe, mas a etapa regulatória e comercial específica para Santos permanece em andamento.

As duas frentes mostram como a descarbonização marítima pode ser medida em escalas diferentes. A **Transpetro** acompanha a queda das emissões absolutas de sua operação e investe em equipamentos, procedimentos e navios mais eficientes. A **Petrobras**, por sua vez, trabalha sobre a composição do combustível, com uma mistura que já foi testada em embarcações e que pode ser usada sem modificações técnicas na frota existente.

Essa separação ajuda a avaliar os resultados sem misturar indicadores. A redução superior a **9%** desde 2022 está associada à operação marítima da Transpetro, enquanto os 24% correspondem ao conteúdo de biodiesel do bunker utilizado em São Sebastião. Um dado mede emissões da atividade; o outro descreve a composição do combustível. A certificação prevista para Santos será uma etapa adicional para consolidar o uso desse produto em outra instalação portuária.

Para a logística marítima, a combinação também distribui os investimentos ao longo do tempo. As medidas de eficiência podem ser aplicadas à frota em operação, os novos navios incorporam alternativas de projeto e o bunker renovável utiliza a infraestrutura técnica existente a bordo. Essa organização permite que a transição avance por melhorias sucessivas, sem depender exclusivamente da substituição imediata de todas as embarcações.

O calendário concentra dois movimentos até o fim de **2026**: a Petrobras prevê concluir a etapa de certificação do bunker renovável em Santos, enquanto a Transpetro mantém os aportes planejados para eficiência energética e renovação da frota. O avanço brasileiro passa a depender da continuidade dessas duas linhas de trabalho, com resultados acompanhados tanto pelo consumo dos navios quanto pela disponibilidade de combustíveis de menor intensidade de carbono.

Ao atuar simultaneamente sobre o casco, a operação, o projeto dos navios e o combustível, **Transpetro e Petrobras** constroem uma transição marítima com frentes complementares. A redução já informada pela Transpetro oferece uma medida concreta do desempenho operacional, enquanto os testes com bunker renovável mostram que a frota existente pode participar da mudança. A confirmação da certificação em Santos será o próximo marco para ampliar essa aplicação no sistema portuário brasileiro.