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title: "Eletrificação portuária avança com shore power integrado"
author: "Redação"
date: "2026-09-29 12:08:00-03"
category: "Portos"
url: "http://tp.scale.press/portal/tp/post/2026/09/29/eletrificacao-portuaria-avanca-com-shore-power-integrado/md"
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## Resumo
- PowerCon amplia sua atuação em eletrificação portuária com subestações pré-fabricadas, baterias, recarga e serviços de ciclo de vida.
- A ABB executa em Roterdã um projeto com 35 pontos de conexão para atender 32 navios simultaneamente.
- Projetos de shore power podem levar de três a cinco anos, pressionando portos a iniciar investimentos antes de 2030.
- Portsmouth colocou em operação um sistema multi-berço e multi-frequência que conectou três navios ao mesmo tempo.
- O sistema britânico recebeu £19,8 milhões do programa ZEVI e tem meta de reduzir 20 mil toneladas de CO2e por ano.
- A Transport & Environment identificou que apenas 21% das conexões exigidas na União Europeia estavam instaladas ou contratadas em 2025.
- Navios porta-contêineres tinham apenas 11% da demanda projetada para 2030 encaminhada, abaixo dos 38% registrados para passageiros e cruzeiros.

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A eletrificação portuária está deixando de ser uma sequência de instalações isoladas para assumir a forma de uma infraestrutura integrada de energia, conexão naval e operação de terminais. A **PowerCon** anunciou soluções com subestações pré-fabricadas, fornecimento de energia em terra, equipamentos de recarga, armazenamento em baterias e serviços de ciclo de vida. Em Roterdã, a **ABB** executa um projeto com 35 pontos de conexão para atender 32 navios simultaneamente. A urgência aumenta porque navios acima de 5.000 toneladas brutas deverão utilizar eletricidade em terra nos portos da União Europeia até **2030**.

## A rede elétrica chega ao cais

A estratégia da **PowerCon** amplia o escopo técnico do shore power para além do equipamento instalado junto ao berço. O pacote anunciado reúne subestações pré-fabricadas, sistemas de fornecimento elétrico, recarga e armazenamento em baterias, além de serviços que acompanham o ativo ao longo de sua vida útil. Essa combinação permite tratar a conexão do navio como parte de uma arquitetura maior, na qual a disponibilidade da rede e a continuidade da operação precisam ser planejadas em conjunto. Para os terminais, a mudança desloca a discussão da compra de um ponto de conexão para o dimensionamento de toda a infraestrutura elétrica.

Em Roterdã, a **ABB** está executando uma instalação com **35 pontos de conexão** capaz de abastecer 32 navios simultaneamente. O número dá uma medida da escala exigida quando o shore power passa a atender vários terminais e perfis de embarcação ao mesmo tempo. Projetos desse tipo levam de três a cinco anos para serem concluídos, segundo Sami Lehikoinen, da ABB, o que reduz o espaço para decisões tardias antes do prazo regulatório europeu. O [projeto da ABB em Roterdã](https://www.worldcargonews.com/ports-terminals/2026/09/abbs-sami-lehikoinen-its-the-optimal-time-to-invest-in-shore-power) mostra como a eletrificação precisa ser planejada antes que a demanda se concentre no fim da década.

O dimensionamento também precisa considerar cargas que não pertencem diretamente ao navio. A ABB recomenda auditorias elétricas de longo prazo capazes de incluir a eletrificação de **equipamentos portuários** e o crescimento da demanda por carga refrigerada. Esses consumidores disputam capacidade com a conexão dos navios e podem alterar a potência necessária em cada berço. A consequência prática é que subestações, baterias e sistemas de gestão precisam ser avaliados como partes de uma mesma operação, com dados de consumo capazes de orientar a expansão.

## Portsmouth testa a operação real

A experiência de **Portsmouth** acrescenta uma dimensão operacional à expansão da infraestrutura. O Porto Internacional de Portsmouth e a Universidade de Portsmouth lançaram um white paper sobre um sistema pioneiro de energia em terra com operação multi-berço e multi-frequência no Reino Unido. A estrutura tornou-se operacional em **julho de 2026** dentro do projeto Sea Change, financiado pelo programa ZEVI do governo britânico. O [documento de Portsmouth](https://www.port.ac.uk/news-events-and-blogs/news/portsmouth-researchers-share-lessons-as-ships-plug-in-to-clean-power-at-the-citys-port) organiza as lições obtidas durante a entrada do sistema em serviço.

O teste mais expressivo ocorreu em **23 de setembro de 2026**, quando três navios se conectaram simultaneamente à instalação. A operação envolveu dois ferries da Brittany Ferries e o navio de cruzeiro MS Amadea, demonstrando a capacidade de atender embarcações de diferentes tipos no mesmo sistema. O projeto recebeu **£19,8 milhões** do programa ZEVI e tem como meta reduzir 20 mil toneladas de CO2e por ano. A conexão simultânea transforma a compatibilidade elétrica e a coordenação dos berços em requisitos operacionais, e não apenas em especificações de engenharia.

As lições de Portsmouth apontam que a instalação física é apenas o início da descarbonização no cais. O white paper defende **monitoramento de longo prazo** e integração dos dados operacionais para acompanhar o desempenho do sistema depois da entrada em operação. Essa abordagem permite relacionar o uso da energia em terra com o tipo de navio, o tempo de permanência e a frequência das conexões. Para os terminais, a gestão dos dados passa a apoiar decisões sobre disponibilidade, manutenção e ampliação da rede elétrica.

## O prazo de 2030 comprime as decisões

A velocidade atual de implantação ainda está abaixo do necessário para atender às exigências europeias. Um estudo da Transport & Environment, publicado em **julho de 2025**, apontou que apenas 21% das conexões de energia em terra exigidas pela legislação da União Europeia estavam instaladas ou contratadas em 31 portos analisados. A diferença entre segmentos também é ampla: navios de passageiros e cruzeiros tinham 38% das conexões necessárias encaminhadas, enquanto os porta-contêineres alcançavam apenas **11%** da demanda projetada para 2030. O dado concentra o risco nos terminais de carga, justamente onde a conexão precisa conviver com picos de operação e demanda de equipamentos.

A regulamentação FuelEU Maritime e AFIR estabelece o horizonte de **2030** para que navios acima de 5.000 toneladas brutas utilizem energia em terra quando atracados em portos da União Europeia. Como os projetos podem consumir de três a cinco anos entre planejamento e conclusão, a janela de implantação já está associada ao prazo de conformidade. O estudo da Transport & Environment também recomenda antecipar exigências para navios de cruzeiro para 2028 e integrar o fornecimento elétrico portuário a mecanismos de crédito da diretiva de energia renovável RED III. A combinação entre norma, financiamento e disponibilidade de rede condiciona a ordem em que os portos precisarão contratar e executar suas obras.

Outros projetos mostram que a infraestrutura está sendo dimensionada para potências elevadas e prazos definidos. O Porto de Québec avança em uma instalação de **16 MW** voltada a navios de cruzeiro, com meta de operação em 2028. A escala indica que o shore power exige ligação com a rede elétrica local e capacidade suficiente para atender embarcações sem comprometer as demais cargas do terminal. O mesmo princípio aparece na expansão global de projetos de eletrificação, nos quais o berço, a subestação e os sistemas de controle precisam funcionar como uma unidade operacional.

Os projetos de Roterdã e Portsmouth mostram duas etapas do mesmo processo: dimensionar a rede para múltiplas conexões e comprovar o desempenho na operação diária. A **ABB** associa o planejamento a auditorias elétricas que incluam equipamentos e carga refrigerada, enquanto Portsmouth acrescenta monitoramento e integração de dados após a entrada em serviço. A combinação desses elementos reduz o risco de instalar pontos de conexão sem capacidade suficiente para atender o terminal como um todo. O próximo passo para os portos é transformar o prazo de 2030 em cronogramas de engenharia, contratação e operação iniciados agora.

Para armadores e operadores, a consequência é uma mudança no modo de avaliar a permanência no cais. A disponibilidade de um cabo ou de um ponto de conexão precisa vir acompanhada de compatibilidade entre frequências, potência disponível, rotina do berço e capacidade da rede. A experiência de **Portsmouth** mostra que a conexão simultânea pode ser testada em operação, enquanto Roterdã demonstra a escala necessária para atender vários navios. A eletrificação passa, assim, a ser uma decisão conjunta entre autoridade portuária, terminal, concessionária de energia e operador naval.

O prazo europeu não elimina a complexidade técnica, mas define uma data para que ela seja resolvida. Portos que iniciarem auditorias, subestações, armazenamento e sistemas de dados com antecedência terão mais condições de distribuir investimentos ao longo dos próximos anos. Para os porta-contêineres, o índice de apenas **11% das conexões projetadas** encaminhadas expõe a distância entre a exigência e a infraestrutura disponível. A expansão do shore power será medida pela capacidade de integrar rede elétrica, berços e operação, e não pelo número isolado de equipamentos instalados.