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title: "GNL cresce mais rápido que a infraestrutura de abastecimento"
author: "Redação"
date: "2026-09-28 12:08:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/28/gnl-cresce-mais-rapido-que-a-infraestrutura-de-abastecimento/md"
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## Resumo
- A DNV identifica um descompasso entre o crescimento da frota movida a GNL e a infraestrutura de abastecimento.
- Cerca de 900 navios de combustível duplo a GNL estão em operação e 650 estão em construção.
- O mercado conta com aproximadamente 70 navios de abastecimento, com outros 30 previstos entre 2026 e 2029.
- A frota de abastecimento precisará chegar a 200 unidades até 2030.
- A expansão do terminal Tilbury LNG, da FortisBC, terá investimento de US$ 3,5 bilhões e será executada em duas fases.
- Além de navios e tanques, a operação exige sistemas de transferência compatíveis e ferramentas digitais de coordenação.

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Em setembro de 2026, a **DNV** alertou que o crescimento da frota marítima movida a GNL está à frente da infraestrutura de abastecimento, enquanto a **FortisBC** acelera a expansão do terminal Tilbury LNG, em Delta, na Colúmbia Britânica. A frota global já reúne cerca de 900 navios de combustível duplo em operação e 650 em construção; o projeto canadense busca ampliar a oferta para mercados internacionais. O contraste importa para os portos porque a adoção do combustível depende de capacidade produtiva, armazenamento e meios de transferência compatíveis.

## A frota chegou antes do abastecimento

Essa diferença começa no número de embarcações em circulação e encomendadas. Existem atualmente cerca de **900 navios de combustível duplo a GNL** em operação e **650 em construção**. O crescimento simultâneo da frota em operação e das encomendas aumenta a quantidade de navios que dependerá de uma rede de abastecimento compatível. Para os terminais, a pressão não fica restrita à atracação: ela alcança a programação do fornecimento e a disponibilidade dos navios de abastecimento. É essa conexão entre frota e serviço portuário que transforma a expansão naval em uma exigência de infraestrutura.

O lado do abastecimento ainda opera em escala menor. O mercado conta com aproximadamente **70 navios de abastecimento**, enquanto outros **30 estão previstos entre 2026 e 2029**. Mesmo com essas entregas programadas, a expansão não acompanha automaticamente o crescimento da frota, porque cada operação depende de acesso ao GNL, conexão segura e janela coordenada com o navio atendido. A restrição desloca parte da discussão para os ativos e processos instalados nos portos.

Por isso, a DNV estima que a frota de abastecimento precisará chegar a **200 navios até 2030**. A meta dá uma medida do intervalo entre a capacidade existente e a escala projetada para o serviço marítimo. O aumento do número de embarcações especializadas precisa ser acompanhado por maior capacidade de **armazenamento nos portos**, pois o combustível deve estar disponível antes de a operação de transferência começar. Sem essa camada física, a expansão da frota não garante uma oferta regular ao armador.

## Tilbury amplia a resposta pelo lado da oferta

É nesse ponto que a expansão do **Tilbury LNG** oferece uma resposta pelo lado da oferta. O projeto de **US$ 3,5 bilhões** da FortisBC recebeu status de prioridade no programa "One Project, One Review", do governo canadense. A Fase 1B deve iniciar a construção em meados de 2027 e entrar em operação em 2031, com aumento de 650.000 toneladas por ano na capacidade. O cronograma conecta uma decisão regulatória à ampliação física que o mercado de GNL precisa.

O segundo estágio amplia a escala planejada. A Fase 2 prevê um novo tanque de **142.400 metros cúbicos** e conclusão em 2035, levando a capacidade produtiva total do terminal a **3,4 milhões de toneladas por ano**. O tanque reforça a capacidade de armazenamento do empreendimento, mas não substitui os navios de abastecimento exigidos para a etapa marítima. A expansão canadense, portanto, responde a uma parte específica do descompasso identificado pela DNV.

A orientação comercial do projeto também é internacional. A expansão pretende atender aos mercados **asiático e europeu**, reduzir a dependência do fornecimento dos Estados Unidos e compensar lacunas globais de suprimento associadas ao **fechamento do Estreito de Ormuz**. Para a logística marítima, esse objetivo acrescenta uma dimensão geográfica à infraestrutura: produzir mais GNL em um terminal não resolve, sozinho, a necessidade de distribuí-lo nos pontos onde os navios abastecem.

## Abastecer exige transferência e coordenação

O próximo gargalo está na transferência entre o terminal e a embarcação. A DNV aponta a necessidade de **sistemas de transferência compatíveis**, capazes de conectar a infraestrutura terrestre aos navios de abastecimento e às embarcações consumidoras. Essa compatibilidade envolve a interface física da operação e a coordenação das etapas de fornecimento, mas o problema não se reduz à construção de novos navios. O serviço depende da integração entre o ativo flutuante e o terminal que o atende.

A coordenação também precisa de informação operacional. O déficit identificado pela DNV requer **ferramentas digitais de coordenação** para organizar disponibilidade, armazenamento e transferência sem separar as decisões do terminal da programação dos navios. Para os gestores portuários, a tecnologia entra como camada de planejamento da bunkeragem de GNL, conectando a oferta do terminal ao momento de atendimento. Esse requisito mostra por que a expansão física e a gestão dos dados devem avançar juntas.

Os prazos já definidos ajudam a medir o próximo ciclo de investimentos. A frota de abastecimento precisa alcançar **200 unidades até 2030**, enquanto a Fase 1B de Tilbury tem início de construção previsto para meados de 2027 e operação em 2031; a Fase 2 está projetada para 2035. A diferença entre esses calendários indica que a infraestrutura de GNL será construída em etapas, e que portos, operadores e armadores terão de acompanhar simultaneamente navios, tanques, transferência e coordenação digital. O avanço do combustível dependerá da conexão entre essas entregas concretas.