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title: "Gêmeos digitais conectam cascos e terminais em Singapura"
author: "Redação"
date: "2026-09-25 08:25:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/25/gemeos-digitais-conectam-cascos-e-terminais-em-singapura/md"
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## Resumo
- Singapura testa gêmeo digital no novo terminal HarbourFront para otimizar operações portuárias.
- O terminal entrou em operação total em 15 de julho de 2026 e já processou mais de 720.000 passageiros.
- O projeto SHIP usa ROVs, sensores ópticos e machine learning para criar modelos tridimensionais de cascos.
- Os modelos digitais identificam rachaduras, corrosão e bioincrustação para apoiar a manutenção preditiva.
- A MPA destinou SGD 3,7 milhões a seis projetos de inspeção e limpeza robótica de cascos.
- O Ecovortex 4K será testado em correntes de até quatro nós e usará IA com precisão superior a 90% na classificação de bioincrustação.
- Robôs residentes passam a formar históricos contínuos da condição das embarcações.

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O **Singapore Cruise Centre (SCC)** inaugurou oficialmente o novo terminal HarbourFront em 22 de setembro de 2026, em Singapura, enquanto o projeto SHIP avança na criação de modelos digitais tridimensionais para inspeção de cascos. O terminal, que entrou em operação total em 15 de julho, já processou mais de 720.000 passageiros e testa um gêmeo digital em parceria com a Autoridade Portuária de Singapura. No ambiente naval, a iniciativa liderada pela Voyis Imaging utiliza veículos operados remotamente para registrar a condição dos cascos. As duas aplicações mostram como a mesma abordagem pode organizar decisões sobre instalações portuárias e ativos embarcados.

## Do passageiro ao casco

A diferença entre os dois projetos está no objeto representado, e não na lógica de trabalho. No HarbourFront, o gêmeo digital marítimo é testado para apoiar o planejamento dos movimentos de embarcações, da atracação e dos recursos do terminal. No projeto SHIP, o modelo tridimensional reproduz a superfície do casco e concentra informações sobre sua condição física. Em ambos os casos, a representação digital aproxima dados operacionais da decisão, ligando o que acontece no espaço físico ao planejamento da atividade.

O novo terminal HarbourFront foi construído a **70 metros** da instalação anterior e chegou à operação plena depois de um ciclo de desenvolvimento e testes de 24 meses. Desde 15 de julho de 2026, a estrutura já processou mais de 720.000 passageiros e foi dimensionada para atender até **18.000 pessoas por dia**. Esses números dão escala ao uso de dados no terminal, que precisa coordenar fluxos de passageiros e embarcações em uma instalação de alta circulação. O teste do gêmeo digital amplia essa camada operacional para o planejamento portuário.

A infraestrutura também reorganizou os operadores de ferry em um único piso e ampliou em **50%** as áreas de espera em relação à instalação antiga. O terminal emprega sistemas automatizados para check-in, bagagem e imigração, com uso de biometria facial, criando uma operação em que a circulação dos passageiros depende de processos integrados. Nesse ambiente, o gêmeo digital marítimo é testado com a **MPA** para otimizar as operações portuárias, conectando o planejamento dos movimentos e da atracação aos recursos disponíveis no terminal.

## O casco entra no ciclo preditivo

Na inspeção naval, o projeto **[SHIP](https://oceannews.com/news/science-technology/voyis-imaging-leads-hull-inspection-platform-project-with-autonomous-rov-technology)** recebeu investimento de **US$ 4,7 milhões** e é liderado pela Voyis Imaging. A plataforma usa ROVs, veículos operados remotamente, equipados com sensores ópticos avançados e machine learning para examinar o casco enquanto o navio permanece na água. A coleta substitui a dependência exclusiva de observações pontuais e cria uma base digital para acompanhar a superfície submersa da embarcação.

O sistema gera um **gêmeo digital tridimensional** do casco e permite detectar automaticamente rachaduras, corrosão e bioincrustação. O projeto também busca produzir relatórios quantitativos para apoiar a manutenção preditiva e reduzir o tempo de inatividade das embarcações. Para o armador, a mudança está na forma de registrar a condição do ativo: a inspeção deixa de entregar apenas uma observação isolada e passa a formar dados que podem ser comparados ao longo do tempo.

Essa linha de desenvolvimento recebeu outra frente de testes em Singapura. A **MPA** selecionou seis empresas para projetos de 18 meses, com início previsto para o segundo semestre de 2026, e destinou **SGD 3,7 milhões** em cofinanciamento pelo fundo Maritime Innovation and Technology. As iniciativas envolvem automação e inteligência artificial para monitorar a saúde dos cascos e combater a bioincrustação, com atenção a navios de menor emissão de carbono. O investimento cria uma agenda coordenada para testar soluções subaquáticas em condições operacionais.

## De inspeções isoladas a dados contínuos

Entre os projetos apoiados está o **Ecovortex 4K**, da Oceanis Robotics. A solução será validada para operar em correntes de até quatro nós e usará classificadores de bioincrustação baseados em inteligência artificial, com precisão superior a 90%. O sistema também recorrerá a gêmeos digitais baseados em SLAM, técnica de localização e mapeamento simultâneos, para entregar aos armadores dados de alta fidelidade sobre a integridade dos cascos.

A evolução descrita para o setor marítimo é a passagem da inspeção pontual realizada por terceiros para o uso de **robôs residentes**, integrados permanentemente às embarcações. Esses equipamentos coletam dados de forma contínua e formam um registro longitudinal da condição dos ativos, em vez de produzir apenas observações separadas. A consequência operacional indicada pelas iniciativas é um acompanhamento mais frequente da performance e um planejamento mais preciso das manutenções, conectado ao histórico real do navio.

O contraste com o HarbourFront ajuda a delimitar o alcance da tecnologia. No terminal, o gêmeo digital está associado ao planejamento de movimentos, atracação e recursos de uma instalação de passageiros. No casco, ele organiza imagens e medições sobre danos, corrosão e incrustação. A primeira aplicação trabalha a operação do espaço portuário; a segunda acompanha a integridade do ativo que circula por esse espaço. A arquitetura digital muda conforme o objeto, mas a decisão continua apoiada por uma representação atualizada da operação física.

Os próximos passos já têm prazos definidos. O terminal HarbourFront seguirá testando o gêmeo digital em parceria com a **Autoridade Portuária de Singapura**, enquanto os projetos selecionados pelo fundo MINT terão 18 meses de desenvolvimento a partir do segundo semestre de 2026. No lado naval, o SHIP e o Ecovortex 4K concentram esforços na produção de dados quantitativos e na inspeção subaquática contínua. A combinação dessas frentes coloca o gêmeo digital em duas escalas da atividade marítima, do planejamento de um terminal à manutenção do casco de cada embarcação.