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title: "Portos avançam da estratégia verde à energia das marés"
author: "Redação"
date: "2026-09-27 11:41:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/27/portos-avancam-da-estrategia-verde-a-energia-das-mares/md"
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## Resumo
- A Malásia defende uma agenda portuária baseada em produtividade, conectividade, redução de emissões, digitalização e cooperação transfronteiriça.
- O Porto de Antuérpia-Bruges instalou uma turbina no Kallo Lock para aproveitar as marés do Rio Scheldt.
- A turbina pode fornecer até 75% da eletricidade usada pela eclusa, incluindo pontes, comportas e climatização.
- A Omexom integra o equipamento à rede elétrica, com possibilidade de devolução de excedentes ao sistema.
- O projeto faz parte da iniciativa europeia PIONEERS, voltada à redução de emissões de gases de efeito estufa em portos.
- A estratégia de Antuérpia-Bruges inclui neutralidade climática até 2050, rebocador elétrico e novas conexões de energia em terra previstas para 2026.

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A agenda de transição verde defendida para os portos da Malásia reúne produtividade, conectividade, redução de emissões, digitalização e cooperação transfronteiriça como prioridades. Em paralelo, o Porto de Antuérpia-Bruges instalou uma turbina para aproveitar a energia das marés do Rio Scheldt no Kallo Lock. A comparação entre as duas frentes mostra a distância entre uma orientação estratégica ampla e uma solução aplicada a uma operação portuária específica, com capacidade prevista, integração elétrica e uso definido dentro de uma eclusa.

## A estratégia malaia começa pela coordenação

Na formulação apresentada para os portos malaios, produtividade e conectividade aparecem associadas à transição ambiental, e não como objetivos separados. A proposta relaciona a eficiência da operação à capacidade de manter conexões logísticas e reduzir emissões ao longo das atividades portuárias. Essa combinação desloca a discussão de metas ambientais isoladas para a organização do sistema portuário, em que desempenho operacional e redução de emissões precisam avançar juntos. A **Bernama Biz** descreve essa agenda como parte do esforço para posicionar os portos da Malásia na transição ambiental.

Digitalização e cooperação transfronteiriça completam o conjunto de prioridades defendido para os portos da Malásia. A primeira aparece como instrumento de modernização das operações, enquanto a segunda amplia a dimensão da estratégia para além dos limites de cada instalação. O material não apresenta uma única máquina ou uma capacidade energética específica para executar essa agenda. Ele estabelece direções de planejamento que dependem de projetos posteriores, capazes de transformar objetivos de conectividade, produtividade e redução de emissões em sistemas instalados e mensuráveis.

Essa diferença fica mais clara quando a agenda malaia é comparada com uma intervenção localizada em uma infraestrutura portuária europeia. Em Antuérpia-Bruges, a redução de emissões foi associada a uma fonte renovável instalada diretamente em uma eclusa, com finalidade operacional definida. A estratégia ampla indica o que os portos precisam perseguir; o projeto do **Kallo Lock** mostra como uma parte dessa transição pode ser executada em um ponto concreto da operação. A comparação, portanto, não coloca os modelos como alternativas, mas como etapas diferentes do mesmo processo de descarbonização.

## Kallo transforma maré em energia de serviço

Em Kallo Lock, a turbina utiliza a energia das marés do Rio Scheldt para atender equipamentos que sustentam o funcionamento da eclusa. A instalação foi projetada para alimentar pontes, comportas e os sistemas de climatização do edifício. O projeto descrito pela [Port Technology International](https://www.porttechnology.org/news/green-technology/port-of-antwerp-bruges-taps-tidal-power-to-cut-lock-emissions) conecta a geração renovável a cargas que já fazem parte da rotina portuária, em vez de tratar a energia limpa como uma iniciativa externa à operação. Esse vínculo entre fonte e consumo dá à solução um escopo delimitado e verificável.

A expectativa é que o equipamento forneça até 75% da eletricidade necessária para a operação do Kallo Lock. A capacidade prevista permite avaliar a iniciativa por um indicador diretamente relacionado ao funcionamento da eclusa, a parcela do consumo atendida pela geração das marés. A **Omexom** é responsável pela integração da turbina com a rede elétrica, o que acrescenta uma camada de gestão ao projeto. Quando houver excedente, a energia poderá ser devolvida à rede, conectando o consumo local a uma operação de intercâmbio elétrico.

O projeto faz parte da iniciativa PIONEERS, financiada pela União Europeia para reduzir emissões de gases de efeito estufa em portos. A vinculação coloca a turbina dentro de um programa de transição portuária com foco em aplicação tecnológica, e não como um equipamento isolado sem relação com políticas ambientais mais amplas. O caso também mostra que uma fonte renovável precisa ser compatível com a infraestrutura existente, com a demanda elétrica da instalação e com os procedimentos de conexão à rede. A experiência do Kallo Lock traduz uma meta ambiental em uma unidade operacional acompanhável.

## A solução local entra em uma agenda maior

O projeto da eclusa integra uma trajetória mais ampla do Porto de Antuérpia-Bruges, que mantém o objetivo de alcançar a neutralidade climática até 2050. As iniciativas de energia em terra nos portos de Antuérpia e Zeebrugge aparecem entre as medidas destinadas a reduzir emissões e poluição sonora. A turbina do Kallo Lock ocupa uma posição específica nessa agenda porque atende uma instalação fixa, enquanto a energia em terra se relaciona ao fornecimento elétrico para navios. São aplicações distintas, mas ambas aproximam a transição energética do ponto de consumo.

Na frota de apoio, o Porto de Antuérpia-Bruges recebeu o Volta 1, descrito como o primeiro rebocador totalmente elétrico da Europa, com bateria de 1,5 MW. O dado amplia a leitura sobre a estratégia portuária: a descarbonização não está restrita à geração de energia em uma eclusa, mas também alcança equipamentos móveis usados na operação marítima. A presença de uma embarcação elétrica ao lado de uma turbina de maré mostra que diferentes ativos exigem soluções próprias, definidas pelo tipo de consumo, pela infraestrutura disponível e pela função desempenhada no porto.

Em paralelo, a Antwerp Euroterminal está instalando conexões de energia em terra para navios, com previsão de operação para 2026. O prazo oferece uma referência concreta para a expansão da infraestrutura elétrica portuária e complementa a geração renovável já aplicada no Kallo Lock. A combinação entre geração local e fornecimento em terra amplia os pontos em que o porto pode reduzir o uso de energia convencional durante as operações. Ela também torna a transição dependente de planejamento de rede, integração técnica e definição de quais equipamentos serão atendidos em cada etapa.

A comparação entre Malásia e Antuérpia-Bruges deixa uma conclusão operacional: metas como conectividade, digitalização e redução de emissões precisam chegar a projetos com local, usuário, capacidade e prazo definidos. No caso europeu, a turbina atende até 75% da demanda elétrica do Kallo Lock, a integração cabe à Omexom e novas conexões de energia em terra estão previstas para 2026, dentro de uma meta de neutralidade climática até 2050. Para os portos malaios, a agenda descrita pela Bernama Biz fornece a direção; a experiência de Antuérpia-Bruges mostra o passo seguinte, que é converter essa direção em aplicações capazes de ser medidas na rotina portuária.