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title: "Automação portuária enfrenta o desafio das frotas mistas"
author: "Redação"
date: "2026-09-25 08:26:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/25/automacao-portuaria-enfrenta-o-desafio-das-frotas-mistas/md"
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## Resumo
- A automação portuária precisa integrar frotas de diferentes fabricantes e sistemas legados sem APIs.
- A Kalmar One conecta equipamentos ao TOS e busca reduzir riscos, custos e a dependência de fornecedores únicos.
- A plataforma da Kalmar é usada em 12 locais de referência e controla 441 máquinas, entre equipamentos de transporte horizontal e pórticos de pátio.
- Os projetos do Kalmar One levam cerca de 20 semanas e usam Gêmeos Digitais para simulação e redução de riscos.
- A Strada automatiza tarefas em portais de operadoras e sistemas legados por meio de agentes de IA que operam o navegador.
- A automação por navegador dispensa trabalho de engenharia na configuração e registra cada etapa para auditoria.
- A modernização dos terminais tende a avançar por integração gradual, em vez de substituir imediatamente toda a infraestrutura existente.

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Em **2026**, o mercado portuário entrou em uma fase intensiva de digitalização e automação, mas a modernização passou a enfrentar uma questão operacional específica: conectar frotas de diferentes fabricantes a sistemas legados que não oferecem APIs. A **Kalmar** apresenta o Kalmar One para integrar equipamentos ao TOS e otimizar frotas, enquanto a **Strada** lançou agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas em portais de operadoras pelo navegador. A combinação mostra por que terminais inteligentes dependem da integração tecnológica antes de substituir toda a infraestrutura existente.

## A frota mista muda a lógica da automação

A primeira resposta vem da interoperabilidade. A **Kalmar One** permite conectar equipamentos de qualquer fabricante, integrar-se ao TOS, sigla em inglês para sistema operacional de terminal, e otimizar frotas. A empresa apresenta a plataforma como uma forma de mitigar riscos, custos e a dependência de fornecedores únicos, condição conhecida no setor como vendor lock-in. Para operadores, a conexão entre máquinas distintas desloca a decisão de automação da compra de uma frota completa para a coordenação dos ativos já disponíveis.

Essa lógica já aparece em uma base operacional mensurável. Atualmente, há **12 locais de referência globais** utilizando o sistema, que controla **441 máquinas**, sendo 278 de transporte horizontal e 163 pórticos de pátio. Os números mostram que a interoperabilidade precisa funcionar em mais de um tipo de equipamento e em operações distribuídas, sem limitar a plataforma a uma única categoria de máquina. A frota mista deixa de ser um obstáculo isolado de manutenção e passa a fazer parte do desenho do software.

O desenho também inclui uma etapa de preparação antes da entrada em operação. Os projetos de implementação do **Kalmar One** levam cerca de **20 semanas** e utilizam Gêmeos Digitais para simulação e redução de riscos. O sistema possui ainda certificação de segurança **IEC 62443-4-1**, norma associada ao desenvolvimento seguro de sistemas de automação industrial. A combinação entre simulação, prazo definido e requisito de segurança cria uma rota de implantação que não depende da retirada imediata dos equipamentos existentes.

## Os sistemas legados entram pela porta do navegador

A mesma necessidade de integração aparece fora do controle direto dos equipamentos de pátio. A **Strada** lançou uma funcionalidade que permite a agentes de IA navegar e completar tarefas em portais de operadoras e sistemas legados, replicando o comportamento humano no navegador. A solução atende processos em que a conexão tradicional por API não está disponível, permitindo que o terminal automatize uma atividade sem aguardar a substituição do sistema que sustenta o processo.

Esse recurso reduz a dependência de projetos longos de desenvolvimento para cada interface. A configuração não exige trabalho de engenharia: o usuário registra a tarefa uma vez e a inteligência artificial passa a executá-la. Cada etapa fica registrada para auditoria, o que transforma a automação por navegador em um processo rastreável, e não em uma sequência invisível de comandos. Para operações portuárias, esse registro ajuda a acompanhar como uma atividade foi realizada em um ambiente legado.

A dificuldade de implementação também aparece em projetos de automação de maior escala. A **HHLA**, em Hamburgo, revisou suas previsões de lucro após enfrentar desafios em implementações de automação. O caso reforça que a aquisição de tecnologia não encerra o trabalho operacional: integração, implantação e adaptação precisam ser tratados como partes do projeto. A automação por navegador e a conexão de frotas mistas atacam pontos diferentes da mesma questão, que é fazer sistemas novos funcionarem com processos já existentes.

## Escalar exige testar antes de substituir

A necessidade de integrar estruturas existentes convive com projetos concebidos desde o início para a operação automática. O governo da **Coreia do Sul** iniciou a construção de um terminal de contêineres totalmente automatizado no Porto de Gwangyang. Esse tipo de empreendimento mostra a possibilidade de projetar uma instalação com automação ampla desde a origem, mas também estabelece um contraste com terminais que precisam modernizar máquinas, softwares e procedimentos sem interromper a operação corrente.

Essa transição explica o espaço ocupado por soluções modulares. O mercado portuário de 2026 concentra esforços em plataformas que conectam sistemas legados a novas aplicações de inteligência artificial, com uso de **Gêmeos Digitais** para reduzir riscos. A interoperabilidade permite que equipamentos de múltiplos fabricantes participem da mesma operação, enquanto ferramentas de navegador cobrem processos que não dispõem de APIs. A modernização, portanto, avança por camadas técnicas diferentes, cada uma respondendo a uma limitação específica.

Por isso, o próximo passo para os operadores é avaliar a automação pela capacidade de integração e pelo controle da implantação. A referência apresentada pela **Kalmar** combina 12 locais globais, 441 máquinas controladas, simulação por Gêmeos Digitais e projetos com duração aproximada de 20 semanas. A **Strada**, por sua vez, mostra como uma tarefa registrada uma única vez pode ser executada em sistemas sem APIs e permanecer disponível para auditoria. Esses caminhos indicam que o terminal inteligente será construído pela conexão progressiva entre ativos, softwares e processos, preservando o que ainda funciona enquanto novas camadas são incorporadas.